domingo, 20 de novembro de 2016

INICIATIVA PLAUSÍVEL

A MINHA NOTA


         Pode assim classificar-se a que teve, há um ano, o Dr. José Caldeira, instalando no Cais do Pico, em zona bastante central e desfrutando de um magnífico panorama.
         Embora se trate de um estabelecimento comercial, tem uma finalidade cultural de muito apreço até porque, na ilha não abundam muitas instituições do género.
          Presentemente, pode registar-se a iniciativa dos CTT, uma instituição secular do Estado e que passou a ser propriedade de uma empresa privada. Mas, para os açorianos, o seu interesse é relativo, uma vez que só dispensa a sua actividade a edições continentais. E as edições açorianas já são bastantes, para justificarem o interesse que lhes devia dispensar a actual proprietária dos Correios Públicos.
          Na vila das Lajes, felizmente, temos o Centro de Arte, instalado na antiga SIBIL, propriedade da Câmara Municipal, que expõe à venda pública as edições que o Município patrocina. O mesmo acontece com o Museu dos Baleeiros, onde podem ser adquiridas as edições da Direcção Regional da Cultura. O mesmo deve acontecer na Madalena onde, desde há cerca de sete dezenas de anos, existe um simpático estabelecimento de venda mista e onde sempre se encontraram boas edições literárias.
           A Livraria D. Dinis tem uma característica especial, pois dedica-se, quase na exclusividade, à venda de edições de todo o País, o que não deixa de representar a prestação de um serviço público de certa valia.
           Não fui encarregado de trazer a público a abertura e funcionamento deste estabelecimento comercial. Faço-o, porque entendo importante para a ilha a sua existência. O Pico é das ilhas que mais edita, não somente livros científicos, mas pequenos romances, contos e novelas, históricos e poesia rural. Tem hoje uma empresa – a “Companhia das Ilhas” - que se dedica à edição de obras literárias de qualquer espécie.
            Se fizermos um levantamento estatístico, verificaremos que todas as freguesias da ilha têm autores de apreço. E já não refiro os consagrados escritores José Martins Garcia e José Dias de Melo. Almeida Firmino não publicou muitos livros, mas o bastante para ser considerado um grande Poeta. Embora não fosse natural do Pico, à Ilha Montanha se dedicou e nela quis ficar... José Enes foi um Senhor da Cultura, que nos deixou uma obra científica de meritória valia, principalmente no campo filosófico. De registar a Doutora Susana Goulart Costa, professora universitária, com raízes picoenses, como notável historiadora. E não esqueço o poeta e escritor Dr. Manuel Tomás, e o falecido Pe. José Idalmiro.
         Em décadas passadas a Ilha possuiu poetisas, como Amélia Ernestina de Avelar, e contistas, como Rodrigo Guerra e Nunes da Rosa, além de outros. Mas hoje abundam os escritores e publicistas. Porque todos os conhecem, fico por aqui...
          Bom serviço prestou e presta às Letras picoenses o Dr. José Caldeira com a Livraria D. Dinis. Ainda há “espaço” para outros mais, nas vilas picoenses, e não somente. Basta terem igual iniciativa a bem das Letras e da Cultura em geral. Daí este meu singelo apontamento.

