sábado, 16 de setembro de 2017

ARRAIAL…

NOTAS DO MEU CANTINHO

Um arraial que é uma vergonha e continua, sem que haja quem lhe dê uma solução razoável. Até quando, não sabemos, mas não deixa de ser um verdadeiro escárnio para as Lajes e até para quantos nos visitam, e já são bastantes, principalmente nesta quadra de estio em que o calor se faz sentir já em demasia.
Há dias deram-me a oportunidade de dar um pequeno passeio pela muralha do Caneiro, que circunda a Lagoa interior do porto das Lajes. Estava esta cheia de embarcações de recreio que são aquelas que agora ali mais abundam, principalmente nesta época de verão.
E são as locais, algumas de outros portos e até estrangeiras que ali estacionam. O espaço está praticamente ocupado e algumas das embarcações estão junto a outras, por falta de espaço de amarração.
Mais fora está a lagoa formada pelo molhe que aqui há anos foi construído para defesa da Vila e que tem dado bons resultados, apesar de ir perdendo o coroamento com as vagas que o atingem, deixando-o todo “dentado”. No entanto, não deixa de ser chocante ver as bandeirolas ali colocadas em pequenos mastros a sinalizar os montículos submersos que estão espalhados naquele espaço, indicativos do perigo que é deles se aproximarem as embarcações que demandam o porto. E já houve arrombamentos…
Pouco custará meia dúzia de velas de dinamite que destruam aqueles obstáculos, permitindo a circulação segura da navegação e acabando com o espectáculo, algo ridículo, do “arraial” que representam. Será necessário abrir subscrição para a aquisição de tão diminuta quantidade de material explosivo?

Sem grandes custos prestava-se, no modesto entendimento do articulista, uma boa ajuda ao serviço portuário. Estarei certo ou o que venho de expor não passa de uma opinião ultrapassada? E por aqui fico. Outros melhor informados, tratarão deste caso. O que não deixa de ser uma realidade é que a navegação de recreio tem dificuldades em demandar o porto pelos vários cabeços submersos que evitam o livre trânsito naquele espaço.

Lajes do Pico

26-Julho-2017

Pequenas notas…

Notas do meu cantinho

            Volto a este meu cantinho … Nem sei se os leitores deram pela sua falta. Pouco importa. No entanto, vou deixando as minhas singelas notas que outros, tempos passados, poderão aproveitar para os seus trabalhos e estudos.
            Estamos, aqui no Pico, nas chamadas “festas de verão”. Tiveram início, no dia 22 de Julho, com as festas de Santa Maria Madalena, padroeira do mais novo concelho picoense. No decorrer dos anos, as Festas da Padroeira têm beneficiado de tratamentos vários. Recordo, v.g., “Os Maiores Dias da Vila da Madalena”, em que se comemorou, naquele concelho, em 1960, o “Duplo Centenário” do culto da excelsa titular da Paróquia, Santa Maria Madalena.
            Mais tarde, a solenidade da Padroeira tomou novo incremento com a declaração oficial do dia 22 de Julho como feriado municipal. A Câmara promoveu grandes festejos externos com uma brilhante iluminação que esteve a cargo de um artista angrense, creio que Fausto Cristóvão. A partir de então as festas externas em honra da Padroeira tomaram esplendor maior.
            Logo a seguir, a paroquial de São Mateus celebra a solenidade do Bom Jesus Milagroso, no dia 6 de Agosto, precedida de novenário solene e com pregação a cargo de oradores consagrados. Até há uns anos passados, eram às dezenas os sermões votivos, o que obrigava, por vezes, o mesmo orador a pronunciar dois e três seguidos, sistema que, creio, desapareceu. Há muitos devotos que, em cumprimentos de votos, se deslocam a pé, todos os dias a S. Mateus para assistirem às novenas solenes e com pregação por oradores convidados das ilhas ou do continente.
            Sobre a festa do Bom Jesus escreveu Dom João Paulino, ao tempo vice-reitor do Seminário Diocesano, no antigo “Peregrino de Lourdes”, de Angra, o seguinte: Em 1882 no mês de Agosto, passava pela freguesia de S. Mateus da ilha do Pico, por ocasião da festa que anualmente ali se celebra no dia 6 de Agosto em honra do Bom Jesus, um sacerdote da vila das Lajes da mesma ilha. Viu e admirou o entusiasmo religioso da imensa multidão de fiéis que de todos os pontos da ilha e de fora dela ali haviam concorrido impelidos pela devoção à imagem do Senhor Ecce Homo que sob aquela invocação se venera na Igreja da freguesia.”
            No dia 15 de Agosto, realizam-se em algumas paróquias picoenses festas litúrgicas em honra de Nossa Senhora. É o caso da paróquia da Silveira que, desde longa data, soleniza de maneira brilhante, a Mãe de Deus.
            As festas religiosas normalmente constavam de Missa da Comunhão Geral, Missa Solene, cantada, de três padres e procissão.
            Presentemente, deixou de haver a Missa da Comunhão Geral, pois em todas as Missas se distribui a Sagrada Comunhão, uma vez que o actual Direito Canónico, promulgado depois do Concílio Vaticano II, estabelece no cânone 919 que o jejum, de comida ou bebida, só deve observar-se por espaço de uma hora antes, excepto água ou remédios.
            No último domingo de Agosto celebra-se na Matriz da Santíssima Trindade das Lajes do Pico a Festa de Nossa Senhora de Lourdes. Vem de 1883, ano em que chegou às Lajes a Imagem da Virgem aparecida na Gruta de Massabielle.
            Num dos seus brilhantes artigos publicados no citado jornal terceirense escreve ainda D. João Paulino;”Festa de tamanho luzimento jamais fora vista dentro dos muros daquele templo desde que ressurgiu dentre os escombros a que o reduzira um pavoroso incêndio aí por 1830.” E “a festa teve lugar não na igreja Matriz, à qual fora ofertada a imagem, mas na igreja do extinto convento de Sã Francisco, por esta, em consequência da sua situação, forma arquitectónica e estado de conservação, poder dar maior realce aos simpáticos festejos.”
            Escreve ainda D. João Paulino, no artigo de 20 de Julho de 1889:
            “A ornamentação do templo dirigida por um hábil armador expressamente chamado da ilha Terceira, - a música executada pela capela da Matriz e por alguns músicos de fora acompanhada a instrumental – a boa execução das cerimónias religiosas, - o entusiasmo piedoso dos fiéis, - a novidade da festa - tudo dava aos actos religiosos uma grandeza e majestade nunca dantes ali presenciada pelos filhos da actual geração.”
            A Imagem foi adquirida nesse ano por vinte e sete paroquianos, da lista fazendo parte uma armação baleeira “de que era gerente Amaro Adrião de Azevedo e Castro”.
Os lajenses, no final do mês de Agosto que se aproxima, vão, uma vez mais, celebrar as grandiosas festas em honra de Nossa Senhora de Lourdes. Ainda é cedo para mais adiantar…
Lajes do Pico, Julho de 2017

