sábado, 6 de fevereiro de 2010

Nos 140 anos do DIÁRIO DOS AÇORES


IMPRENSA AÇORIANA

Tenho muito respeito e admiração pela Imprensa. Julgo que é uma das invenções mais brilhantes da humanidade. Por ela se transmitem ideias, as próprias ciências, se cultiva a literatura e se propagam as descobertas científicas.

Processos modernos parece que vão suplantar a imprensa e fazê-la esquecer. Não estou de acordo, pois os jornais e os livros são o meio mais seguro de transmitir a todos, que não somente a um escol, as ideias e os acontecimentos do dia-a-dia.

É por isso que considero o século XIX o mais brilhante no aspecto da cultura literária, principalmente pela divulgação da Imprensa e pela publicação dos inúmeros periódicos, alguns dos quais chegaram a nossos dias e aí estão a exercer com brilho e dedicação a sua actividade formativa e informativa.

Entre esses está o “DIÁRIO DOS AÇORES”, um dos mais antigos jornais portugueses e o segundo açoriano, com o extraordinário mérito de aqui chegar sempre trazido pela mesma família do Fundador Manuel Augusto TAVARES RESENDES.

Em 5 de Fevereiro de 1870, apareceu, na cidade de Ponta Delgada, o “Diário dos Açores”, cuja história é, de facto, brilhante, pela sua acção em prol dos interesses deste arquipélago e, em especial, desta ilha de São Miguel”. Isto nos informa o saudoso jornalista, professor Manuel Jacinto de Andrade no seu magnifico livro “Jornais Centenários dos Açores”- 1994.

Está , pois, “O Diário dos Açores”, a celebrar os cento e quarenta anos de existência. Um acontecimento ímpar que bem merece ser assinalado, não apenas com um número especial, mas com outros feitos promovidos pelos responsáveis políticos e governativos. O “Diário dos Açores” constitui hoje um padrão memorável, onde está arquivada toda a História de São Miguel e dos Açores, igualmente, pois todos os acontecimentos ocorridos durante quase século e meio estão arquivados nas suas páginas.
Estou a colaborar no Diário, como é vulgarmente conhecido, porque um acidente de aviação aconteceu nesta ilha do Pico. Um aviador americano transportava dos Estados Unidos para a Europa um pequeno avião e, julgando estar próximo do aeroporto de Santa Maria, acabou por “aterrar”, durante a noite, na mata do Mistério de Santa Luzia. O certo é que ficou ileso e, no dia seguinte, apareceu na Câmara Municipal da Madalena, onde me encontrava em serviço, a pedir informações. Estávamos na década de sessenta do século passado. Tive com ele os primeiros contactos. Entretanto, a notícia espalhou-se pelo mundo e os telefonemas, com pedidos de informação, não pararam de chegar à minha secretária. Entre eles um do Dr. Manuel Carreiro, Director do “Diário dos Açores” que, durante alguns dias, telefonou a saber pormenores do acontecimento. E, quando o caso estava arrumado, convidou-me para colaborar no seu jornal. E isso aconteceu até à revolução de Abril.

Mais tarde, e com os falecimentos dos irmãos Dr. Manuel e Dr. Carlos Carreiro, assumiu a direcção executiva o excelente e saudoso Amigo J. Silva Júnior que, ao assumir as funções, se lembrou de me convidar para voltar a colaborar. E foi então que, a partir de 1982, para cá voltei e cá me encontro, embora com uma colaboração incipiente e pouco regular.

Mas, para além da modesta colaboração, desde há muitos anos que leio e admiro o “Diário dos Açores”.

A Redacção de “O Dever”, de que fui Editor e redactor, recebia “O Diário”, que o seu Director, o combativo jornalista Pe. Xavier Madruga, lia e admirava, mantendo com os seus Directores, os Irmãos Carreiros, como dizia, relações de simpatia e amizade. E do jornal me falava sempre que algo de interesse, para nós, nele se publicava.

E é por isso tudo, e algo mais que não interessa para aqui trazer, que cá me encontro, enquanto a Direcção e Redacção o entenderem. E, trazendo à liça a Redacção, não possa esquecer a figura carismática do Manuel Jorge que, durante muitos anos, tinha como sua casa a Redacção do Diário, onde sempre o encontrávamos a redigir uma notícia ou reportagem, ou a fazer a revisão cuidada dos linguados, que a Tipografia lhe trazia.

Recordei os falecidos que conheci. Que me desculpem os novos.

Nesta evocação saudosa, presto a minha homenagem respeitosa a quantos foram capazes de trazer até hoje este histórico e benemérito “Diário”, uma relíquia do Passado e um bastão valioso da Imprensa actual.

Longos e frutuosos anos de vida!


Vila das Lajes, Pico,

29 de Janeiro de 2010

Ermelindo Ávila

2 comentários:

Anónimo disse...

http://www.blog-br.com/mihistoriasdadiasney/

Antonio disse...

Bom Dia Sr. Ermelindo, sou brasileiro com origens na Ilha do Pico, e estou muito interessado em conhecer um pouco mais dessa fabulosa Ilha. Estava querendo, portanto, um email para que possa me contactar com o senhor. Desde já agradeço!! Fabricio de Avila
avilaferreira@hotmail.com