         Lajes do Pico,
          8 de Nov. de 2016
          Ermelindo Ávila


PÃO POR DEUS

NOTAS DO MEU CANTINHO


No nosso viver habitual, vão desaparecendo as nossas seculares tradições. É a história que se adultera. São os hábitos e costumes que vão.
Atravessamos uma época de verdadeira confusão social.
Nunca houve tanta riqueza acumulada e tanta pobreza. É a chamada crise económica. As falências das actividades comerciais e industriais, e particularmente da própria banca, são uma constante, e normalmente arrastam para a miséria não poucas famílias. Basta estar atento ao que nos transmite a comunicação social.
         Com a “importação” de certas modernices estranhas ao nosso viver substituído por certos sistemas sem significado, é toda uma vida ancestral que se modifica sem proveito para ninguém,
         Agora, surgiram, com certa insistência e algum patrocínio de estranhos, no tradicional Dia do Pão Por Deus, os fantasmas horripilantes, por vezes. E aquele, sim, tinha um significado altruísta e de benemerência, que todos aceitavam e respeitavam, como, por cá, ainda hoje acontece.
         Quando a vida era mais difícil, quando a pobreza atingia maior número de famílias, mais notória no dia de “Todos os Santos” – 1º de Novembro - todas as casas se preparavam para receber aqueles que lhes “batiam à porta” a pedir uma esmolinha por amor de Deus ou o “pão por Deus”. E recebiam géneros de várias espécies, que tudo lhes servia. Ultimamente, porém, são as crianças que, em pequenos grupos, ainda aparecem com seus saquitéis, especialmente feitos de retalhos pelas mães ou avós, a pedir, numa cantilena agradável, o “pão por Deus!”. E nunca deixam de receber umas moedas ou uns doces – chocolates, queijadas, e outros.
         Felizmente que a tradição não se perdeu e ainda hoje acontece, tal como anteriormente. É agradável recebê-los, com eles ter uma pequena conversa, dar-lhes o desejado “pão por Deus” e despedi-los, até ao ano, se Deus quiser. Um gesto cristão que só dignifica quem o pratica.
         Este ano, porém, algumas escolas prepararam as crianças com vestes horríveis, para percorrerem os lugares, representando o Halloween que nada tem com os nossos hábitos e costumes.
         Por que não deixar a cada um a herança, embora modesta, que recebeu de seus avós? Não só é um gesto de respeito pelo passado como, sobretudo, um sinal de cultura simpático e - porque não? – educativo.
         Na realidade, vai desaparecendo, pouco a pouco, uma tradição de alguns séculos. Em certos hábitos e costumes vamo-nos aproximando de um estrangeirismo, diria feroz, que nos vai transformando em autênticas pessoas neutras.
         E não é dizer que hoje não haja pobreza. Ela existe, a maioria das vezes encapotada e envergonhada. Aliás, os tempos que decorrem, com a actual crise que se atravessa, provocam, se não por cá, nos meios mais desenvolvidos, uma autêntica pobreza. Basta ter em atenção o que se passa nalgumas cidades mesmo açorianas, onde já existem pessoas a viver na rua, como há muito acontece nas nações mais ricas: os sem-abrigo. Nos Estados Unidos são os tramps – um verdadeiro flagelo social e uma vergonha para este século.
         A ilha do Pico, se não tem grandes riquezas, também nela não existem ainda notórias carências e miséria. Mas convêm acautelar.
         Sabido que não é com o “pão por Deus” que se vai debelar qualquer surto de pobreza. Mas não deixa de ajudar e é, sobretudo, um gesto dignificante que não se deve ignorar e, muito menos, substituir pelo moderno halloween, ou qualquer outra diversion.
         Este ano já passou o dia do Pão por Deus. Para o ano que vem ele surgirá novamente. Um apelo fica: que pais e professores preparem os filhos e alunos para uma simpática e cristã tradição que só dignifica quem a pratica. E haverá sempre crianças que esperam por esse dia para saborearem uma guloseima...


Lajes do Pico,
7 de Nov. de 2016

Ermelindo Ávila 0

A “MATANÇA”

NOTAS DO MEU CANTINHO

                                             

        Não se trata daquelas que, dia a dia, os noticiários da TV e da Rádio nos trazem e, de tanto repetir a notícia, nos obriga, por vezes, a desviar para outro canal, pela maneira indiferente como a notícia é tratada.
        Nas zonas rurais já se vai falando nas matanças dos porcos. Uma festa de família que, a partir dos finais do Outono e durante o Inverno, tinha lugar em todas as freguesias da Ilha.
        E que interessante era. Para a gente miúda era uma grande festa se bem que, para os adultos representava dias de intenso trabalho doméstico.
        Nem sei hoje como são as tradicionais matanças de porcos. Refiro, pois, o que acontecia há umas dezenas de anos, quando as famílias eram, geralmente, numerosas e os suínos eram tratados cuidadosamente durante o ano para que a matança fosse um acontecimento familiar e festivo.
        A preparação do acontecimento já era de festa. Desde o apanhar das vassouras (urze), que se punham a secar no quintal, com a devida antecedência, até à apanha e preparação das cebolas, cultivadas especialmente para as morcelas, tudo representava para muitos, quase actos festivos.
        Marcado o dia da matança, - e tinha de ser combinado com os familiares para não coincidir com os dos outros amigos ou familiares - iniciavam-se os trabalhos de preparação dos utensílios, além de outros indispensáveis, para que tudo estivesse pronto no dia aprazado.
         Moíam-se os cereais – trigo e milho – para o fabrico do pão de milho e de trigo, e bolo de milho, em quantidades suficientes para os dias da matança. Os dias antecedentes eram destinados à cozedura dos pães de trigo, por vezes maça sovada, de milho ou de  “duas farinhas”, a limpeza da casa e da loja, ou rés-do-chão, onde era pendurada a carcaça do animal, a enxugar algumas horas ou um dia e noite .
         Convidavam-se o “matador” e os ajudantes, com a devida antecedência, bem como as mulheres que iriam ajudar nos trabalhos de cozinha; e, geralmente, moças para “picar as cebolas”, na véspera do dia.
         De madrugada alguém ia chamar os que iriam ajudar nos trabalhos da matança, bastante cansativos, pois era necessário que todo o trabalho se fizesse de madrugada e os homens que o executavam pudessem almoçar antes do nascer do Sol, pois tinham de estar livres para o caso de “aparecer baleia”, visto que todos ou quase todos eram baleeiros.
          Os mais miúdos aguardavam o dia com ansiedade: não iam à escola e aguardavam a bexiga para a encherem de ar e com ela fazerem na rua os seus jogos de futebol, brincadeira que hoje se tornaria impossível, dado o trânsito automóvel que desde cedo circula.
          Hoje é tudo diferente. Os animais são levados ao Matadouro e lá são abatidos e preparados, restando às famílias apenas os trabalhos de cozinha: derreter as carnes para os torresmos, e preparar as morcelas, a linguiça e pouco mais, porque as arcas frigoríficas fazem o resto.
          Mesmo assim, o dia da matança não deixa de ser um dia especial para as famílias que ainda seguem a tradição. Ainda se fazem os presentes, serviço que as crianças aguardam com interesse pelas gorjetas que normalmente recebem.
          Há dias assisti, com muitos lajenses, a um almoço comunitário de porco, abatido no matadouro. E não faltaram as morcelas e os torresmos. Um repasto apetitoso e um convívio agradável, que todos apreciaram, e eram umas dezenas. Uma maneira simples de nos encontrarmos, já que a maioria, embora residente na vila, pouco ou quase nenhum convívio tem. E bem necessários que eles são pois, o isolamento que se vive é atrofiante e cada vez mais isso se nota, com a paralisação de serviços, repartições e oficinas, que antes existiam e, nestas, muitas vezes se juntavam para amena cavaqueira.
          O convívio foi uma maneira de reunir fundos para um fim comunitário e de juntar os lajenses, que poucos faltaram. Aguardemos outro...