Ermelindo Ávila

DE NOVO, O TURISMO

Notas do meu cantinho

Trata-se, afinal, de um assunto que está na “ORDEM DO DIA”. Interessa dele falar porque nessa actividade se encontra, presentemente, a base da economia local, uma vez que outras actividades económicas não existem por cá, nem se descobrem iniciativas para as instalar, que não deixa de ser uma mazela perniciosa para o progresso e desenvolvimento desta terra, que já foi uma das mais progressivas desta ilha açorianas,
O “Posto de Turismo” foi há anos, nem sei há quantos, instalado no antigo forte de Santa Catarina, imóvel declarado oficialmente de “Interesse Público”. No qual se fizeram algumas adaptações, embora as menos aconselháveis. Desapareceram algumas ameias do lado do Mar e conservou-se o forno, construído em 1885 para funcionar como forno da cal, que ali esteve instalado, colocando-se uma cúpula em plástico para desvio das águas das chuvas.
No actual “Posto de Turismo” funciona uma pequena livraria, quase toda de edição municipal ou com títulos patrocinados pela Câmara Municipal, o que não deixa de ser importante, já que não existe estabelecimento congénere no comércio local. 
Com a construção de um novo edifício na praça do Museu dos Baleeiros, é motivo para perguntar: o que vai acontecer ao antigo Castelo? Não será de preservá-lo, embora voltando um pouco à sua traça primitiva, e fornecendo aos visitantes um pequeno historial, que não será difícil de organizar?

         No antigo posto de Santa Catarina, ao norte da Vila das Lajes, foi construído o castelo ou forte, em cumprimento da ordem régia que mandava edificar fortalezas em todas as ilhas, como precaução contra as invasões dos Exércitos de Napoleão. Decorria o ano de 1792. A Revolução Francesa havia acontecido em 1789. Estava iminente a invasão de Portugal pelos exércitos franceses.”[1]

É tempo de dar solução à construção iniciada. Os turistas vão aumentando e tem de haver alguém, convenientemente preparado, que os saiba orientar e conduzir na Vila das Lajes. Não é somente o whale whatching que interessa. A Vila, a mais antiga e de interesse turístico melhor aspecto arquitectónico e com variado tem de ser patente aos visitantes na sua realidade cultural e histórica.

Vila das Lajes, 7 de Agosto de 2017
Ermelindo Ávila



[1] ÁVILA, Ermelindo. FIGURAS & FACTOS (Notas Históricas), 1993

AS GRANDES FESTAS DOS LAJENSES

Notas do meu cantinho

Não são de ontem nem de hoje. Celebram-se poucos anos após o grandioso acontecimento das Aparições da Virgem na Gruta de Massabielle, em França, no dia 11 de Fevereiro de 1858.
As festas iniciaram-se aqui, junto ao porto da vila, quando os baleeiros, regressando de uma arriada, se viram impedidos de atravessar a entrada por ciclónicas vagas do mar alteroso. O povo, que não somente os familiares dos baleeiros, porque nesses momentos de angústia há uma solidariedade entre as gentes do Mar que a todos une em preces fervorosas, clamando alto, invocou a Virgem aparecida alguns anos antes à Vidente (hoje canonizada) Bernardete. Isso nos narra o lajense, ao tempo Vice-Reitor do Seminário, Dr. João Paulino de Azevedo e Castro que viria a ser mais tarde Bispo de Macau.
Decorridos alguns instantes, o tempo melhorou, o mar acalmou e os botes puderam entrar calmamente no porto sem qualquer dado.
Mais do que o autêntico “milagre”, estava instituída a devoção pública a Nossa Senhora e, por assim dizer, inauguradas as festas anuais em honra de Nossa Senhora de Lourdes. Isto que toda a gente sabe, convém aqui repetir, para que os novos, se este arrazoado lerem, se apercebam que a Festa de Lourdes, integrada na Semana dos Baleeiros, não nasceu nos últimos anos, com a chamada Semana dos Baleeiros, mas já conta 134 anos de celebração, dentro do autêntico espírito cristão que a anima, muito embora os festejos externos, uma verdadeira homenagem de filial respeito tributado pelo baleeiros à sua padroeira, venham do início das solenidades promovidas em 1883.
A primeira festa teve lugar na Igreja de S. Francisco, “por esta, em consequência da sua situação, forma arquitectónica e estado de conservação, poder dar maior realce aos simpáticos festejos.” [i]
“Festa de tamanho luzimento jamais fora vista dentro dos muros daquele templo desde que ressurgiu dentre os escombros a que o reduziu um pavoroso incêndio, aí por 1830”.
“A ornamentação do templo dirigida por um hábil armador expressamente chamado da ilha Terceira, - a música executada pela capela da Matriz e por alguns músicos de fora, acompanhada a instrumental (…) – tudo dava aos actos religiosos uma grandeza e magestade nunca dantes ali presenciada pelos filhos da actual geração! “
A festa tem lugar na 4.ª Dominga de Agosto, “dia em que a igreja reza do Imaculado Coração de Maria”.
“Durante o dia da festa e na véspera, as proximidades da igreja acham-se vistosamente embandeiras, e na noite dum destes dias, conforme o tempo permite, tem lugar uma bonita iluminação chinesa que atrai concurso imenso de espectadores.” (…) “O espectáculo que oferece a iluminação – sempre de bonito efeito de qualquer parte que seja observada.”
(A iluminação chinesa ou veneziana, era feita com balões em armações de folha de Flandres forradas de papel transparente de multicores, onde era colocada uma vela de estearina. Hilariante era, por vezes, quando o vento inclinava os balões e o fogo consumia a cobertura.
A partir do surgimento da electricidade desapareceu a iluminação à veneziana e passou-se a fazer artísticas iluminações, sendo para o efeito contratado um artista terceirense, o que agora deixou de acontecer…)
 Com a celebração do centenário, os festejos externos tomaram grande desenvolvimento, estendendo-se por uma semana a que se denominou “Semana dos Baleeiros”. Apesar da actividade baleeira ter desaparecido, a denominação da Semana festiva continua com o mesmo entusiasmo e brilhantismo. Aliás, como vem acontecendo por estas ilhas açorianas. Pena que dos programas tivessem desaparecido as conferências proferidas durante a “Semana” por ilustres literatos e cientistas, alguns deles Professores Universitários, que aqui se deslocavam com muito agrado, tendo sempre a escutá-los uma larga assistência que muito os apreciava. Nunca é tarde para recomeçar, pois os encargos eram diminutos.
Estamos chegados, uma vez mais, às tradicionais festas de Nossa Senhora de Lourdes, as maiores que por estas ilhas se realizam em honra e louvor da Senhora Aparecida em Lourdes.
A procissão pára na Pesqueira (Porto), tem sermão votivo, colocando-se o Orador na proa de um antigo bote baleeiro; depois, a Veneranda Imagem percorre todos os outros botes de velas enfunadas, onde os velhos  baleeiros, aqueles que ainda existem, se postam em gesto de homenagem à sua Padroeira, enquanto estrugem dúzias de foguetes, não tantos como outrora, quando as baleias eram o sustento e o amparo  de muitas famílias picoenses.
As festas continuam. Hoje é a Semana dos Baleeiros. E continuará, embora algo diferente, mas sempre em louvor da Virgem que há 135 anos (1882) aqui foi invocada publicamente, pela primeira vez, em terras açorianas.
Lajes do Pico,13-Agosto-2017
    Ermelindo Ávila




[i] Estas e as restantes citações são de crónicas de Dom João Paulino de Azevedo e Castro publicadas no jornal “Peregrino de Lourdes”, Julho, 1889.

