terça-feira, 11 de julho de 2017

COOPERATIVAS

 NOTAS DO MEU CANTINHO
                                               
         Em anos passados, conheci algumas do género de mercearia, a funcionar nesta ilha. Uma delas, na Calheta de Nesquim, desempenhou, durante alguns anos, uma actividade muito proveitosa, não só para os seus associados, mas sobretudo para os faialenses, picoenses, jorgenses e terceirenses, com as carreiras semanais no verão, da lancha “Calheta”, construída em Sto Amaro, em 1925, e que está a terminar seus dias no varadouro da Madalena, desde 1996. E que óptimos serviços prestou! Foi a primeira embarcação motorizada a fazer, semanalmente, a carreira entre as ditas ilhas. Depois, por razões que desconheço, foi vendida a um armador da Horta, que, um ano depois, a vendeu à Empresa Açoriana de Navegação e Pescas, Lda. Foi considerada a “Rainha das Lanchas” no dizer de Amílcar Goulart. (1)
A “Calheta” foi construída para fazer viagens, na época estival, entre as ilhas do grupo central – Faial, Pico, São Jorge e Terceira. Inicialmente, que me lembre, chegava ao porto de Angra, todas as semanas. Era uma alegria ver o facho do Monte Brasil dar sinal de embarcação, vinda de S. Jorge e a encaminhar-se para baía. No pátio da Alfândega aguardávamos, com ansiedade, a chegada ao cais e lá íamos saber, junto da tripulação, notícias do Pico. Uma tripulação simpática que conhecíamos de há muito: Mestre José Goulart, maquinista Alziro, que depois foi para S.ta Maria como faroleiro, e os tripulantes João da Antonica, dos Fetais, José Trindade, da Calheta e Francisco Homem, de Santa Cruz das Ribeiras. Simpáticos e serviçais que eles eram. (2)         
         A Cooperativa Calhetense de Navegação e Pescas, exerceu a sua actividade, além da exploração do tráfego marítimo, no comércio de fazendas, materiais de construção civil e mercearias.
A “Espalamaca”, a mais emblemática “lancha do Canal”, denominava-se, primitivamente, “Maria Utília”. Não passava de uma canoa motorizada, construída nas Velas, em 1919, com 9,70 m de comprimento. Renovada em 1944, passou a ter 13,44 metros de comprimento. Beneficiou de três modificações, a última em 1976, e depois de estar vários anos abandonada no varadouro da Madalena, é agora restaurada nos estaleiros de Sto Amaro. Inicialmente, (em 1949) tinha 14,57m de comprimento e, actualmente, o seu comprimento é de 17,46 m.            
         E voltamos à “Calheta” para deixar a pergunta: Porque não é restaurada, tal como foi a “Espalamaca”?
         Nas Lajes, além de outras que ainda existem - houve duas cooperativas, cada uma delas a explorar o comércio de mercearia. Uma outra existiu em Santa Cruz das Ribeiras. Mais próximo houve cooperativas de lacticínios na Ribeirinha e na Almagreira.
É pena que as cooperativas não tenham uma organização mais sólida, promovendo um comércio de produtos que só beneficiaria os seus associados e contribuiria para a consolidação dos preços dos géneros.
Verdade seja que estamos a atravessar um período de grande carestia.
No entanto, é de realçar a actividade dos super e hipermercados, com uma estabilização de preços aceitável, embora não deixem de aparecer, em determinadas épocas, géneros de elevado custo o que representa um sério agravamento da modesta economia das famílias picoenses.
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1)   Quaresma, Goulart, “Maresias”, III volume
2)    Ibidem
Lajes do Pico,
1-7-2017