Lajes do Pico,
24. Outº- 2916

Ermelindo Ávila

O JORNALISMO

A MINHA NOTA

       Desde o século XVII que em Portugal se cultiva o jornalismo. E já não refiro Gutenberg, o inventor da tipografia.
         Inicialmente eram as folhas clandestinas, imprensas ou manuscritas, que circulavam entre as classes mais destacadas. Depois, generalizou-se e veio a surgir o grande jornalismo.
         Nas terras pequenas foram aparecendo os pequenos jornais, onde, ao lado das grandes notícias ou das questões políticas que sempre as houve, eram publicadas as notícias de mero interesse social: nascimentos, casamentos, falecimentos... E não faltava a propaganda comercial de certos produtos.
         Desde 1942 que os jornais e as folhas soltas foram objecto da “censura”oficial, para evitar que a acção governativa fosse criticada...
         Os Açores não fugiram ao aparecimento do jornalismo. Presentemente tem orgulho de possuir o mais antigo jornal português – o “Açoriano Oriental”. Embora haja passado por diversas vicissitudes, conseguiu singrar estes anos todos e hoje continua a ser um dos mais destacados órgãos da Imprensa açoriana e portuguesa.
          Por cá, mantém-se ainda o centenário ”Diário dos Açores”, e os semanários “A Crença”, já com cem anos e “O Dever”, a atingi-los em poucos meses.
Infelizmente, desapareceram, na Horta o diário “O Telégrafo” e em Angra o diário “A União”. Nas colecções arquivadas nas Bibliotecas encontra-se a história do século passado, destas ilhas, principalmente dos distritos da Horta e de Angra.
         A Ilha do Pico nunca publicou um jornal diário. Foram vários os que surgiram, desde o século XIX, nos três concelhos da Ilha mas quase todos de vida efémera e alguns deles criados e mantidos pela política partidária, o que explica a sua escassa existência. Mas outros houve de boa qualidade literária, como sejam “A Voz”e “Os Sinos da Aldeia”, do saudoso Mestre da Cultura, Padre Nunes da Rosa. O mais recente, embora com a categoria de boletim paroquial, foi “0 Bom Combate” fundado e mantido pelo P. José Fortuna, enquanto Vigário e Ouvidor da Vila da Madalena. E não deve esquecer-se o mensário “Ecos do Santuário” do P. Filipe Madruga, enquanto Pároco e Reitor do Santuário do Bom Jesus, em S. Mateus, onde colaboraram personalidades distintas do clero e onde a vida paroquial e social daquela freguesia picoense, e não só, está devidamente registada.
         Hoje a imprensa picoense tem certa estabilidade, pois, ao contrário do que se possa julgar e em certa medida aceitar, existe à margem dos Partidos. E felizmente que assim acontece.
         Além de “O Dever”, já referido, conta ainda com os semanários “ilha maior”, a atingir os trinta anos e “Jornal do Pico”, publicado em São Roque do Pico, há quase catorze anos.
Os jornais do Pico, ao que creio, não estão enfeudados à política, propriamente dita. Pertencem a grupos locais e procuram ser defensores dos direitos e das reivindicações dos respectivos territórios. E ainda bem que assim procedem.
O “Jornal do Pico”, onde são publicados alguns dos meus escritos, desde a sua fundação, já lá vão doze anos, tem procurado ser, com dignidade e persistentemente, o defensor dos interesses do seu concelho, Louvores merece, por assim continuar a olhar com dignidade para sua terra e suas gentes, sem deixar de trazer ao de cima, sempre que oportuno, os interesses picoenses em geral.