AS FESTAS DO VERÃO

NOTAS DO MEU CANTINHO

            Praticamente terminaram as festas de verão, se bem que, numa ou noutra paróquia, ainda se realizem as festas dos Padroeiros, como são os casos de Piedade e São Mateus. Festas de menor luzimento não deixam de atrair os naturais da freguesia que vivem fora e que, anualmente, regressam ao torrão natal para tomar parte nas celebrações. É um costume ou tradição que vem de longe e que se mantém, agora que as comunicações são mais facilitadas, por terra, mar ou ar.
            É sempre agradável encontrar os nossos conterrâneos de volta à terra, a reviver os cantinhos onde nasceram e foram criados.
Eles partiram um dia para conseguirem melhor viver e um futuro mais próspero para os filhos. Mas não esquecem o lugarzinho que lhes foi berço. Lá longe, não escrevem tanto como antigamente, mas a TV e o telemóvel estão sempre ligados para saberem notícias dos seus e novidades da terra. É, na realidade, uma aproximação mais simpática. E, até acompanham com interesse as novidades da terra, através dos próprios jornais, embora as notícias sociais, e disso se queixam, sejam raras ou quase inexistentes.
            Mesmo assim, os jornais são lidos e os artigos ou notícias de interesse recortados e cuidadosamente guardados, até para deixarem aos filhos…
            Alguns emigrantes ainda aí estão para assistirem às festas das suas freguesias, que, para eles, têm um interesse muito especial. É o que acontece, v. g., na freguesia da Piedade, onde as festas da Padroeira e a de Nossa Senhora das Mercês, esta festejada no fim de Setembro, são lembradas com enternecido amor, até porque alguns desses visitantes há muito que cá não vinham e agora chegam saudosos do seus e da própria terra-mãe.
            São Mateus vai celebrar a 21 de Setembro a festa do Padroeiro. Nesse dia cumpre o voto feito em 1718-1720, quando as erupções vulcânicas atingiram Santa Luzia e, depois, os locais onde deixaram, a testemunhar tamanhos cataclismos - os “Mistérios”. São decorridos trezentos anos!
            O voto é representado pela distribuição de rosquilhas a todos os que ali vivem ou por ali passam no dia de São Mateus. Houve até anos em que a Paróquia contribuía com algumas “contas” de rosquilhas para que ninguém voltasse a casa sem levar um “arrelique”. Afinal, um “império” idêntico aos que se realizam nas diversas freguesias da Ilha, durante o tempo litúrgico do Pentecostes.
É caso para louvar o povo picoense que será ainda hoje, se não erro na afirmativa, aquele onde o pão, nalguns lugares também o vinho, são distribuídos a todos os forasteiros e aos doentes ou impossibilitados de comparecer no arraial.
Vale a pena recordar estes acontecimentos históricos que continuam a dar testemunho da crença e do respeito pelos votos dos antepassados, que se cumprem com escrupuloso cuidado e que são transmitidos de pais a filhos e a netos. E tal é o respeito por tão antiga tradição que, presentemente, algumas festas recentes vão introduzindo prazenteiramente, os tradicionais “impérios”.
Este povo do Pico é excepcional. Não lhes evitem cumprir as honrosas tradições. Ajudem-nos quando as dificuldades surjam para que a memória dos antepassados não caia no esquecimento.
Lajes do Pico, 29 de Agosto de 2017

Ermelindo Ávila

A ESTÁTUA DE D. DINIS

A MINHA NOTA

            Há setenta anos (1940) a Nação Portuguesa celebrou o Duplo Centenário da Independência e Restauração de Portugal (1140-1640). A Ilha do Pico não esqueceu o histórico acontecimento e inaugurou, no antigo porto do Cais do Pico, a estátua do Rei-Lavrador, D. Dinis. Para a cidade da Horta veio a estátua do Infante Dom Henrique, com a diferença de que esta era em mármore e o tempo encarregou-se de a desfazer aos poucos, enquanto a de D. Dinis, sendo de bronze, tem resistido a todas as intempéries.
Era Vice-Presidente da Comissão Nacional dos Centenário o Coronel Henrique Linhares de Lima, natural do Cais do Pico, que havia exercido ou ainda exercia o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Tendo aquelas estátuas sido retiradas das praças públicas e devolvidas a armazém, entendeu Linhares de Lima enviá-las para o seu distrito natal, e mais: na Assembleia Nacional, de que era deputado, apresentou um projecto de Lei mudando o nome da ilha do Pico para ilha de Dom Dinis. O projecto foi largamente contestado e mereceu a recusa da Câmara Corporativa de então. Um dos grandes opositores do projecto foi o General Lacerda Machado. “O Dever” arquiva diversos artigos de opinião desaprovando a proposta. No entanto, a estátua do Rei veio para a ilha do Pico e, embora devesse ter ficado nas Lajes, primeira terra povoada, Linhares de Lima, porque era ele que determinava a colocação, levou-a para a sua terra. Tinha, como soe dizer-se, a faca e o queijo na mão…
A inauguração realizou-se a 16 de Agosto de 1940, dia da festa do Padroeiro, São Roque e decorreu, diga-se em boa verdade, com solenidade e esplendor.
Era presidente da Câmara Municipal de São Roque Celestino Freitas e ao acto compareceram os presidentes dos outros dois concelhos da Ilha. Presidiu ao acto inaugural o Governador Civil do Distrito, Capitão Moreira de Carvalho que navegou da Horta para o Cais num vaso de guerra que estacionava no porto daquela cidade. Trouxe consigo numerosa comitiva. Na inauguração, falou, em nome do Município de São Roque, Almério Tavares que desempenhava as funções de chefe da Secretaria do Tribunal Judicial. Na residência de Raimundo Mesquita, em São Roque, foi servido o almoço ao Governador e demais entidades presentes.
Na Matriz de São Roque, realizou-se a solenidade em honra do Padroeiro, sendo orador o ouvidor das Lajes, P. José Vieira Soares. A seguir, realizou-se a Procissão, tendo, em todos os actos, estado presente o Governador e Comitiva.
Decorreram já, como acima referi, setenta anos. A estátua continua no mesmo local onde foi colocada mas, virada para o Canal, quase ninguém dá por ela, uma vez que foi construído novo porto, bastante distante, onde se processa todo o movimento portuário.
A ilha continua a ser do Pico, com a montanha sempre em frente, mais procurada do que nunca pelos visitantes nacionais e estrangeiros. Simples e bela, na sua majestade deslumbrante, é o encanto dos picoenses que a contemplam embevecidos, ao declinar da tarde, quando o sol se põe ou mesmo, com os raios de luz a anunciar o novo dia que vem chegando. Mas isso é para os poetas que sabem aproveitar o encanto e a beleza de uma ilha que, sem ser de bruma, para os naturais parece esquecida e adormecida… 
Lajes do Pico,
Agosto de 2017