Ermelindo Ávila

domingo, 25 de junho de 2017

ALIMENTAÇÃO

Notas do meu cantinho
                                     

         No decorrer dos tempos, o homem tem “inventado” e beneficiado de diversos sistemas de alimentação. Bem diferente era aquele que os povoadores consigo trouxeram para estas ilhas, pois ”Neste período bucólico, duma simplicidade bíblica, (…) viveram uma página tocante: procurando soluções, improvisando, suprindo tudo quanto o isolamento lhes negava.
         À falta de forno, cozeram na laje o pão rudimentar das suas refeições frugais, e mais tarde o bôlo (…) assavam a carne no borralho, o funcho substituiu a hortaliça, que ainda não houvera tempo de cultivar, ou de que faltavam sementes, uso que ainda subsiste, pôsto que, raramente, inventaram molhos, gratos ao paladar, para suprir a falta do azeite de oliveira, tardia em frutos, costume que perdura, pois só recentemente se começou a tentar a sua cultura.” (1)
         E durante largos anos, talvez séculos, os molhos subsistiram, temperando os cozinhados e tornando-os mais agradáveis. É o caso do molho fervido e do molho cru, como são conhecidos na cozinha rural. E que agradáveis que eles são.
         Quando o peixe era quase só o elemento principal da alimentação, os molhos caseiros davam-lhe um paladar muito especial e agradável, como ainda hoje acontece em muitas cozinhas das nossas gentes.
         Verdade que, com os modernos sistemas, com os cozinheiros diplomados em escolas especializadas, com a migração que se nota de terra para terra, a cozinha açoriana sofreu ou beneficiou, no século passado, de grande desenvolvimento, pondo-se de parte alguns sistemas alimentares para os substituir por outros mais utlizados. Melhor? Pior? Só cada um saberá responder.
         Em tempos passados, o peixe era o suporte principal da alimentação. A generalidade das famílias açorianas só adquiria carne pelas festas litúrgicas principais: Natal, Páscoa, Espírito Santo, e pouco mais. E o prato forte era a “caçoilha”. A galinha só era utilizada nas festas familiares, principalmente casamentos e baptizados.
         Todavia um prato especial e insubstituível são as “Sopas do Espirito Santo”. Simples mas apetitosas, não há quem as não aprecie. E é ver, nesta época que findou, os milhares de convivas que se sentam às mesas dos “Mordomos” para saborear as sopas acompanhadas da carne cozida, sem outros quaisquer ingredientes. E, como complemento, a carne assada. E já não se dispensa o “arroz doce”.
         Hoje os doces são muito variados. Há-os de todas as qualidades,  com melhor ou menor paladar. Não faltam os pudins, os bolos doces, outros mais.
         No entanto, o peixe, como disse, era a base da alimentação da maioria das pessoas. Nas épocas próprias, adquiria-se o chicharro e o bonito, para a salga. Secos ao sol, eram guardados em recipientes próprios para serem usados no Inverno. Mas, durante o ano não faltava o peixe fresco, a menos que o mar embravecido não permitisse aos pescadores fazer as suas pescas de cavala, serra, garoupa, abrótea, goraz, e outras mais espécies. Todos os dias, pescadores certos chegavam aos pequenos portos com peixe fresco e não faltavam compradores, ou arrematantes do “dízimo” cobrado pelo Guarda-Fiscal. E se o mar não permitia a saída dos portos, nas pequenas lagoas interiores, onde se recolhiam espécies piscícolas, em cardume, “deitava-se a rede” ou “enchelavar”, ou junto à costa as “tarrafas”, e assim quase nunca faltava o peixe para a maioria da população.
         Hoje, com a regulamentação da pesca, medidas que por vezes são anacrónicas, desapareceu o peixe dos portos, para ser arrecadado na “Lota”, um sistema nada benéfico e que causa prejuízo e mal-estar a pescadores e consumidores. Já era tempo, pela experiência sofrida, de alterar o moderno sistema.
         Com a modernização da cozinha açoriana, e a introdução dos sistemas modernos de congelação, já não há o conhecido “peixe seco”. Com ele desapareceu o “molho fervido”, como igualmente quase não se usa o molho cru só servido com o peixe fresco.
         E mais longe podia ir…
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11)     Machado, F.S. de Lacerda, “História do Concelho das Lages”, 1936, pág.78
Lajes do Pico
17.Junho.2017

Ermelindo Ávila

Padre José Carlos

Notas do meu cantinho

                                      