Lajes do Pico.
 18 – Outº-  2016

Ermelindo Ávila

domingo, 23 de outubro de 2016

“ARREADA EM FALSO...”

NOTAS DO MEU CANTINHO


         Na Terra da Forca rebentou um foguetão. Alguém, no Meio da Vila, gritou: Baleia! Baleia!” Da “casa de Pasto” do Tibério saíram dois ou três mocetões e correram para a Pesqueira. Mas os outros ficaram quietos... Na Lagoa, estavam ancoradas algumas embarcações, mas a “Lourdes”, a “Margarida” e a “Zélia” não estavam lá... Entraram nas antigas “Casas dos Botes” e só viram um – o “Santa Teresinha”- que ainda hoje lá se encontra como peça do Museu. O restante espaço estava completamente transformado...
         Olharam para a “Lagoa de Cima” e ali não havia qualquer movimento. Não aparecia o oficial Domingos Inteiro, nem o José de Brum, para mestrar a “Zélia”, nem o “Portugal”, nem mesmo o grande remador “Palim”. Da Granja, da Canada de Jorge Dutra, do Cabeço do Geraldo, e de outros sítios, onde muitos tinham as suas terras de cultivo, não aparecia nenhum baleeiro, nem mesmo das habitações haviam saído pressurosas, como era costume, as mulheres dos baleeiros com a saca ou a cesta com o pão ou bolo, o peixe ou o queijo, para “matar a fome” no alto mar.
         Aqueles que haviam corrido na vila para “apanhar os primeiros botes que se fizessem ao mar”, pararam e espreitaram para a “Vigia” da “Terra da Forca” onde não havia qualquer sinal de baleia. Nem foguetes, nem bandeirolas pretas ou brancas ou as duas cores em conjunto, cujo significado toda a gente conhecia: preta - baleia à vista; branca - botes fora; preta e branca - botes fora e baleia à vista.
         A vida das pessoas, dentro da Vila e mesmo no subúrbio da Ribeira do Meio, continuava calma e sem movimentação especial. 
Pararam e reflectiram: Afinal, uma “arriada em falso”. Já não há baleação, nem se caminha, depois de correrias loucas por essas terras abaixo, para apanhar os primeiros botes, para chegar, antes dos outros, junto da baleia grande, do bule, ou do cardume (baleias pequenas).
         Hoje vai-se somente ver as baleias. Elas vêm cá bem dentro, pachorrentamente, banquetear-se nos “bancos de chicharros”, nas “marcas” das cavalas, e de outros peixe que, em cardume se aproximam da costa à procura de “ruama”.
         E não são os velhos baleeiros que aproveitam a sua aproximação. Esses não podem “tocar-lhes”. Desde 1987, ano em que se caçou, com o arpão e a lança, a última baleia (cachalote, melhor dito). É crime caçar um cetáceo, seja cachalote, golfinho ou toninha. E a lei é severa!...
         Deixou de se produzir o óleo que era exportado para países estrangeiros e trazia para a terra boas divisas. Uma actividade na qual se empregavam umas dezenas de homens do Mar, e cuja proibição a muitos deixou na penúria. Até o pequeno comércio foi prejudicado, pois era habitual vender “fiado” durante o ano para receber os créditos, quando “se faziam as contas e se distribuíam as “soldadas da baleia”.  
         Aqueles que mandam e impuseram a proibição conhecem – creio - o enorme cetáceo unicamente pelos livros... Nem pensam sequer que a Natureza se mantém em equilíbrio, quando o homem, seu “rei”, a sabe aproveitar dignamente e em proveito próprio...
         Nas ruas da vila, outrora deserta de veículos automóveis, onde o rapazio brincava, despreocupadamente, desapareceram os jogos baleeiros, aliás, como outros, Mas estes praticam-se em recintos apropriados, enquanto os baleeiros nem conhecidos são...
         Não cause espanto que volte a este assunto. Estou certo que tempo virá em que o homem terá necessidade de utilizar todos os meios que a Natureza lhe proporciona para poder subsistir. Não se vão tornar antropófagos, mas saberão colher da Natureza o que ela gratuitamente põe à sua disposição para sobreviver.
         Concedo que jamais voltará a ouvir-se o sinal de “baleia à vista”, porque outros meios estarão à disposição dos seres humanos. Creiam ou não os actuais cientistas... 
          Enquanto elas por cá andarem, haverá a prática do “whale watching”, enquanto outra modalidade “desportiva” não surgir.
          Ontem foi a caça ao moleiro, de que Ernesto Rebello nos deixou interessante descrição; depois foi a caça à baleia para fins industriais – e quanto valeu no período de guerra de 1938-45! Agora visitam-se os cardumes que chegam esfomeados ao “santuário das baleias”, como já se diz. E depois?...
         Vila Baleeira,
         25-09-2016

         Ermelindo Ávila

E DEPOIS ?...