Ermelindo Ávila

RECORDANDO…

 Notas do meu cantinho
                            
 Há dias, já no corrente mês, um dos meus filhos proporcionou-me uma viagem das Lajes à Madalena. Há dias acrescentados que não fazia este percurso. Recordei os anos sessenta do século passado em que fazia o mesmo trajecto em razão das funções que então desempenhava e que me obrigavam a uma deslocação diária. Tempos que já passaram e que, apesar de tudo, deixaram no nosso íntimo um misto de saudade e de bons recordares.
          No sainte de São João, terminus do concelho das Lajes, recordei a história e lembrei-me que só em 1723, aquando da criação do terceiro concelho da ilha do Pico, a freguesia de São Mateus deixou de pertencer ao concelho das Lajes e ficou incorporada no novo concelho, a Madalena, levando consigo os lugares da Terra do Pão e São Caetano, que hoje constituem uma freguesia independente.
          Ao passar na Terra do Pão, com as suas casas típicas, voltadas a Sul, desde o Mistério até à Igreja de Santa Margarida, recordei aqueles ditosos anos sessenta quando ali passava e via, nos balcões das cozinhas, os pratos a fumegar com os dejejuns da manhã…  
         O que não deixa de impressionar é que as referidas habitações mantêm o mesmo estilo arquitectónico: as frentes principais voltadas a Sul, com um ou dois balcões externos de serventia à sala principal e cozinha, cada um junto das empenas Norte e Sul. Um estilo que se conserva, ao contrário do resto da ilha, com uma arquitectura moderna mas desconfortante. E isso vai-se verificando em redor da Ilha, com mais incidência no concelho da Madalena, onde um modernismo exasperado, está a alterar constantemente a fisionomia das zonas urbanizadas, sem estilo nem sentido artístico.
         Um pouco além, já na freguesia de São Mateus, e aqui lembrei o Padre Filipe Madruga que esforços fez para que a freguesia fosse elevada a Vila. Os novos ramais de entrada e saída do centro da freguesia já estão ocupados por habitações, cada uma do seu estilo, a testemunhar a importação dos trazidos pelos emigrantes retornados e não só.
         Mas, o mais notado é a transformação da sede do concelho, numa ambição discutível de nova classificação, tornando o burgo numa discutível mistura de estilos urbanísticos.
         Nos anos quarenta, São Roque, a segunda vila da Ilha, com a expulsão dos franciscanos, abandonou o edifício municipal e desceu até ao Cais a ocupar o respectivo convento. Nessa altura procedeu-se a uma urbanização do respectivo território, abrindo algumas ruas que, mesmo assim, pouco alteraram a estrutura urbanística. Para quem se recorda o que era o antigo “Cais do Pico”.
         Com a abertura da Estrada do Sul, em 1943, a freguesia da Piedade tem procurado modernizar-se. Mas o que mais se tem notado é a modificação das adegas do antigos lugares de veraneio – Calhau, Cais do Galego e Manhenha, e a construção de exagerados prédios modernos, segundo os modelos das terras de emigração.
         Aqui há anos um deputado regional picoense apresentou no respectivo grupo parlamentar um projecto para que as vilas sede de concelho fossem elevadas a cidade, acabando-se com os esforços bairristas para que uma ou outra beneficiasse, atabalhoadamente, desse título. Foi rejeitado o projecto, ao contrário da Região Autónoma da Madeira, onde parece, essa medida foi oportuna e sensatamente tomada.
         Da minha última viajem pela ilha saiu este modesto escrito. Não será aproveitado por alguém muito menos pelos políticos actuais. Se resistir às destruições dos “papéis velhos” alguém lhe dará  certo acolhimento…  
Lajes do Pico, 6 de Julho de 2017

Ermelindo Ávila

terça-feira, 11 de julho de 2017

COOPERATIVAS

 NOTAS DO MEU CANTINHO
                                               
         Em anos passados, conheci algumas do género de mercearia, a funcionar nesta ilha. Uma delas, na Calheta de Nesquim, desempenhou, durante alguns anos, uma actividade muito proveitosa, não só para os seus associados, mas sobretudo para os faialenses, picoenses, jorgenses e terceirenses, com as carreiras semanais no verão, da lancha “Calheta”, construída em Sto Amaro, em 1925, e que está a terminar seus dias no varadouro da Madalena, desde 1996. E que óptimos serviços prestou! Foi a primeira embarcação motorizada a fazer, semanalmente, a carreira entre as ditas ilhas. Depois, por razões que desconheço, foi vendida a um armador da Horta, que, um ano depois, a vendeu à Empresa Açoriana de Navegação e Pescas, Lda. Foi considerada a “Rainha das Lanchas” no dizer de Amílcar Goulart. (1)
A “Calheta” foi construída para fazer viagens, na época estival, entre as ilhas do grupo central – Faial, Pico, São Jorge e Terceira. Inicialmente, que me lembre, chegava ao porto de Angra, todas as semanas. Era uma alegria ver o facho do Monte Brasil dar sinal de embarcação, vinda de S. Jorge e a encaminhar-se para baía. No pátio da Alfândega aguardávamos, com ansiedade, a chegada ao cais e lá íamos saber, junto da tripulação, notícias do Pico. Uma tripulação simpática que conhecíamos de há muito: Mestre José Goulart, maquinista Alziro, que depois foi para S.ta Maria como faroleiro, e os tripulantes João da Antonica, dos Fetais, José Trindade, da Calheta e Francisco Homem, de Santa Cruz das Ribeiras. Simpáticos e serviçais que eles eram. (2)         
         A Cooperativa Calhetense de Navegação e Pescas, exerceu a sua actividade, além da exploração do tráfego marítimo, no comércio de fazendas, materiais de construção civil e mercearias.
A “Espalamaca”, a mais emblemática “lancha do Canal”, denominava-se, primitivamente, “Maria Utília”. Não passava de uma canoa motorizada, construída nas Velas, em 1919, com 9,70 m de comprimento. Renovada em 1944, passou a ter 13,44 metros de comprimento. Beneficiou de três modificações, a última em 1976, e depois de estar vários anos abandonada no varadouro da Madalena, é agora restaurada nos estaleiros de Sto Amaro. Inicialmente, (em 1949) tinha 14,57m de comprimento e, actualmente, o seu comprimento é de 17,46 m.            
         E voltamos à “Calheta” para deixar a pergunta: Porque não é restaurada, tal como foi a “Espalamaca”?
         Nas Lajes, além de outras que ainda existem - houve duas cooperativas, cada uma delas a explorar o comércio de mercearia. Uma outra existiu em Santa Cruz das Ribeiras. Mais próximo houve cooperativas de lacticínios na Ribeirinha e na Almagreira.
É pena que as cooperativas não tenham uma organização mais sólida, promovendo um comércio de produtos que só beneficiaria os seus associados e contribuiria para a consolidação dos preços dos géneros.
Verdade seja que estamos a atravessar um período de grande carestia.
No entanto, é de realçar a actividade dos super e hipermercados, com uma estabilização de preços aceitável, embora não deixem de aparecer, em determinadas épocas, géneros de elevado custo o que representa um sério agravamento da modesta economia das famílias picoenses.
_____
1)   Quaresma, Goulart, “Maresias”, III volume
2)    Ibidem
Lajes do Pico,
1-7-2017