         O Pe. José Carlos Vieira Simplício já estava sepultado no Cemitério municipal desta Vila, vítima de doença incurável, quando me deram a notícia do seu falecimento, na cidade de Angra, onde se encontrava há anos. Senti profundamente a sua morte, pois éramos amigos de longa data. Sempre acompanhei a sua acidentada vida por Timor, pelos Estados Unidos da América – Califórnia, e por algumas ilhas dos Açores e, agora, na dolorosa doença que, naturalmente, o levou.
         José Carlos foi um dos primeiros alunos do externato liceal de D. Olga Soares, desta Vila e primeiro Director do seu jornal “Estímulo”. Entretanto iniciou cedo a sua colaboração em “O Dever”.
Aos quinze anos publica os seus primeiros versos: “Murmúrios dos meus quinze anos”. O Poeta faialense Osório Goulart, em “Duas palavras” de apresentação, escreve: “José Carlos, esperançoso poeta em embrião incipiente cultor das letras, vai, como a flor desabrochante se inclina para o sol, inclinar-se naturalmente para a luz emotiva da inspiração com que as Musas o abraçam e acarinham nos murmúrios dos seus primeiros versos”. E não se enganou o consagrado poeta faialense.
         Não publicou muitos livros mas sim, boa e inspirada poesia. E recordo a Cantata Mariana que escreveu e o Maestro Emílio Porto musicou para o Grupo Coral das Lajes e que tanto êxito alcançou. De assinalar ainda “Os Maiores Dias da Vila da Madalena”, Notas de reportagem, que escreveu e publicou aquando da celebração do duplo centenário do culto e do povoamento da ilha. No entanto o trabalho de maior fôlego foi, creio, “Padres da Ilha do Pico”, do qual publicou, em 1976, o primeiro volume. Afirmou-me diversas vezes que o segundo volume estava pronto, mas nunca chegou a ser publicado. Julgo que está, inédito, em algum dos seus “caixotes”…
         Um outro interessante trabalho é “Daqui Houve Missionários até aos Confins do Mundo”, publicado no ano jubilar de 2000 e no qual o erudito Autor escreve: “A verdadeira abertura, ou melhor, o Pórtico destas páginas são os três parágrafos que destacámos da Mensagem do nosso bispo D. António de Sousa Braga, para o Jubileu Missionário Diocesano celebrado na ilha do Pico.
         Por oferta do notável investigador histórico, possuo todos os seus livros, com dedicatórias amigas que guardo religiosamente recordando esse ilustre Sacerdote que sempre quis ser Padre e que desenvolveu, em todas as terras por onde andou - Timor, Califórnia e algumas Ilhas dos Açores - uma actividade cultural, e sacerdotal invulgar.
         Devo-lhe uma amizade leal e sincera desde o primeiro ano do Ensino Secundário, quando principiou a frequentar o primeiro Externato desta Vila. Não o esquecerei jamais até que o Senhor me chame. Mas não podia, neste momento doloroso, deixar de aqui registar singelas palavras de homenagem, de reconhecimento e de gratidão à sua veneranda memória. 
         O P. José Carlos amou sempre a sua terra, a Almagreira. Subúrbio desta vila. A respectiva ermida mereceu-lhe sempre um carinho muito afectuoso e bastante contribuiu para o seu restauro e modernização. A ele se fica a dever a instituição da Festa da Titular, Rainha Santa Izabel, e, para ela, procurava trazer oradores distintos.
         Nos últimos anos sofreu males físicos que muito o atormentaram e inutilizaram intelectualmente. Como atrás disse, há anos que, em razão dessas enfermidades, estava recolhido na casa de Saúde de Angra. E ali faleceu antes de atingir os oitenta anos de idade (4 de Agosto de 1937). Há quase dois anos ocorreu o cinquentenário da celebração da sua primeira Missa. Não sei se alguém o recordou, pois o P. José Carlos já se encontrava um enfermo… Veio ser sepultado no cemitério desta vila não sei se por sua determinação se por deferência da entidade testamentária. Mas fica bem junto dos seus…
         Que o Senhor o haja recebido em seu Reino, pois a memória do saudoso Amigo, sacerdote distinto, investigador histórico, poeta e escritor invulgar será recordada por anos largos.
Requiescat in pace!  
 Vila das Lajes, 10 de Junho de 2017

Ermelindo Ávila



quinta-feira, 8 de junho de 2017

A PROPÓSITO DO CENTENÁRIO DE “O DEVER”

Notas do meu cantinho


         Quando “O Dever” iniciou as comemorações do centenário, em 2 de Junho de 2016, tive oportunidade de fazer o seu pequeno historial. Não vou repeti-lo. Isso seria fastidioso.
         Limito-me a falar dos jornais picoenses, que alguns foram, hoje representados, além deste semanário, pelo “Ilha Maior”, que já ultrapassou vinte e oito anos e pelo “Jornal do Pico”, com doze anos de existência: Vidas fulgurantes que não deixam de honrar a Imprensa açoriana, aliás bastante decaída, excepção feita à ilha de São Miguel, com três diários, um deles, o “Diário dos Açores” quase tricinquentenário.
         Angra perdeu há poucos anos o seu centenário “A União”, que encerrou ingloriamente. O mesmo aconteceu na Horta com o centenário “O Telégrafo” e, logo depois, com o já idoso “Correio da Horta”, que havia sucedido à velha “Democracia”.
         Centenário é já a “Crença”, de Vila Franca do Campo, fundada pelo Mestre Pe. Ernesto Ferreira, e que, presentemente, é propriedade da Igreja Paroquial. Tal como acontece agora com o “O Dever”.
         O século XIX foi fértil na publicação de jornais, quase todos de feição política. É de fazer excepção aos fundados pelo Pe. Nunes da Rosa, ouvidor da Madalena, Pároco das Bandeiras e escritor-contista emérito. Em Janeiro de 1899, fundou “A Voz” e logo depois “A Ordem”. Mais tarde, em 1918, “Sinos de Aldeia” que cheguei a conhecer mas que, por sua morte desapareceu quando, afinal, por sua vontade, devia ter ficado na Biblioteca da Câmara Municipal da Madalena, que ele desejou se fundasse e onde fosse igualmente recolhida a sua pequena biblioteca. Dou disso testemunho...
         Em São Mateus, existiu o “Cartão de Visita”, fundado e dirigido pelo professor J. I. Garcia de Lemos. Tão diminuto como, realmente, um cartão de visita, nele encontrava-se porém o artigo de fundo, as notícias e até os pequenos anúncios.
         Não deixo de fazer referência a dois boletins paroquiais, que, além das notícias das respectivas Paróquias, alargavam a sua  informação para as notícias e interesses das sua freguesias. Refiro o “Ecos do Santuário” que o Pe. Filipe Madruga criou e manteve, enquanto paroquiou na freguesia de São Mateus, e o “Bom Combate” que Monsenhor José Fortuna também publicou, na Paróquia da vila da Madalena, enquanto ali foi Pároco. Com o falecimento do Pe. Filipe e a transferência para a Matriz da Horta do Pe. Fortuna, que ali foi levado à dignidade de Monsenhor, desapareceram os dois periódicos que, como se disse, eram mais do que simples boletins.
         No século XX, alguns párocos sentiram a necessidade de levar a casa dos seus paroquianos, dado que alguns não eram habituais frequentadores dos actos religiosos, as notícias paroquiais, criando para isso pequenos boletins policopiados, como foi o caso, dentre outros, do “Peregrino” do Pe. Tomás Cardoso e, depois, do Pe. Luciano Oliveira. (Este chegou a ser impresso quando o Pe. Luciano Oliveira sucedeu ao Pe. Tomás Cardoso, como vigário da Vila de S. Roque). Publicaram ainda boletins paroquiais o Pe. António Cardoso, na vila das Lajes, o Pe. Norberto, em Santa Cruz das Ribeiras, e o Pe. João Domingos, na Ribeirinha, e talvez outros mais. Voltar a esse artesanal sistema será um erro de resultados negativos.
         A igreja açoriana, como atrás referi, acabou com alguns jornais, entre eles, o centenário “A União” e o “Correio da Horta”, e passou a utilizar um portal de notícias na “Internet” a que a maioria das pessoas, não entende nem tem acesso. Simplesmente um erro de administração, que tarde talvez será corrigido.
         Os jornais picoenses prestam aos respectivos Municípios excelente serviço pondo-os, semanalmente, em contacto com os cidadãos. Resta, pois, aos órgãos autárquicos ter em atenção essa circunstância e ajudar, substancialmente, a sua manutenção. Demais, nenhum dos três jornais picoenses é órgão de qualquer partido político, que se saiba, como acontecia aos periódicos do século XIX, razão pela qual, volto a referir, alguns desses pequenos jornais tiveram vida efémera.                                                              
         Um jornal com cem anos de existência, como é o caso de “O Dever”, não pode nem deve terminar. É um Património rico de história, valorizante da terra que o deve manter a todo o custo.