Notas do meu cantinho


       O quase silêncio estabeleceu-se na Vila. Ainda hoje, alguém que não é de cá me fazia a pergunta: A Vila foi sempre assim? Respondi-lhe, como não podia deixar de fazer, com a realidade dos factos.
         O movimento, principalmente em certas horas do Pico, era bastante elevado. Além de outros veículos, chegavam e partiam os autocarros com bastantes passageiros e não raro havia desdobramentos. Mas essa época passou. Em certas horas do dia ninguém se encontra por aí, nem os de fora, nem os que cá residem, e bem poucos são.
         O verão passou. Os visitantes regressaram às suas terras e os estudantes, aliás bem poucos, às suas escolas. Deixou de se ver os grupos de turistas, que, despreocupadamente, passavam à nossa porta.
         Ainda existem por cá algumas repartições públicas, mas não aquelas que cá deviam estar instaladas.
         O concelho é o de maior extensão agrícola, mas os serviços respectivos foram ardilosamente de cá afastados para se fixarem em local mais agradável aos respectivos serventuários. E não foi sempre assim. Os funcionários de então já se afastaram por aposentação. Outros foram substitui-los, mas a situação gravosa continua. Não será tempo mais que suficiente para pôr as coisas nos seus devidos lugares? Os gestores públicos são outros e amanhã outros ainda serão.
         É tempo de se criarem serviços, aliás indispensáveis ao funcionamento normal da vila, e neles fixar quem deseje neles trabalhar.
         E o que vem de dizer-se não constitui novidade. Por esse País fora estão as Autarquias a criar serviços, para fixar os respectivos jovens. E são os mais diversos e promissores.
         Criem-se também aqui serviços que promovam a criação de postos de trabalho para a juventude, e não só. Reorganizem-se os existentes de maneira mais promotora de ocupação de braços que garantam o emprego e a consequente subsistência das famílias e proporcionem a fixação dos jovens porque, felizmente, ainda há alguns que desejam voltar.
         Mas tudo tem de ser promovido com acerto e isenção, não vá adoptar-se soluções erradas, como aconteceu. Como diz o velho ditado: Querer desculpar uma asneira é cometer outra! Há que criar uma legislação específica para a juventude açoriana.
         Algumas vezes tenho aqui, nos meus escritos, tratado este tema, embora sem resultado. Enquanto me for possível, a ele voltarei para que a solução devida seja encontrada. Serei importuno para alguns? Não importa. Em toda a minha vida tenho procurado, denodadamente, estar ao lado da Terra que muito amo e das suas gentes, minhas irmãs.
         Aceito que o Mundo esteja em transformação política, social e económica e que essas transformações cheguem com seus méritos e malefícios aos lugares pequenos. Demais, estamos em ilhas rodeadas de mar por todos os lados, o que condiciona demasiado o viver dos naturais. E é, sobretudo isso, que importa que governantes tenham em atenção. Não podemos, como os barcos à deriva, ficar por aqui sujeitos às intempéries que todos os Invernos assolam, de maneira desastrosa, as ilhas e os que nelas habitam, principalmente as mais carecidas de meios concretos de sobrevivência. 
         A Ilha do Pico, mercê da sua constituição geológica, tem características especiais e é isso que devem ter em atenção aqueles a quem está entregue a administração da coisa pública, para que não haja a duplicidade de filhos e enteados...
         Estarei a laborar em erro?... O tempo o dirá.
A Vila das Lajes - chamada maldosa ou graciosamente de avoenga (velha e “canoca”?...) tem legitimidade para usufruir do Direito e que o seu governo seja entregue a quem estiver disposto a pugnar, legítima e entusiasticamente, pelo progresso e desenvolvimento do seu povo.  
         Abandoná-la à sua sorte é um crime desastroso que não pode nem deve consentir-se. Os picoenses não têm só deveres, mas direitos como quaisquer ilhéus ou continentais.
E, dentro do Pico, há lugares mais beneficiados do que outros o que está a provocar (maldosamente?) o desequilíbrio económico e social. É preciso que se tenha isso em atenção e se tomem medidas de ordenamento correctas e eficazes. Mas já! Parar é morrer! E o mal pode ser contagioso...

Vila das Lajes.
22-09-2016

Ermelindo Ávila

NOVEMBRO...

