segunda-feira, 21 de maio de 2007

NOVA ESCOLA ? !

Anda por aí uma folha fotocopiada, que se intitula boletim informativo da Delegação do Pico da A.L.R.A.A. – melhor: “infoALRAA” a anunciar a “…nova Escola Básica e Secundária das Lajes do Pico”. E até traz uma foto do porto das Lajes do Pico e a reprodução, em miniatura, da planta de levantamento dos terrenos onde se pretende instalar o novo edifício escolar.
Surpreende a atitude dos senhores eleitos à Assembleia Regional pelo PS, a trazer de novo à ribalta um assunto que se julgava esclarecido e arrumado, com a informação da Câmara Municipal, e a opinião pública em geral. Tanto mais que foram já anteriormente anunciados trabalhos de restauro e ampliação do actual edifício onde funciona a Escola Básica e Secundária das Lajes do Pico.
Ampliá-la para a instalação de novos cursos, aceita-se. Mas há que ter em consideração a diminuição da população escolar que, ao que se sabe, está reduzida a dois terços da inicial, quando a escola foi instalada. E não se crê nem é de aceitar que o insucesso escolar que possa acontecer naquele estabelecimento tenha origem na deficiência das instalações, pois, anteriormente, a dita escola um ano houve em que teve o primeiro aluno do País e dela têm saído escolares que, seguindo cursos superiores, hoje são médicos, advogados, professores, funcionários superiores e até deputados nacionais e regionais.
Não se julga que os cofres da Região estejam em tamanho desafogo que possam permitir a duplicação de edifícios, abandonando os antigos, quando isso não acontece em outros concelhos, incluindo as respectivas cidades.
Não se mudou a escola Manuel de Arriaga, mesmo ao lado do centro da cidade da Horta, nem a escola Antero de Quental, ou Roberto Ivens, em Ponta Delgada. Porquê, pois, a insistência em construir um novo edifício extra muros? Não quero crer que seja com o intuito (malévolo?) de retirar à vila um forte elemento do seu desenvolvimento, reduzindo-a a uma simples aldeia…
E se há interesse em pugnar, como representantes do povo que os elegeram, pelos interesses do concelho, porque não empregar a verba prevista naquele novo edifício, incluindo a aquisição dos terrenos, dos melhores da produção agrícola, em continuar, para Sul, com a muralha de defesa da Vila, acautelando-se a segurança das habitações da vila onde residem pessoas, e o próprio edifício escolar, onde se prepara para a vida a juventude do concelho?
E por que não se procura resolver a situação de diversos serviços públicos, deficientemente instalados, fazendo-os ocupar em edifícios do Estado que aí estão ao abandono?
Por que não é construído o quartel para a Polícia de Segurança Pública, para o qual a Câmara já disponibilizou o terreno e, ao que parece, esteve o seu custo previsto no orçamento do Estado?
Por que não se transferem para o antigo posto de despacho (Alfandega) os Serviços de Finanças, instalados no antigo convento em condições precárias, que até ocupam uma parte dos corredores?
Por que não se remodela a “casa do Estado”, onde estão instalados serviços (nem sabemos a categoria) das Obras Públicas e Serviços Agrícolas, uma vez que aquele imóvel foi construído, sem condições técnicas, apenas para servir de apoio, às obras de construção da muralha de defesa da vila, destruída pelo ciclone de 1936; e deveria ter sido demolido após a conclusão dos trabalhos?
Por que não se constrói, na “Casa da Maricas do Tomé”, o imóvel para os serviços da Segurança Social, uma vez que a Câmara Municipal já transferiu ou pôs à disposição da Região aquele imóvel?
Por que não se reactiva a Delegação Marítima, restaurando o respectivo edifício, que nem meio século tem, evitando-se, v.g., que pretenda uma cédula marítima – ao que dizem… - tenha de deslocar-se à Madalena?
Parece que somente a escola secundária está na agenda política. Será que importa continuar o “esvaziamento” da vila, que foi o primeiro povoado da ilha, cuja história não pode nem deve ser esquecida, para honra e prestígio dos próprios picoenses?
Quando se implantou a República, em 1910, foi nomeado Presidente da Câmara um velho republicano, que residia a trinta quilómetros da sede do concelho. Na primeira reunião do executivo a que presidiu propôs que a secretaria municipal fosse instalada na freguesia da sua residência, porque lhe era penoso palmilhar a pé, tão longa distância… E dizem que a história se não repete…
Os lajenses têm aqui uma palavra a dizer. Defendam a terra que lhes foi berço. Salvaguardem os interesses da sua terra, enquanto é tempo. A destruição e o desprezo pelos nossos interesses, espreitam-nos.
Abril, 2007
Ermelindo Ávila

3 comentários:

Anónimo disse...

ttt

Anónimo disse...

Pois, como quase sempre, o Sr. Ermelindo continua cheio de razão e de vitalidade, permita-me. De facto, perante estes argumentos, expostos de forma tão clara, não consigo compreender a (i)lógica dos nossos governantes.
No entanto, como lagense e como eleitor, gostaria que algum Secretário Regional, Director Regional, acessor, acessor de acessor, ou outro, respondesse às questões pertinentes aqui levantadas. Será que é pedir muito?
Que a voz nunca lhe doa...
Cumprimentos

Anónimo disse...

Concordo com quase todos os pontos colocados por si apenas no da escola não concordo, penso realmente como muita gente que a escola e os jovens ficam mais bem servidos com uma escola de raiz com todos as valencias que o ensino no dia de hoje requer e que o governo regional tem vindo a desenvolver em algumas ilhas como é o caso da nova escola da Horta,com espaços verdes amplos,bom ginasio,piscina coberta bons laboratorios e salas de aulas um auditorio,etc.
Aqui podemos ter isso tudo também claro que dimensionado á nossa realidade. Construir ou reconstruir a escola no mesmo lugar é condenar todas estas novas realidades pois o espaço que ai existe é reduzido.