Ermelindo Ávila

domingo, 25 de junho de 2017

ALIMENTAÇÃO

Notas do meu cantinho
                                     

         No decorrer dos tempos, o homem tem “inventado” e beneficiado de diversos sistemas de alimentação. Bem diferente era aquele que os povoadores consigo trouxeram para estas ilhas, pois ”Neste período bucólico, duma simplicidade bíblica, (…) viveram uma página tocante: procurando soluções, improvisando, suprindo tudo quanto o isolamento lhes negava.
         À falta de forno, cozeram na laje o pão rudimentar das suas refeições frugais, e mais tarde o bôlo (…) assavam a carne no borralho, o funcho substituiu a hortaliça, que ainda não houvera tempo de cultivar, ou de que faltavam sementes, uso que ainda subsiste, pôsto que, raramente, inventaram molhos, gratos ao paladar, para suprir a falta do azeite de oliveira, tardia em frutos, costume que perdura, pois só recentemente se começou a tentar a sua cultura.” (1)
         E durante largos anos, talvez séculos, os molhos subsistiram, temperando os cozinhados e tornando-os mais agradáveis. É o caso do molho fervido e do molho cru, como são conhecidos na cozinha rural. E que agradáveis que eles são.
         Quando o peixe era quase só o elemento principal da alimentação, os molhos caseiros davam-lhe um paladar muito especial e agradável, como ainda hoje acontece em muitas cozinhas das nossas gentes.
         Verdade que, com os modernos sistemas, com os cozinheiros diplomados em escolas especializadas, com a migração que se nota de terra para terra, a cozinha açoriana sofreu ou beneficiou, no século passado, de grande desenvolvimento, pondo-se de parte alguns sistemas alimentares para os substituir por outros mais utlizados. Melhor? Pior? Só cada um saberá responder.
         Em tempos passados, o peixe era o suporte principal da alimentação. A generalidade das famílias açorianas só adquiria carne pelas festas litúrgicas principais: Natal, Páscoa, Espírito Santo, e pouco mais. E o prato forte era a “caçoilha”. A galinha só era utilizada nas festas familiares, principalmente casamentos e baptizados.
         Todavia um prato especial e insubstituível são as “Sopas do Espirito Santo”. Simples mas apetitosas, não há quem as não aprecie. E é ver, nesta época que findou, os milhares de convivas que se sentam às mesas dos “Mordomos” para saborear as sopas acompanhadas da carne cozida, sem outros quaisquer ingredientes. E, como complemento, a carne assada. E já não se dispensa o “arroz doce”.
         Hoje os doces são muito variados. Há-os de todas as qualidades,  com melhor ou menor paladar. Não faltam os pudins, os bolos doces, outros mais.
         No entanto, o peixe, como disse, era a base da alimentação da maioria das pessoas. Nas épocas próprias, adquiria-se o chicharro e o bonito, para a salga. Secos ao sol, eram guardados em recipientes próprios para serem usados no Inverno. Mas, durante o ano não faltava o peixe fresco, a menos que o mar embravecido não permitisse aos pescadores fazer as suas pescas de cavala, serra, garoupa, abrótea, goraz, e outras mais espécies. Todos os dias, pescadores certos chegavam aos pequenos portos com peixe fresco e não faltavam compradores, ou arrematantes do “dízimo” cobrado pelo Guarda-Fiscal. E se o mar não permitia a saída dos portos, nas pequenas lagoas interiores, onde se recolhiam espécies piscícolas, em cardume, “deitava-se a rede” ou “enchelavar”, ou junto à costa as “tarrafas”, e assim quase nunca faltava o peixe para a maioria da população.
         Hoje, com a regulamentação da pesca, medidas que por vezes são anacrónicas, desapareceu o peixe dos portos, para ser arrecadado na “Lota”, um sistema nada benéfico e que causa prejuízo e mal-estar a pescadores e consumidores. Já era tempo, pela experiência sofrida, de alterar o moderno sistema.
         Com a modernização da cozinha açoriana, e a introdução dos sistemas modernos de congelação, já não há o conhecido “peixe seco”. Com ele desapareceu o “molho fervido”, como igualmente quase não se usa o molho cru só servido com o peixe fresco.
         E mais longe podia ir…
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11)     Machado, F.S. de Lacerda, “História do Concelho das Lages”, 1936, pág.78
Lajes do Pico
17.Junho.2017

Ermelindo Ávila

Padre José Carlos

Notas do meu cantinho

                                      

         O Pe. José Carlos Vieira Simplício já estava sepultado no Cemitério municipal desta Vila, vítima de doença incurável, quando me deram a notícia do seu falecimento, na cidade de Angra, onde se encontrava há anos. Senti profundamente a sua morte, pois éramos amigos de longa data. Sempre acompanhei a sua acidentada vida por Timor, pelos Estados Unidos da América – Califórnia, e por algumas ilhas dos Açores e, agora, na dolorosa doença que, naturalmente, o levou.
         José Carlos foi um dos primeiros alunos do externato liceal de D. Olga Soares, desta Vila e primeiro Director do seu jornal “Estímulo”. Entretanto iniciou cedo a sua colaboração em “O Dever”.
Aos quinze anos publica os seus primeiros versos: “Murmúrios dos meus quinze anos”. O Poeta faialense Osório Goulart, em “Duas palavras” de apresentação, escreve: “José Carlos, esperançoso poeta em embrião incipiente cultor das letras, vai, como a flor desabrochante se inclina para o sol, inclinar-se naturalmente para a luz emotiva da inspiração com que as Musas o abraçam e acarinham nos murmúrios dos seus primeiros versos”. E não se enganou o consagrado poeta faialense.
         Não publicou muitos livros mas sim, boa e inspirada poesia. E recordo a Cantata Mariana que escreveu e o Maestro Emílio Porto musicou para o Grupo Coral das Lajes e que tanto êxito alcançou. De assinalar ainda “Os Maiores Dias da Vila da Madalena”, Notas de reportagem, que escreveu e publicou aquando da celebração do duplo centenário do culto e do povoamento da ilha. No entanto o trabalho de maior fôlego foi, creio, “Padres da Ilha do Pico”, do qual publicou, em 1976, o primeiro volume. Afirmou-me diversas vezes que o segundo volume estava pronto, mas nunca chegou a ser publicado. Julgo que está, inédito, em algum dos seus “caixotes”…
         Um outro interessante trabalho é “Daqui Houve Missionários até aos Confins do Mundo”, publicado no ano jubilar de 2000 e no qual o erudito Autor escreve: “A verdadeira abertura, ou melhor, o Pórtico destas páginas são os três parágrafos que destacámos da Mensagem do nosso bispo D. António de Sousa Braga, para o Jubileu Missionário Diocesano celebrado na ilha do Pico.
         Por oferta do notável investigador histórico, possuo todos os seus livros, com dedicatórias amigas que guardo religiosamente recordando esse ilustre Sacerdote que sempre quis ser Padre e que desenvolveu, em todas as terras por onde andou - Timor, Califórnia e algumas Ilhas dos Açores - uma actividade cultural, e sacerdotal invulgar.
         Devo-lhe uma amizade leal e sincera desde o primeiro ano do Ensino Secundário, quando principiou a frequentar o primeiro Externato desta Vila. Não o esquecerei jamais até que o Senhor me chame. Mas não podia, neste momento doloroso, deixar de aqui registar singelas palavras de homenagem, de reconhecimento e de gratidão à sua veneranda memória. 
         O P. José Carlos amou sempre a sua terra, a Almagreira. Subúrbio desta vila. A respectiva ermida mereceu-lhe sempre um carinho muito afectuoso e bastante contribuiu para o seu restauro e modernização. A ele se fica a dever a instituição da Festa da Titular, Rainha Santa Izabel, e, para ela, procurava trazer oradores distintos.
         Nos últimos anos sofreu males físicos que muito o atormentaram e inutilizaram intelectualmente. Como atrás disse, há anos que, em razão dessas enfermidades, estava recolhido na casa de Saúde de Angra. E ali faleceu antes de atingir os oitenta anos de idade (4 de Agosto de 1937). Há quase dois anos ocorreu o cinquentenário da celebração da sua primeira Missa. Não sei se alguém o recordou, pois o P. José Carlos já se encontrava um enfermo… Veio ser sepultado no cemitério desta vila não sei se por sua determinação se por deferência da entidade testamentária. Mas fica bem junto dos seus…
         Que o Senhor o haja recebido em seu Reino, pois a memória do saudoso Amigo, sacerdote distinto, investigador histórico, poeta e escritor invulgar será recordada por anos largos.
Requiescat in pace!  
 Vila das Lajes, 10 de Junho de 2017