NOTAS DO MEU CANTINHO


         Aproxima-se o mês de Novembro. Desde os meus afastados anos da juventude sempre o considerei um mês triste. O mês dos crisântemos, a flor que nos acompanha nas horas de tristeza...
         Hoje é diferente. Encaro o penúltimo mês do ano com a naturalidade possível e vivo os seus dias sem as preocupações de outrora.
         O dia de todos os Santos era e é ainda, na tradição popular, o “dia do pão por Deus”. Tal como hoje, ia-se bater às portas das pessoas amigas e conhecidas pedir Pão por Deus. E a saquitola nunca vinha vazia.
         Era dia santo. A Igreja Católica, e no tempo era a única, embora hoje haja um ou dois núcleos de outras “crenças”, celebrava no dia um a Festa de Todos os Santos. Segundo os Teólogos, é a festa da santidade. Evocam-se todos os santos que estão junto de Deus, mesmo aqueles que não foram canonizados. É um dia muito especial em que celebramos a santidade de Deus, a plenitude da vida cristã, a comunhão eclesial com os Apóstolos, Mártires e os santos conhecidos e anónimos. Um dia em que a Igreja chama a atenção dos fiéis para a vivência da santidade cristã, ou seja, a felicidade e a liberdade plena dos cristãos.
         Para as crianças era e continua a ser o “dia do pão por Deus”!
Logo a seguir, vem o dia dos Fiéis Defuntos. Nesse dia os sacerdotes tinham, hoje desnecessário, o privilégio de celebrar três missas, privilégio que só se repetia pelo Natal.
A igreja utilizava as vestes litúrgicas negras – hoje substituídas pelo roxo – e, geralmente, armava no corpo dos templos um cadafalso, coberto de um pano negro, e, junto dele, fazia os “responsórios” pelas almas dos defuntos.
           Ao amanhecer, celebrava-se duas Missas para os paroquianos poderem, depois, ir para os seus trabalhos agrícolas. Normalmente, já vinham preparados para seguir para os seus terrenos, pois traziam, além do trajar apropriado, os utensílios para executar as labutas do campo.
         A meio da manhã, celebrava-se a Missa cantada de requiem, quase sempre de três padres, pois o pároco da Silveira estava presente com os dois então residentes na vila.                 
          As pessoas trajavam de preto, sinal de luto, e neste seu trajar queriam recordar os familiares falecidos. Era, na realidade, um dia sombrio...
           Presentemente, tem lugar, no mês de Novembro, a Festa de Cristo Rei, cuja celebração começou na Matriz das Lajes, após a criação dos grupos da Acção Católica. A festa litúrgica iniciou-se na Diocese na década de Vinte do século passado. Era Bispo da Diocese Dom António Meireles, que depois foi transferido para Coadjutor da Diocese do Porto, onde faleceu já bispo diocesano.
           Não se celebravam no dia indicado pela Liturgia, mas no domingo seguinte, porque, antes, a freguesia de São João já celebrava a solenidade
de  Cristo-Rei e o pároco, P. Inácio Coelho, era co-celebrante permanente nas festas da Matriz das Lajes.
      Os Pe. José Vieira Soares, Pároco e Ouvidor das Lajes, P. Manuel Vieira Feliciano, cura de São Bartolomeu, da Silveira, e Pe. Inácio Coelho, Pároco de São João, constituíam um trio sacerdotal que colaborava assiduamente nas festividades das respectivas paróquias. Entendiam-se fraternalmente e as respectivas actividades paroquiais eram previamente combinadas. Mas o grupo desfez-se, quando faleceu o P. Vieira Soares e, a seguir, o P. Inácio Coelho foi residir para os Estados Unidos
         Quando ficou na situação de manência – ou reforma, sem quaisquer remunerações... - o P. João Xavier Madruga passou a residir nas Lajes e era um permanente auxiliar, principalmente na oratória, que  nunca recusava.
         O que venho de escrever faz parte da nossa história. Importa pois, registá-lo Ad perpetuam rei memoriam.             
            
Lajes do Pico
11-Outubro-2016
Ermelindo Ávila                  

OUTONO: O TEMPO DAS COLHEITAS

NOTAS DO MEU CANTINHO                                        


         Outrora assim era. Hoje é bastante diferente. Os hábitos e costumes vão-se modificando com o decorrer dos tempos e as pessoas vão-se adaptando aos novos sistemas de vida. E os mais antigos, que ainda recordam os velhos tempos, têm de se ir habituando aos poucos, sem apelo nem agravo.
         Semeava-se o milho geralmente na Primavera e colhia-se no Outono. Uma cultura que exigia grandes trabalhos: o semear, sachar, abarbar, desbastar, cortar a espiga e, depois, a colheita. Tudo tinha as suas épocas próprias e precisava de uma atenção especial da parte do Lavrador.
         O trigo, embora fosse e ainda é um cereal menos produtivo, não necessitava que o Lavrador lhe dispensasse tantos cuidados, a não ser, no período da maturação, vigiá-lo da praga (pássaros diversos, principalmente o canário) que o perseguia para lhe retirar o grão... E foi certamente, por isso que o lavrador o substituiu pelo milho, quando o cereal apareceu.
         O milho passou a ser o sustento principal das famílias pois era e é um cereal muito mais substancial. Grandes extensões de milho eram cultivadas. E foi assim que se procedeu à arroteia de muitos terrenos que estavam ainda abandonados, principalmente no alto da ilha.
         Presentemente, essas terras estão a ficar abandonadas ou transformadas em relvados para apascentação de gados domésticos.
         Mas, com a cultura do milho, o mesmo vai acontecendo. Deixou de haver a “desfolhada”, tal como a descreve Júlio Dinis, e passou a fazer-se a “ensilagem” destinada ao sustento do gado doméstico. (A ensilagem é feita em grandes sacos de plástico e não em silos, de dispendiosa construção)
Quando na ilha não existiam estradas (a estrada Lajes-Piedade foi inaugurada em 1943), eram os tradicionais “carros de bois” que faziam o transporte do milho, geralmente em maçarocas. Passavam pelas ruas da vila, fazendo uma grande chiadeira, que por vezes causava incómodo principalmente às pessoas doentes. Isso levou a Autoridade Administrativa a publicar editais proibindo o estridente ruído que foi evitado com a aplicação de qualquer produto nos eixos.