Vila das Lajes,
 22 de Maio de 2017.
 Ermelindo Ávila


AS FESTAS DO SENHOR

NOTAS DO MEU CANTINHO


         Os micaelenses, e com eles os açorianos em geral, estão a celebrar as festas em honra de Santo Cristo Milagroso. Festas centenárias, elas vivem na alma dos católicos açorianos que, em horas de amargo sofrer, muitos deles se voltam para o Santuário que alberga a Veneranda Imagem, a implorar graças, as mais diversas.
         E isso vem de há séculos.
         Recordo que uma das minhas bisavós que ainda conheci na minha infância, tinha à cabeceira da sua cama, como era habitual em muitas famílias, um quadro com a fotografia da Imagem de Santo Cristo que venerava com muita devoção. E em muitas casas, ao menos aqui no Pico, isso acontecia. Tanto assim que Imagens de Santo Cristo existem em diversas igrejas da Ilha do Pico. Conheço algumas, embora com títulos diferentes: Bom Jesus, em São Mateus, Calheta, e Criação Velha; Santo Cristo, num dos subúrbios da vila da Madalena; Senhor Jesus, na vila das Lajes e Santa Cruz das Ribeiras, e, naturalmente, outras mais, sob as mais diversas invocações.
         Assisti, pela primeira vez, às festas em louvor de Santo Cristo dos Milagres na década de sessenta, do século passado. Era, então, funcionário da Câmara Municipal da Madalena e fui representar o Município levando o respectivo estandarte, a convite da Comissão da Irmandade. Das Lajes foi meu falecido irmão Gabriel, e da Horta António Simões, então vereadores dos respectivos Municípios. Estes me lembro. Recebidos por um membro da Comissão, trataram-nos fidalgamente e ofereceram-nos, na segunda-feira, um agradável passeio às Furnas, com entrada de automóvel, no respectivo Parque, uma excepção que causou surpresa a alguns amigos que tínhamos na Ilha, pois tal deferência não era vulgar.
         Mais tarde voltei a assistir à grandiosa festa, precisamente no ano em que se iniciou a celebração de Missa Campal, no adro da Igreja do Santuário. Pela experiência anterior não me atrevi a tomar parte na longa e demorada Procissão que, na realidade, é um autêntico acto de penitência, único nos Açores, embora se possa considerar um duplo cortejo religioso e cívico. Isto sem ferir, por mínimo que seja, o espírito cristão do povo da Ilha do Arcanjo.
         Não assistirei novamente às solenidades em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres. A idade já não permite. Limitei-me a admirar, pelas reportagens da TV, as feéricas e esplêndidas iluminações, principalmente do frontispício da Igreja, que outras iguais não se fazem nas diversas ilhas açorianas, nem a grandiosa procissão com a Veneranda Imagem do Senhor a percorrer o secular itinerário de há séculos. E, enquanto o Senhor permitir...
         Nas diversas ilhas açorianas as festas religiosas, realizadas em muitas paróquias, são sempre as maiores. Há diversões variadas, durante vários dias, como acontece por cá com a “Semana dos Baleeiros” integrada na Festa de Nossa Senhora de Lourdes, sem dúvida das maiores da Ilha, ou da “Maré de Agosto”, em Santa Maria, da “Semana do Mar”, na Horta, ou das “Sanjoaninas” em Angra, para só estas referir, pois outras mais há actualmente. E quase todas, senão todas, estão ligadas a tradicionais solenidades religiosas. Verdadeiras provas da tradicional religiosidade do povo açoriano, bem expressas também nas festas – Coroações e Impérios – em louvor da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade – o Divino Espírito Santo -, que estão a ocorrer nesta altura do ano.
         Os actos de penitência, por vezes bem dolorosos, que nestes dias se praticam no Santuário da Esperança, em Ponta Delgada e seus arredores, são uma extraordinária manifestação de fé e de espírito religioso dos açorianos, vivam em São Miguel, nas demais ilhas açorianas ou até mesmo na Diáspora.
         Que o Filho de Deus, Cristo Redentor, atenda os pedidos das almas carentes e a todos ajude e proteja, em suas necessidades espirituais e materiais.
        