Ermelindo Ávila



quinta-feira, 8 de junho de 2017

A PROPÓSITO DO CENTENÁRIO DE “O DEVER”

Notas do meu cantinho


         Quando “O Dever” iniciou as comemorações do centenário, em 2 de Junho de 2016, tive oportunidade de fazer o seu pequeno historial. Não vou repeti-lo. Isso seria fastidioso.
         Limito-me a falar dos jornais picoenses, que alguns foram, hoje representados, além deste semanário, pelo “Ilha Maior”, que já ultrapassou vinte e oito anos e pelo “Jornal do Pico”, com doze anos de existência: Vidas fulgurantes que não deixam de honrar a Imprensa açoriana, aliás bastante decaída, excepção feita à ilha de São Miguel, com três diários, um deles, o “Diário dos Açores” quase tricinquentenário.
         Angra perdeu há poucos anos o seu centenário “A União”, que encerrou ingloriamente. O mesmo aconteceu na Horta com o centenário “O Telégrafo” e, logo depois, com o já idoso “Correio da Horta”, que havia sucedido à velha “Democracia”.
         Centenário é já a “Crença”, de Vila Franca do Campo, fundada pelo Mestre Pe. Ernesto Ferreira, e que, presentemente, é propriedade da Igreja Paroquial. Tal como acontece agora com o “O Dever”.
         O século XIX foi fértil na publicação de jornais, quase todos de feição política. É de fazer excepção aos fundados pelo Pe. Nunes da Rosa, ouvidor da Madalena, Pároco das Bandeiras e escritor-contista emérito. Em Janeiro de 1899, fundou “A Voz” e logo depois “A Ordem”. Mais tarde, em 1918, “Sinos de Aldeia” que cheguei a conhecer mas que, por sua morte desapareceu quando, afinal, por sua vontade, devia ter ficado na Biblioteca da Câmara Municipal da Madalena, que ele desejou se fundasse e onde fosse igualmente recolhida a sua pequena biblioteca. Dou disso testemunho...
         Em São Mateus, existiu o “Cartão de Visita”, fundado e dirigido pelo professor J. I. Garcia de Lemos. Tão diminuto como, realmente, um cartão de visita, nele encontrava-se porém o artigo de fundo, as notícias e até os pequenos anúncios.
         Não deixo de fazer referência a dois boletins paroquiais, que, além das notícias das respectivas Paróquias, alargavam a sua  informação para as notícias e interesses das sua freguesias. Refiro o “Ecos do Santuário” que o Pe. Filipe Madruga criou e manteve, enquanto paroquiou na freguesia de São Mateus, e o “Bom Combate” que Monsenhor José Fortuna também publicou, na Paróquia da vila da Madalena, enquanto ali foi Pároco. Com o falecimento do Pe. Filipe e a transferência para a Matriz da Horta do Pe. Fortuna, que ali foi levado à dignidade de Monsenhor, desapareceram os dois periódicos que, como se disse, eram mais do que simples boletins.
         No século XX, alguns párocos sentiram a necessidade de levar a casa dos seus paroquianos, dado que alguns não eram habituais frequentadores dos actos religiosos, as notícias paroquiais, criando para isso pequenos boletins policopiados, como foi o caso, dentre outros, do “Peregrino” do Pe. Tomás Cardoso e, depois, do Pe. Luciano Oliveira. (Este chegou a ser impresso quando o Pe. Luciano Oliveira sucedeu ao Pe. Tomás Cardoso, como vigário da Vila de S. Roque). Publicaram ainda boletins paroquiais o Pe. António Cardoso, na vila das Lajes, o Pe. Norberto, em Santa Cruz das Ribeiras, e o Pe. João Domingos, na Ribeirinha, e talvez outros mais. Voltar a esse artesanal sistema será um erro de resultados negativos.
         A igreja açoriana, como atrás referi, acabou com alguns jornais, entre eles, o centenário “A União” e o “Correio da Horta”, e passou a utilizar um portal de notícias na “Internet” a que a maioria das pessoas, não entende nem tem acesso. Simplesmente um erro de administração, que tarde talvez será corrigido.
         Os jornais picoenses prestam aos respectivos Municípios excelente serviço pondo-os, semanalmente, em contacto com os cidadãos. Resta, pois, aos órgãos autárquicos ter em atenção essa circunstância e ajudar, substancialmente, a sua manutenção. Demais, nenhum dos três jornais picoenses é órgão de qualquer partido político, que se saiba, como acontecia aos periódicos do século XIX, razão pela qual, volto a referir, alguns desses pequenos jornais tiveram vida efémera.                                                              
         Um jornal com cem anos de existência, como é o caso de “O Dever”, não pode nem deve terminar. É um Património rico de história, valorizante da terra que o deve manter a todo o custo.