         A esfolhada, ou retirada da casca da maçaroca, reunia velhos e novos. Não faltava mesmo o elemento feminino. Era sempre um serão agradável, onde se contavam “casos”, anedotas, ditos jocosos, por vezes. Um alvoroço quando aparecia o festejado “milho rei”.
Chegaram – e felizmente! – as estradas. Depois as carrinhas motorizadas substituíram os carros de um boi ou de dois bois. Praticamente desapareceram as esfolhadas, feitas nas casas rurais dos próprios terrenos de cultivo. São poucas as Casas de lavoura que cultivam ainda este cereal. Era uma cultura trabalhosa e hoje não há, quase, mão-de-obra. A população diminuiu bastante e a juventude actualmente não vai para o trabalho rural. Ou estuda ou sai da ilha à procura de emprego nas cidades. Isto mesmo já escrevi tantas vezes que, suponho, vai-se tornando talvez fastidioso ler, uma vez mais, estas pequenas crónicas. Agora são as ensilagens que para comodidade do lavrador, ficam arrecadadas nos próprios terrenos de produção e servem, principalmente no Inverno, para sustento dos animais bovinos ou “gado da porta” como é conhecido.
         Talvez por isso, o dia da ensilagem é um dia especial. Geralmente, reúnem-se os familiares e os amigos e no final há a tradicional “merenda” que mais não é do que uma pantagruélica e abundante refeição especial preparada para aquele dia.
         O pão de milho e o bolo são raridades que praticamente se encontram, em pequenas quantidades, embora de fabrico caseiro, nos mini e super mercados.
         Actualmente o maior consumo vai para o pão de trigo fabricado nas Padarias licenciadas. Mas, mesmo assim, as pessoas vão-se habituando a substituir o pão por outros produtos que, dizem, são mais saudáveis.
         Hoje, é tudo tão diferente. A vida familiar vai-se modificando, gradualmente.

Lajes do Pico:
 19-10-2016

Ermelindo Ávila

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Turismo Rural

Notas do meu cantinho

Há dias ofereceram-me um passeio pela ponta Leste da Ilha. Estive em três ou quatro freguesias e admirei o surto de desenvolvimento urbano que me foi dado apreciar ao longo do percurso. Sobretudo causou-me surpresa agradável alguns dos prédios recentemente edificados, com a particularidade de serem construídos em pedra lavrada, sem quaisquer vestígios de cimento ou cal. Uma autêntica maravilha, a fazer recordar os prédios antigos, onde a cal e muito menos o cimento entravam, mas apenas o barro da terra a segurar as taliscas
Uma das proprietárias informou-me que tinha vinte e oito camas à disposição dos visitantes e que naquele momento estavam quase todas ocupadas. Mas outros prédios, ao redor desta ilha, foram preparados para o chamado turismo Rural, uma nova modalidade que está a ser posta à disposição, principalmente do turista europeu. Disso dá testemunho o número das viagens que, durante o verão, se fizeram da Holanda para o Pico e que, sem explicação, a dar crédito à comunicação social, deixou de viajar para esta ilha, ficando somente pelas de S. Miguel e Terceira. Mas essa atitude inesperada da TUI não põe fim aos que viajam da Europa e da América para a Ilha Montanha. Há qualquer coisa de agradável que os atrai, sem grandes propagandas, a não ser aquela que transmite para o exterior a Internet.
Certo é que, não raro, quando passamos pelas estradas picoenses, do litoral ou mesmo do interior, frequentemente nos cruzamos, normalmente com casais estranhos à ilha. E examinando os mapa da ilha de que são portadores, atravessam não somente as estradas, como os caminhos vicinais e até as canadas e os trilhos, admirando as árvores, as paisagens e os panoramas, e gozando, ao que bem se julga, o clima ameno que envolve a ilha.
É interessante esta nova modalidade do turismo rural, que se está a desenvolver em todas as freguesias da ilha, mas principalmente naquelas em que a emigração deixou muitas casas desabitadas e que agora estão a ser louvavelmente aproveitadas.
O Pico, porém, não pode limitar-se unicamente ao TURISMO RURAL, pois o seu rendimento pouco mais vai além dos alugueres das camas e de uma ou outra refeição tomada nos pequenos restaurantes que todas, ou quase todas a freguesias já possuem. É interessante ver por aí, num deambular pacífico, os simpáticos turistas, mas importa retirar dessa nova actividade industrial maiores rendimentos, que beneficiem os jovens com empregos estáveis e, consequentemente, promotores de progresso e e desenvolvimento da própria economia.
É tempo de se pensar a sério na indústria hoteleira, pois não bastam os estabelecimentos de categoria diversa, que existem.
A Vila das Lajes do Pico necessita, sem demora, de estabelecimentos hoteleiros que promovam o turismo “clássico”, que possa responder às exigências de visitantes titulares de poder económico, e muitos são.
Temos restaurantes de boa categoria, mas não existem ainda, na vila e seu centro histórico, estabelecimentos que possam receber os turistas com as comunidades que alguns exigem e, para os satisfazer, necessita-se de, pelo menos, um estabelecimento hoteleiro de três ou quatro estrelas.
Vai ficar vago o edifício da Escola Secundária, com a transferência daquele serviço para as novas instalações dos Biscoitos -extra-muros, digamos.
Não será tempo de se pensar na utilização daquele grande imóvel?
Porque não utilizá-lo para um estabelecimento hoteleiro condigno? Espaço não falta. Nele podia ser instalada, ao menos, uma POUSADA DA JUVENTUDE…
Fica o alvitre.
Engrade, 12-09-2016