Lajes do Pico.
14 – Maio – 2017

Ermelindo Ávila

“O DEVER” E O SEU FUNDADOR

NOTAS DO MEU CANTINHO
                                  
            Nestes dias em que se comemora os cem anos de existência do semanário “O Dever” não é possível falar do jornal sem se recordar a memória saudosa do seu fundador, Pe. João Vieira XAVIER MADRUGA.
            Tão ligados estiveram enquanto o Pe. Madruga foi vivo, que não é fácil ignorar a sua existência e o que foi para o jornal que fundou, dirigiu e manteve com entusiasmo, dedicação e sacrifício.
            Sacrifício, porque era quase só o redactor. Escrevia o editorial, a crónica, o noticiário. Fazia a revisão e orientava a paginação. Afinal, era o director, o redactor, orientador da composição e o mais que necessário era. Todas as suas economias iam para o jornal, uma vez que os assinantes ou não pagavam, ou a assinatura era insuficiente para as despesas do ordenado do tipógrafo, da compra do papel e tinta e o mais necessário.
            Como uma parte da tipografia ficasse atrás aquando da transferência do jornal para esta vila das Lajes, uma vez nos Estados Unidos, lá adquiriu uma Minerva e uma guilhotina para que se pudessem executar na tipografia, além do jornal, outros trabalhos tipográficos.
            O P. Madruga era um jornalista distinto, dos mais distintos de Portugal. “O Dever” foi considerado, na opinião do Conselheiro Fernando de Sousa, director da “Voz”, o melhor Semanário Português.
            Todos os dias o Pe. Xavier Madruga vivia para o jornal. Tinha um sistema de vida extraordinário. Celebrava Missa muito cedo, mesmo quando estava recolhido a casa, pois havia conseguido, da Santa Sé, autorização para celebrar na sua residência, almoçava normalmente e ficava no seu pequeno escritório, lendo os jornais que lhe chegavam de todas as ilhas e alguns do continente, por permuta, escrevia o editorial (ou fundo), o seu “Cá e Lá” nota crítica dos acontecimentos nacionais e internacionais, as notícias que lhe levavam, e os artigos de interesse local. A ele se deve o reinício das obras da igreja Matriz, suspensas com a proclamação da República, a construção e o calcetamento da Estrada Lajes – Piedade, a muralha de defesa das Lajes e tantos outros mais que é fastidioso estar a lembrar.
            Quando as forças o foram abandonando, preferiu transferir o jornal para a Paróquia, no desejo bem firme de lhe dar continuidade.
            “O Dever” foi o jornal onde muitos jovens principiaram as suas actividades jornalísticas. Recordo alguns: Dr. Manuel Rocha, Samuel Amorim, Dr. Fernando Maciel, Pe. José Carlos, José Gabriel, além de diversos alunos e ex-alunos do Seminário de Angra, e outros do Liceu da Horta ou do externato das Lajes do Pico, pois a todos acolhia com estima e ajudava-os a ingressarem na actividade.
            Ao terminar o curso do Seminário, o P. Xavier Madruga foi nomeado professor e prefeito do mesmo instituto. Entretanto, e a pedido de Mons. Ferreira, mantinha assídua colaboração no “Peregrino de Lourdes”.
            Por ocasião do seu falecimento, em 30 de Março de 1971, escreveu o “Boletim Eclesiástico”: ”Além da cura de Almas que exerceu com proficiência, dedicou-se às lides jornalísticas, fundando o jornal semanário “O Dever” que dirigiu na qualidade de Director, durante 53 anos. Salientou-se pela sua dedicação e consagração à Igreja e, sem respeito humano, propagou sempre a verdade duma forma clara e integérrima. O seu estilo fluente e acessível proporcionou aos seus leitores uma leitura agradável e proveitosa. Prestou sem dúvida um relevante serviço à Igreja e honrou a Diocese de Angra ao longo da sua vivência sacerdotal.”
            Aquando da ocorrência do centenário do nascimento do P. João Xavier Madruga, o então Bispo da Diocese de Angra, D. Aurélio Granada Escudeiro, escreveu no “Boletim Eclesiástico”: “Vejo nele (P. Xavier Madruga) o sacerdote culto, zeloso e persistente em seu múnus pastoral, utilizando os meios ao seu alcance.
            Entre estes meios esteve “O Dever”, folha pequena, despretensiosa e sem especial apresentação, iniciada em S. Jorge, onde então paroquiava o Pe. Xavier Madruga, transferida mais tarde pelo seu director e proprietário, para as Lajes.
            Cresceu depois, alargou o seu âmbito, sendo hoje “O Dever conceituado órgão de imprensa regional, nomeadamente do Pico. (…) Sirva o exemplo do Pe. Xavier Madruga de conforto e estímulo a quantos, limitados em meios, desejarem alargar sua acção e levar a todos uma palavra de luz e um aceno de amor fecundo (…) Aproveitarei esta oportunidade – recordando o encontro que tive, há anos com o Pe. Madruga nas Lajes – para sublinhar os bons serviços prestados por ele e por toda uma plêiade de sacerdotes nascidos nestas ilhas.
            Aquando da celebração das “Bodas de Ouro sacerdotais, em 5 de Novembro de 1955, que tiveram a presença do Cardeal Dom José da Costa Nunes, seu amigo ex-corde a Câmara Municipal homenageou o P. Xavier Madruga, descerrando uma placa, na rua onde nasceu e sempre viveu, com a denominação de Rua Pe. Xavier Madruga.
            Como já anteriormente escrevi, é pouco. Algo mais importa fazer.
            Lajes do Pico
            30 de Maio de 2017