Vila das Lajes,
 22 de Maio de 2017.
 Ermelindo Ávila


AS FESTAS DO SENHOR

NOTAS DO MEU CANTINHO


         Os micaelenses, e com eles os açorianos em geral, estão a celebrar as festas em honra de Santo Cristo Milagroso. Festas centenárias, elas vivem na alma dos católicos açorianos que, em horas de amargo sofrer, muitos deles se voltam para o Santuário que alberga a Veneranda Imagem, a implorar graças, as mais diversas.
         E isso vem de há séculos.
         Recordo que uma das minhas bisavós que ainda conheci na minha infância, tinha à cabeceira da sua cama, como era habitual em muitas famílias, um quadro com a fotografia da Imagem de Santo Cristo que venerava com muita devoção. E em muitas casas, ao menos aqui no Pico, isso acontecia. Tanto assim que Imagens de Santo Cristo existem em diversas igrejas da Ilha do Pico. Conheço algumas, embora com títulos diferentes: Bom Jesus, em São Mateus, Calheta, e Criação Velha; Santo Cristo, num dos subúrbios da vila da Madalena; Senhor Jesus, na vila das Lajes e Santa Cruz das Ribeiras, e, naturalmente, outras mais, sob as mais diversas invocações.
         Assisti, pela primeira vez, às festas em louvor de Santo Cristo dos Milagres na década de sessenta, do século passado. Era, então, funcionário da Câmara Municipal da Madalena e fui representar o Município levando o respectivo estandarte, a convite da Comissão da Irmandade. Das Lajes foi meu falecido irmão Gabriel, e da Horta António Simões, então vereadores dos respectivos Municípios. Estes me lembro. Recebidos por um membro da Comissão, trataram-nos fidalgamente e ofereceram-nos, na segunda-feira, um agradável passeio às Furnas, com entrada de automóvel, no respectivo Parque, uma excepção que causou surpresa a alguns amigos que tínhamos na Ilha, pois tal deferência não era vulgar.
         Mais tarde voltei a assistir à grandiosa festa, precisamente no ano em que se iniciou a celebração de Missa Campal, no adro da Igreja do Santuário. Pela experiência anterior não me atrevi a tomar parte na longa e demorada Procissão que, na realidade, é um autêntico acto de penitência, único nos Açores, embora se possa considerar um duplo cortejo religioso e cívico. Isto sem ferir, por mínimo que seja, o espírito cristão do povo da Ilha do Arcanjo.
         Não assistirei novamente às solenidades em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres. A idade já não permite. Limitei-me a admirar, pelas reportagens da TV, as feéricas e esplêndidas iluminações, principalmente do frontispício da Igreja, que outras iguais não se fazem nas diversas ilhas açorianas, nem a grandiosa procissão com a Veneranda Imagem do Senhor a percorrer o secular itinerário de há séculos. E, enquanto o Senhor permitir...
         Nas diversas ilhas açorianas as festas religiosas, realizadas em muitas paróquias, são sempre as maiores. Há diversões variadas, durante vários dias, como acontece por cá com a “Semana dos Baleeiros” integrada na Festa de Nossa Senhora de Lourdes, sem dúvida das maiores da Ilha, ou da “Maré de Agosto”, em Santa Maria, da “Semana do Mar”, na Horta, ou das “Sanjoaninas” em Angra, para só estas referir, pois outras mais há actualmente. E quase todas, senão todas, estão ligadas a tradicionais solenidades religiosas. Verdadeiras provas da tradicional religiosidade do povo açoriano, bem expressas também nas festas – Coroações e Impérios – em louvor da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade – o Divino Espírito Santo -, que estão a ocorrer nesta altura do ano.
         Os actos de penitência, por vezes bem dolorosos, que nestes dias se praticam no Santuário da Esperança, em Ponta Delgada e seus arredores, são uma extraordinária manifestação de fé e de espírito religioso dos açorianos, vivam em São Miguel, nas demais ilhas açorianas ou até mesmo na Diáspora.
         Que o Filho de Deus, Cristo Redentor, atenda os pedidos das almas carentes e a todos ajude e proteja, em suas necessidades espirituais e materiais.
        
Lajes do Pico.
14 – Maio – 2017

Ermelindo Ávila

“O DEVER” E O SEU FUNDADOR

NOTAS DO MEU CANTINHO
                                  
            Nestes dias em que se comemora os cem anos de existência do semanário “O Dever” não é possível falar do jornal sem se recordar a memória saudosa do seu fundador, Pe. João Vieira XAVIER MADRUGA.
            Tão ligados estiveram enquanto o Pe. Madruga foi vivo, que não é fácil ignorar a sua existência e o que foi para o jornal que fundou, dirigiu e manteve com entusiasmo, dedicação e sacrifício.
            Sacrifício, porque era quase só o redactor. Escrevia o editorial, a crónica, o noticiário. Fazia a revisão e orientava a paginação. Afinal, era o director, o redactor, orientador da composição e o mais que necessário era. Todas as suas economias iam para o jornal, uma vez que os assinantes ou não pagavam, ou a assinatura era insuficiente para as despesas do ordenado do tipógrafo, da compra do papel e tinta e o mais necessário.
            Como uma parte da tipografia ficasse atrás aquando da transferência do jornal para esta vila das Lajes, uma vez nos Estados Unidos, lá adquiriu uma Minerva e uma guilhotina para que se pudessem executar na tipografia, além do jornal, outros trabalhos tipográficos.
            O P. Madruga era um jornalista distinto, dos mais distintos de Portugal. “O Dever” foi considerado, na opinião do Conselheiro Fernando de Sousa, director da “Voz”, o melhor Semanário Português.
            Todos os dias o Pe. Xavier Madruga vivia para o jornal. Tinha um sistema de vida extraordinário. Celebrava Missa muito cedo, mesmo quando estava recolhido a casa, pois havia conseguido, da Santa Sé, autorização para celebrar na sua residência, almoçava normalmente e ficava no seu pequeno escritório, lendo os jornais que lhe chegavam de todas as ilhas e alguns do continente, por permuta, escrevia o editorial (ou fundo), o seu “Cá e Lá” nota crítica dos acontecimentos nacionais e internacionais, as notícias que lhe levavam, e os artigos de interesse local. A ele se deve o reinício das obras da igreja Matriz, suspensas com a proclamação da República, a construção e o calcetamento da Estrada Lajes – Piedade, a muralha de defesa das Lajes e tantos outros mais que é fastidioso estar a lembrar.
            Quando as forças o foram abandonando, preferiu transferir o jornal para a Paróquia, no desejo bem firme de lhe dar continuidade.
            “O Dever” foi o jornal onde muitos jovens principiaram as suas actividades jornalísticas. Recordo alguns: Dr. Manuel Rocha, Samuel Amorim, Dr. Fernando Maciel, Pe. José Carlos, José Gabriel, além de diversos alunos e ex-alunos do Seminário de Angra, e outros do Liceu da Horta ou do externato das Lajes do Pico, pois a todos acolhia com estima e ajudava-os a ingressarem na actividade.
            Ao terminar o curso do Seminário, o P. Xavier Madruga foi nomeado professor e prefeito do mesmo instituto. Entretanto, e a pedido de Mons. Ferreira, mantinha assídua colaboração no “Peregrino de Lourdes”.
            Por ocasião do seu falecimento, em 30 de Março de 1971, escreveu o “Boletim Eclesiástico”: ”Além da cura de Almas que exerceu com proficiência, dedicou-se às lides jornalísticas, fundando o jornal semanário “O Dever” que dirigiu na qualidade de Director, durante 53 anos. Salientou-se pela sua dedicação e consagração à Igreja e, sem respeito humano, propagou sempre a verdade duma forma clara e integérrima. O seu estilo fluente e acessível proporcionou aos seus leitores uma leitura agradável e proveitosa. Prestou sem dúvida um relevante serviço à Igreja e honrou a Diocese de Angra ao longo da sua vivência sacerdotal.”
            Aquando da ocorrência do centenário do nascimento do P. João Xavier Madruga, o então Bispo da Diocese de Angra, D. Aurélio Granada Escudeiro, escreveu no “Boletim Eclesiástico”: “Vejo nele (P. Xavier Madruga) o sacerdote culto, zeloso e persistente em seu múnus pastoral, utilizando os meios ao seu alcance.
            Entre estes meios esteve “O Dever”, folha pequena, despretensiosa e sem especial apresentação, iniciada em S. Jorge, onde então paroquiava o Pe. Xavier Madruga, transferida mais tarde pelo seu director e proprietário, para as Lajes.
            Cresceu depois, alargou o seu âmbito, sendo hoje “O Dever conceituado órgão de imprensa regional, nomeadamente do Pico. (…) Sirva o exemplo do Pe. Xavier Madruga de conforto e estímulo a quantos, limitados em meios, desejarem alargar sua acção e levar a todos uma palavra de luz e um aceno de amor fecundo (…) Aproveitarei esta oportunidade – recordando o encontro que tive, há anos com o Pe. Madruga nas Lajes – para sublinhar os bons serviços prestados por ele e por toda uma plêiade de sacerdotes nascidos nestas ilhas.
            Aquando da celebração das “Bodas de Ouro sacerdotais, em 5 de Novembro de 1955, que tiveram a presença do Cardeal Dom José da Costa Nunes, seu amigo ex-corde a Câmara Municipal homenageou o P. Xavier Madruga, descerrando uma placa, na rua onde nasceu e sempre viveu, com a denominação de Rua Pe. Xavier Madruga.
            Como já anteriormente escrevi, é pouco. Algo mais importa fazer.
            Lajes do Pico
            30 de Maio de 2017