Ermelindo Ávila

A grande lição

Notas do meu cantinho


         Procurei, no último domingo, estar bastante calmo e aguardar o desfecho da grande “contenda”, sem sobressaltos.
Gosto de futebol. É o único desporto que me provoca certo entusiasmo, mas procuro assistir às competições que a TV nos “oferece” sem preocupações de espécie alguma. A minha idade já bastante avançada e a caminhar para o ocaso, não aconselha e nem permite grandes entusiasmos. E domingo, dispus-me a não ser diferente.
         Nunca pratiquei qualquer desporto embora saiba apreciar alguns. Nem na minha infância. Quando foi organizado o Clube Desportivo Lajense, uma instituição lajense a caminhar para o século, - criado por alvará de 28 de Abril de 1924, 92 anos são decorridos - limitava-me a ir de fugida ao “juncal” ajudar a carrear material, com outros miúdos, para a terraplanagem do futuro campo. Mas isso passou, pois outras andanças percorri...
         Nem mesmo quando andei ausente da terra-mater, por razão de estudos... Jogava o Lusitânia, o Sport Angrense, o Marítimo, entre si ou com os grupos que passavam, vindos de S. Miguel ou Madeira, mas muita vezes nem sabia o resultado, pois ver os jogos era pecado de bradar aos céus. Mas isso fica para trás, entregue ao esquecimento...
         Domingo, Portugal viveu um grande dia de futebol. A vitória da selecção nacional portuguesa empolgou toda a Nação, desde os mais altos dirigentes, e os milhares e milhares de portuguesas da Diáspora. O Mundo inteiro que acompanhava o desenrolar do Campeonato Europeu vibrou, como jamais se viu.  As bandeiras de Portugal flutuavam, em progressão, por toda a parte. As estações da Rádio e da TV transmitiam o Hino Nacional, que todos os portugueses, sem qualquer distinção – social ou política – acompanhavam com vibrante entusiasmo. Uma festa! Uma grande festa, como há muito não se via em Portugal! Aquele golo de Éder jamais será esquecido!
         O entusiasmo delirante, mas comedido, dos portugueses foi uma autêntica lição, que não pode nem deve ser esquecida. Portugal esteve unido, aos milhares, por toda a parte. Os verde-vermelho da Bandeira das Quinas, os cachecóis, os galhardetes, flutuavam, ordeiramente, em manifestação festiva. E não havia uma voz discordante: Só se ouvia PORTUGAL! Era lindo. Uma lição magnífica para toda a gente de todas as idades. Uma lição ímpar, como há muito não se via em Portugal, repito.
         Nada parecido com as manifestações arruaceiras que, de dias-a-dias, saem às ruas das cidades portuguesas, gritando “slogans” há muito “estafados” e que, por vezes, causam pejo e vergonha...
         É preciso que os portugueses não esqueçam a lição, grande lição de Domingo, que principiou ao anoitecer de domingo em Paris e continuou vinte e quatro horas depois, em terras de Santa Maria: PORTUGAL! PORTGAL! PORTUGAL!


LAJES DO PICO,
14-8-2016.

Ermelindo Ávila