            Ermelindo Ávila

O SÉCULO PASSADO...

A minha nota


         Chamaram ao século XX o Século das Luzes. Realmente, foi um dos períodos mais brilhantes da História Mundial.
         O Homem do século passado beneficiou de uma transformação social, cultural e económica que até ali desconhecia.
         Surgiu o petróleo e, depois, a electricidade. E veio, a seguir a rádio, a televisão, a aviação e um sem número de descobertas científicas e culturais até então impensáveis. E de todas essas descobertas e invenções o homem foi o grande beneficiário. Mas, mesmo assim, não evitou as duas grandes guerras mundiais, nem as revoluções internas: a Rússia, o México, a Espanha, e outras mais, de que ainda hoje sofre os efeitos tremendos que essas convulsões trouxeram.  
         Olhar para trás, após dezassete anos de outro século, é sentir arrepios e pensar como foi e, afinal, continua o ser humano a sofrer tamanhos malefícios, depois de vultuosas descobertas científicas.
Prosseguem as revoluções fratricidas, principalmente no continente africano. Vários povos estão a sofrer perseguições e para delas se afastarem, fogem aos milhares para os países europeus que nem sempre os acolhem carinhosamente, deixando atrás empregos e bens pessoais e outros membros da família. São bastantes e mortíferas as tragédias marítimas pois, tomando qualquer meio de transporte, muitas vezes os refugiados são vítimas de naufrágios fatais.
Ninguém esquece o que foi a primeira guerra mundial, na qual Portugal tomou parte, com perdas irreparáveis da nossa juventude; nem a guerra dos campos de concentração hitlerianos, onde tantos inocentes foram sacrificados e mortos barbaramente. Estive num desses campos e horrorizou-me só de ver os antigos instrumentos de sacrifício e extermínio. Lá se encontravam ainda os barracões com os fornos para onde foram lançados vivos os pobres prisioneiros e, num campo anexo, ainda se encontravam as forcas com as cordas pendentes, baloiçadas pelos ventos, a dar um testemunho macabro da ferocidade dos algozes.
         E os cristãos que, na Guerra de Espanha, perderam a vida às ordens de Moscovo! E as perseguições aos católicos, no México!...
         E a guerra de África, onde tantos dos nossos soldados ficaram, vítimas de ataques da guerrilha nas matas!...
Que o século XXI não seja um Século de novas revoluções internas e guerras atrozes! Que, de facto, a Paz seja um bem que a todos chegue e não mais se afaste!
Que a guerra se acabe na Terra, e que haja a Paz de Cristo Redentor!

 Dia de Santo Cristo, 2017.

