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sábado, 16 de setembro de 2017

DE NOVO, O TURISMO

Notas do meu cantinho

Trata-se, afinal, de um assunto que está na “ORDEM DO DIA”. Interessa dele falar porque nessa actividade se encontra, presentemente, a base da economia local, uma vez que outras actividades económicas não existem por cá, nem se descobrem iniciativas para as instalar, que não deixa de ser uma mazela perniciosa para o progresso e desenvolvimento desta terra, que já foi uma das mais progressivas desta ilha açorianas,
O “Posto de Turismo” foi há anos, nem sei há quantos, instalado no antigo forte de Santa Catarina, imóvel declarado oficialmente de “Interesse Público”. No qual se fizeram algumas adaptações, embora as menos aconselháveis. Desapareceram algumas ameias do lado do Mar e conservou-se o forno, construído em 1885 para funcionar como forno da cal, que ali esteve instalado, colocando-se uma cúpula em plástico para desvio das águas das chuvas.
No actual “Posto de Turismo” funciona uma pequena livraria, quase toda de edição municipal ou com títulos patrocinados pela Câmara Municipal, o que não deixa de ser importante, já que não existe estabelecimento congénere no comércio local. 
Com a construção de um novo edifício na praça do Museu dos Baleeiros, é motivo para perguntar: o que vai acontecer ao antigo Castelo? Não será de preservá-lo, embora voltando um pouco à sua traça primitiva, e fornecendo aos visitantes um pequeno historial, que não será difícil de organizar?

         “No antigo posto de Santa Catarina, ao norte da Vila das Lajes, foi construído o castelo ou forte, em cumprimento da ordem régia que mandava edificar fortalezas em todas as ilhas, como precaução contra as invasões dos Exércitos de Napoleão. Decorria o ano de 1792. A Revolução Francesa havia acontecido em 1789. Estava iminente a invasão de Portugal pelos exércitos franceses.”[1]

É tempo de dar solução à construção iniciada. Os turistas vão aumentando e tem de haver alguém, convenientemente preparado, que os saiba orientar e conduzir na Vila das Lajes. Não é somente o whale whatching que interessa. A Vila, a mais antiga e de interesse turístico melhor aspecto arquitectónico e com variado tem de ser patente aos visitantes na sua realidade cultural e histórica.

Vila das Lajes, 7 de Agosto de 2017
Ermelindo Ávila



[1] ÁVILA, Ermelindo. FIGURAS & FACTOS (Notas Históricas), 1993

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

CONTINUANDO...

NOTAS DO MEU CANTINHO


          Julguei que não chegasse aqui e que ficasse pelo caminho já percorrido, mas quis o Senhor que, uma como tantas vezes, me enganasse. Bem? Mal? Que outros respondam.
          Há muito que penso nesta nota. Chegou o dia de a ela me referir nestas acolhedoras colunas. Refiro os canhões do Castelo.
          Conheci-os, durante muitos anos, a servirem de apoio no varar dos “lanchões”, quando esses batelões por cá existiram ao serviço dos barcos, “Funchal” (primeiro) e depois “Lima”, que vieram a ser substituídos pelos pequenos navios “Cedros” e “Anel” e mais tarde pelo “Ponta Delgada”.
          Como já escrevi anteriormente, no tempo da Revolução Francesa (1789), uma ordem régia determinou a construção de fortes ou castelos. Na Vila das Lajes o castelo foi construído no antigo forte de Santa Cataria, este construído por mandato régio de 15 de Maio de 1574.
          Em 1885, foi constituída uma “Sociedade do Forno da Cal” que se instalou na antiga fortaleza e nela construiu uma chaminé, que ainda lá se encontra, e que estava coberta com uma meia redoma de plástico, quando ali se instalou o “Posto de Turismo”, e que há muito se encontra partida.
          O castelo possuía uns pequenos canhões, nas sete ameias e duas vigias da pequena fortaleza.  Importa que para lá voltem e sejam recolocados. Como acima se refere, alguns esses pequenos canhões, foram trazidos para as imediações da entrada na Lagoa para servirem de apoio, outros desapareceram.
          No entanto, com a construções da Muralha de Defesa  construída após o ciclone de 1936, que derrubou o antigo muro de defesa e, mais tarde, com a construção da rampa de varagem, mais a Sul, os canhões deixaram de ser utilizados e também foram “arrumados”.
          Está a ser construído novo edifício para a instalação do Posto de Turismo, aliás há muito  reclamado, pois as instalações actuais, ficando “fora da vila“, de pouco serviam aos visitantes.
          Não conheço o projecto do novo Posto. Mas isso não importa. Interessa que o serviço de informação turística seja devidamente instalado, disponha de uma informação correcta e, consequentemente, preste um bom serviço a quem o procure, e seja, simultaneamente, um elemento positivo de propaganda da vila, seu concelho e da própria ilha, mormente entre os visitantes estrangeiros que, atraídos pelo Whale Watching, por aqui aparecem em razoável número.
          De facto é notório o número de visitantes que por aqui têm passado nos últimos anos, mas sabe-se da incompreensível concorrência que, às empresas locais, estão a fazer, com instalações em outras ilhas onde a actividade baleeira nunca foi praticada ou, se experimentada, foi de efémera existência.
          Não sei qual o destino que vai ser dado às instalações do antigo forte, um edifício classificado como imóvel de interesse público. Seja qual for, importa que se dignifique o único imóvel de natureza militar existente na ilha do Pico e que constitui um apreciável elemento da nossa história, bastante prejudicada que é por falta de sinais que, incompreensivelmente, desapareceram. E que para ele voltem os canhões, onde quer que se encontrem... E recordo aqui, não a forca de tétrica existência, mas o pelourinho que podia ter sido conservado, como em outras terras aconteceu.
          De monumentos antigos restam, quase extramuros, o convento franciscano, o maior edifício existente na ilha do Pico e que data, a primeira fase, de 1691; e a ermida de São Pedro, a primeira paroquial da ilha, e que foi construída pelos primeiros povoadores, por volta de 1460, também esta classificada como imóvel de interesse público. Falta, porém, repor a placa que lá existia, bem como colocar uma no edifício do antigo convento. São elementos indispensáveis para a sua completa identificação.
          Pequenos sinais que registam a história lajense, já que outros desapareceram com o camartelo da ignorância.


Vila das Lajes, Pico,
6 de Janeiro de 2016

Ermelindo  Ávila