            Ermelindo Ávila

O SÉCULO PASSADO...

A minha nota


         Chamaram ao século XX o Século das Luzes. Realmente, foi um dos períodos mais brilhantes da História Mundial.
         O Homem do século passado beneficiou de uma transformação social, cultural e económica que até ali desconhecia.
         Surgiu o petróleo e, depois, a electricidade. E veio, a seguir a rádio, a televisão, a aviação e um sem número de descobertas científicas e culturais até então impensáveis. E de todas essas descobertas e invenções o homem foi o grande beneficiário. Mas, mesmo assim, não evitou as duas grandes guerras mundiais, nem as revoluções internas: a Rússia, o México, a Espanha, e outras mais, de que ainda hoje sofre os efeitos tremendos que essas convulsões trouxeram.  
         Olhar para trás, após dezassete anos de outro século, é sentir arrepios e pensar como foi e, afinal, continua o ser humano a sofrer tamanhos malefícios, depois de vultuosas descobertas científicas.
Prosseguem as revoluções fratricidas, principalmente no continente africano. Vários povos estão a sofrer perseguições e para delas se afastarem, fogem aos milhares para os países europeus que nem sempre os acolhem carinhosamente, deixando atrás empregos e bens pessoais e outros membros da família. São bastantes e mortíferas as tragédias marítimas pois, tomando qualquer meio de transporte, muitas vezes os refugiados são vítimas de naufrágios fatais.
Ninguém esquece o que foi a primeira guerra mundial, na qual Portugal tomou parte, com perdas irreparáveis da nossa juventude; nem a guerra dos campos de concentração hitlerianos, onde tantos inocentes foram sacrificados e mortos barbaramente. Estive num desses campos e horrorizou-me só de ver os antigos instrumentos de sacrifício e extermínio. Lá se encontravam ainda os barracões com os fornos para onde foram lançados vivos os pobres prisioneiros e, num campo anexo, ainda se encontravam as forcas com as cordas pendentes, baloiçadas pelos ventos, a dar um testemunho macabro da ferocidade dos algozes.
         E os cristãos que, na Guerra de Espanha, perderam a vida às ordens de Moscovo! E as perseguições aos católicos, no México!...
         E a guerra de África, onde tantos dos nossos soldados ficaram, vítimas de ataques da guerrilha nas matas!...
Que o século XXI não seja um Século de novas revoluções internas e guerras atrozes! Que, de facto, a Paz seja um bem que a todos chegue e não mais se afaste!
Que a guerra se acabe na Terra, e que haja a Paz de Cristo Redentor!

 Dia de Santo Cristo, 2017.

 Ermelindo Ávila

segunda-feira, 22 de maio de 2017

EVOLUÇÃO SOCIAL

NOTAS DO MEU CANTINHO

Nem tudo, por estas bandas, são atrasos. Felizmente que assim acontece e que os povos respectivos das pequenas localidades, que beneficiam desse desenvolvimento, vão sendo capazes de promover o seu próprio progresso e bem-estar social.
         Refiro-me, particularmente, a certos subúrbios que conheço, desde quase a minha longínqua infância.
Outrora, eram pequenos aldeamentos, vivendo com dificuldades e até sem ligações sociais aos meios mais desenvolvidos ou urbanos, pois nem meios de comunicação capazes – estradas que permitissem o meio de transporte motorizado - possuíam. Conheci, na minha infância, num desses aglomerados, um pequeno estabelecimento onde se transaccionavam alguns géneros, trocando-os por produtos da terra: milho, feijão, batatas, cebolas e alhos, ovos de galinha e pouco mais.
Deslocavam-se pelos próprios meios, percorrendo velhos atalhos ou caminhos de calçada romana, a quilómetros de distância. Para o seu serviço interno possuíam carros tirados a bois somente. Não havia sequer motos ou bicicletas. Felizmente que hoje é diferente, muito diferente mesmo. Enquanto certos meios urbanos se quedaram num pacifismo atrofiante, por razões diversas, alguns meios rurais caminharam, afoitamente, para um futuro promissor e socialmente desenvolvido.
Logo que puderam dispor de estradas - calcetadas ou asfaltadas - melhoraram os seus caminhos e adquiriram meios de tracção motorizada, para sua deslocação e máquinas para trabalhos de campo.
O pequeno lugar, a que especialmente me refiro, construiu um templo religioso, que possui no frontispício um bom relógio público para orientação da população.
         Actualmente detém um dos melhores salões multiusos da ilha, onde fazem os seus encontros, bailes e refeições comunitárias.
Os alunos passaram a frequentar as escolas secundárias e até universitárias. Juventude, assim preparada, vai encontrando melhores colocações profissionais.
Foi sempre, como é natural, uma terra de emigração. Os seus filhos, em terras de imigração, deram sempre excelentes provas de civismo, dedicação ao trabalho, interesse pela vida dos meios onde se fixaram. Basta ter presente a acção heróica de “John (Portugee) Phillips”, o Manuel Filipe, (nome de Baptismo), que em terras Americanas se tornou herói nacional pela sua acção corajosa na defesa contra os índios que habitavam (e alguns ainda habitam) os Estados Unidos da América. O Manuel Filipe nasceu a 28 de Abril de 1832 e foi baptizado em 3 de Maio (faria hoje, data deste escrito, 185 anos). É pena que não seja recordado na sua terra Natal.
Mas, naturais da mesma localidade, outros emigrantes se hão distinguido, ocupando nos Serviços Estatais, posições de relevo.
Estou a referir-me ao lugar das Terras, subúrbio da Vila das Lajes que, no corrente ano, está a celebrar as suas tradicionais festas quinquenárias em louvor do Divino Espírito Santo, reunindo familiares e amigos em número de algumas centenas.
É este lugar de poucas centenas de habitantes, que em 1883 tinha 194 habitantes e só um marido ausente, precisamente o de Filipa de Jesus.

Lajes do Pico,
3 de Maio de 2017
Ermelindo Ávila