 Ermelindo Ávila

segunda-feira, 22 de maio de 2017

EVOLUÇÃO SOCIAL

NOTAS DO MEU CANTINHO

Nem tudo, por estas bandas, são atrasos. Felizmente que assim acontece e que os povos respectivos das pequenas localidades, que beneficiam desse desenvolvimento, vão sendo capazes de promover o seu próprio progresso e bem-estar social.
         Refiro-me, particularmente, a certos subúrbios que conheço, desde quase a minha longínqua infância.
Outrora, eram pequenos aldeamentos, vivendo com dificuldades e até sem ligações sociais aos meios mais desenvolvidos ou urbanos, pois nem meios de comunicação capazes – estradas que permitissem o meio de transporte motorizado - possuíam. Conheci, na minha infância, num desses aglomerados, um pequeno estabelecimento onde se transaccionavam alguns géneros, trocando-os por produtos da terra: milho, feijão, batatas, cebolas e alhos, ovos de galinha e pouco mais.
Deslocavam-se pelos próprios meios, percorrendo velhos atalhos ou caminhos de calçada romana, a quilómetros de distância. Para o seu serviço interno possuíam carros tirados a bois somente. Não havia sequer motos ou bicicletas. Felizmente que hoje é diferente, muito diferente mesmo. Enquanto certos meios urbanos se quedaram num pacifismo atrofiante, por razões diversas, alguns meios rurais caminharam, afoitamente, para um futuro promissor e socialmente desenvolvido.
Logo que puderam dispor de estradas - calcetadas ou asfaltadas - melhoraram os seus caminhos e adquiriram meios de tracção motorizada, para sua deslocação e máquinas para trabalhos de campo.
O pequeno lugar, a que especialmente me refiro, construiu um templo religioso, que possui no frontispício um bom relógio público para orientação da população.
         Actualmente detém um dos melhores salões multiusos da ilha, onde fazem os seus encontros, bailes e refeições comunitárias.
Os alunos passaram a frequentar as escolas secundárias e até universitárias. Juventude, assim preparada, vai encontrando melhores colocações profissionais.
Foi sempre, como é natural, uma terra de emigração. Os seus filhos, em terras de imigração, deram sempre excelentes provas de civismo, dedicação ao trabalho, interesse pela vida dos meios onde se fixaram. Basta ter presente a acção heróica de “John (Portugee) Phillips”, o Manuel Filipe, (nome de Baptismo), que em terras Americanas se tornou herói nacional pela sua acção corajosa na defesa contra os índios que habitavam (e alguns ainda habitam) os Estados Unidos da América. O Manuel Filipe nasceu a 28 de Abril de 1832 e foi baptizado em 3 de Maio (faria hoje, data deste escrito, 185 anos). É pena que não seja recordado na sua terra Natal.
Mas, naturais da mesma localidade, outros emigrantes se hão distinguido, ocupando nos Serviços Estatais, posições de relevo.
Estou a referir-me ao lugar das Terras, subúrbio da Vila das Lajes que, no corrente ano, está a celebrar as suas tradicionais festas quinquenárias em louvor do Divino Espírito Santo, reunindo familiares e amigos em número de algumas centenas.
É este lugar de poucas centenas de habitantes, que em 1883 tinha 194 habitantes e só um marido ausente, precisamente o de Filipa de Jesus.

Lajes do Pico,
3 de Maio de 2017
Ermelindo Ávila


A BALEAÇÃO

A MINHA NOTA

         A pouco e pouco, com o rodar dos tempos, vão desaparecendo os velhos baleeiros picoenses.
         Aqui há semanas os jornais noticiaram a partida do Mestre Barbeiro e, pouco depois, do José Lourenço, de Santa Cruz das Ribeiras.
         Desapareçam dois grandes homens que a sua vida dedicaram, afanosamente, à arriscada faina de caçar o monstro marinho. E não sei se outros mais ainda restam. Eles vão desaparecendo tal como ingloriamente aconteceu com a baleação, por um imperativo legal que, ainda hoje mal se compreende. Proteger uma espécie marinha é privar o homem de usufruir os bens da Natureza que Deus lhes deixou.  E é mais do que certo que a Natureza com seus seres está ao serviço do homem e foi criada para seu sustento. O homem deixa de ser, dest’arte, o chamado rei da Natureza para ser um seu fiel servo.
         Foram, a pouco e pouco, desaparecendo os baleeiros. Uns partiram para o Pai, outros emigraram, e a honrosa classe deixou, abruptamente, de existir. Infelizmente.
         Extinguiu-se a actividade desde o já distante ano de 1987, há precisamente trinta anos, mas ainda hoje há quem vibre ao sinal de baleia, agora somente para ir, mar fora, ver o monstro no seu ambiente.
         A proibição teve consequências funestas para a economia destas ilhas. E não se procurou encontrar outra indústria que a substituísse. E os baleeiros, que praticavam a actividade, na sua quase totalidade, tiveram de emigrar para os Estados Unidos e/ou Canada, para conseguirem os meios da sua subsistência. Basta ter em consideração que, no ano de 1946, o valor do óleo de baleia produzido no porto das Lajes foi de 1.692 contos e a respectiva soldada ou quinhão do baleeiro atingiu 112 mil escudos. Por seu lado o Estado arrecadou, de imposto de pescado, 150 mil escudos. E, no ano de 1973, as baleias caçadas nos portos de Calheta, Santa Cruz, Lajes e São Mateus, produziram 1.411. 555$20, segundo publicou “O Dever” em seu número de 16 de Fevereiro de 1974.
         A última baleia, caçada pelo Oficial Manuel Macedo Portugal Brum, na canoa “Maria Armanda”, foi em Outubro de 1987, sendo somente aproveitados os dentes e a carne.
         Em certa medida valeu a chegada do Serge Viallelle que abriu nesta vila, em 1993, o estabelecimento turístico “Espaço Talassa” dedicado à observação de baleias – ou Whale Watching, uma actividade que se implantou em todas as ilhas mesmo  naquelas onde nunca houve tradição baleeira.
         O mesmo acontece com os museus e com as regatas quando é sabido que o Museu dos Baleeiros das Lajes do Pico é o museu mais frequentado dos Açores. As regatas estão a fazer-se em portos onde nunca houve baleação...E até fazendo parte dos programas de algumas festas, quando, afinal, Terra de Baleeiros é somente uma: a Ilha do Pico e, mais concretamente, a Vila das Lajes, onde quase toda a gente, comerciantes, artistas de carpintaria, sapataria, serralharia, barbearia etc., e até alguns funcionários públicos eram baleeiros.
         Afinal, a baleação tem um longo historial que, nem Dias de Melo, o grande escritor da actividade, completou!   
         Ainda é tempo e há quem o possa fazer.

Vila Baleeira,
14-V-2017.

Ermelindo Ávila

JUSTA HOMENGEM

A MINHA NOTA


         No dia 25 do mês passado, a Câmara Municipal de São Roque prestou condigna homenagem ao seu antigo Presidente, há anos falecido, António Simas da Costa.
         Um verdadeiro acto de justiça a quem, durante a vida, se dedicou, em cinco mandatos sucessivos, com o todo o entusiasmo e dedicação, ao seu concelho, onde nasce e sempre viveu. E ainda bem que a homenagem simples, mas entusiasta, foi prestada. Um acto que, além de oportuno e justo dignificou bastante quem teve a feliz iniciativa de o prestar e o realizou.
         António Carlos, como era conhecido, era uma pessoa de alta personalidade. Não tinha formação académica, mas uma prática de vida que lhe granjeava a estima e consideração dos seus conterrâneos.
            Trabalhou sempre pelo seu concelho, com um entusiasmo e uma dedicação sem limites.
         Tive oportunidade de colaborar com António Carlos, num período convulsivo da administração autárquico e dou testemunho do entusiasmo com que defendia os interesses da ilha e do seu concelho.
         São Roque do Pico fica-lhe devendo dois grandes empreendimentos, além de outros de não menor volume. Refiro o excelente edifício dos Paços do Concelho que é simultaneamente dos Serviços Judiciais, das Finanças e Tesouraria e dos Serviços dos Registos e Notariado. Um polivalente que muito beneficiou o concelho. E a localização da Central Eléctrica da Ilha, pela qual bastante se empenhou. E mais teria conseguido se um bairrismo doentio, não tivesse surgido a impedir empreendimentos.
         Na sessão de homenagem que o Município de São Roque houve por bem prestar-lhe em homenagem póstuma, Fernando Andrade, que colaborou na última Vereação presidida por António Simas da Costa, no seu discurso de homenagem, afirmou:
         Quando já a mais de meio mandato e os problemas de saúde se foram agravando, passei então a ir buscá-lo a casa e levá-lo a todo o lado. Fosse para a Lagoa do Caiado, onde gostava de ir ver as obras de aproveitamento da água da Lagoa, fosse para visitar as obras de construção da estação de tratamento de águas da Prainha, fosse para reuniões com as outras Câmaras da Ilha, ou fora desta, fosse para acompanhar os preparativos para a festa dos 450 anos de elevação de São Roque a Vila, fosse simplesmente para dar um passeio, fosse para onde fosse.
         E acrescentou: O seu gabinete raramente estava sem ninguém. Atendia a todos, a qualquer hora, em qualquer dia, procurando resolver os problemas das pessoas.
         Na realidade foi esse senhor que conheci e com quem bastante privei no exercício das minhas funções de funcionário da Autarquia lajense. Homem prático, empenhado, compreensivo e de uma dedicação extrema, como atrás afirmei.
         Justa a homenagem que lhe vem de ser prestada mas que, julgo, não é a suficiente para recordar aos vindouros Alguém que “passou fazendo o bem”, pelo concelho de São Roque do Pico.
         Mas, pelo que se disse, bem merecem os actuais autarcas daquela vizinho concelho.
         À veneranda memória do falecido Presidente António (Carlos) Simas da Costa, esta singela mensagem de admiração e de respeito.

Lajes do Pico.
Maio de 2017

Ermelindo Ávila