terça-feira, 19 de janeiro de 2010

SANTOS POPULARES

Para os lados da Ponta, desta Ilha do Pico, - e é o primitivo nome que lhe dá Frei Diogo das Chagas, - realizam-se no corrente mês as festas dos oragos das respectivas paróquias: Santo Amaro, Santo Antão e São Sebastião. E até o ditado popular diz com algum significado: “Se fores a Santo Amaro, vem por Santo Antão e não te esqueças de São Sebastião”. É que o primeiro é orago da freguesia do mesmo nome; o segundo, da jovem freguesia da Ribeirinha e o último da freguesia da Calheta de Nesquim. E embora se possam considerar festas menores, dada a época em que se celebravam, e ainda se celebram, pois o tempo de Inverno não permitia grandes deslocações – e isso quando não havia estrada nacional que ligasse aquelas freguesias, o que só acontece há cerca de sessenta nos – nem por isso as solenidades litúrgicas deixavam de ser realizadas, como ainda hoje, com o maior esplendor e com a participação de católicos das próprias localidades e das vizinhas.

No “Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores” que, segundo o Professor Doutor Teodoro de Matos, deve ter sido escrito entre 1646 e 1654, diz o seu autor, Frei Diogo das Chagas, que a freguesia de Santo Amaro era uma das treze freguesias já existentes na ilha do Pico, sendo seu vigário o Padre Pedro Ferreira Terroca.

Demais, Santo Amaro foi sempre uma das mais desenvolvidas freguesias da Ilha. Com a criação da primeira escola, em 9 de Dezembro de 1861, deixou de ter analfabetos, o que ainda hoje acontece. Ficou notável pelos seus estaleiros navais, donde saíram dezenas de traineiras, lanchas baleeiras e outros barcos incluindo as lanchas do Canal. Segundo o Cónego José Maria das Neves, de saudosa memória, dali natural, no seu trabalho “Para a História de Santo Amaro da Ilha do Pico”. O primeiro curato foi criado por decreto de 6 de Outubro de 1864, do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça, embora já existisse igreja paroquial.

A Ribeirinha, que é paróquia desde 1919, foi elevada a freguesia civil por decreto da Assembleia Regional de 15 de Setembro de 1980. No entanto, Gaspar Frutuoso, em “Saudades da Terra,” trabalho possivelmente escrito por volta de 1589, já refere uma freguesia da Ribeirinha na Ponta do Calhau Gordo, defronte de Nossa Senhora da Graça. Todavia a fazer fé por uma inscrição existente na sacristia da actual igreja, a mesma deve ter sido concluída em 1762. Como disse, tem por orago Santo Antão, patrono dos animais. Trata-se, na realidade, de uma das mais importantes localidades agro-pecuárias da ilha.

São Sebastião é venerado na igreja paroquial da Calheta de Nesquim, desde remota data. A actual igreja foi construída entre 185l e 1856, mas na localidade já devia ter existido uma igreja ou capela porque, segundo documento arquivado no Arquivo Paroquial, nela havia “uma riquíssima imagem do Glorioso São Sebastião” oferecida pelo benemérito faialense, José Inácio Pimentel.

Tem igualmente sua história a ermida de São Sebastião, existente na Ribeira do Meio da Vila das Lajes, na qual é celebrada anualmente a festa do titular.

Já anteriormente a 1592 existia uma primitiva ermida, no local hoje denominado “São Sebastião-o-velho”, no saínte do lugar da Almagreira, subúrbio desta vila das Lajes, pois nesse ano Bárbara Gaspar, natural da freguesia da Santíssima Trindade (actual Lajes do Pico), testava em favor daquela ermida.

Em 1709 o visitador João Baptista do Amaral esteve na ermida e achou-a incapaz para nela se exercer o culto. Certo que a ermida foi abandonada e acabou por ser demolida. Outra foi construída no lugar da Ribeira do Meio que, segundo Silveira de Macedo “História das Quatro Ilhas Que Formam o Distrito da Horta”, em 1871 a dita ermida se encontrava muito abandonada e apenas com a madeira em cima. Tanto assim que não consta da provisão da Visita Pastoral que Dom João Maria efectuou em 1875 a esta freguesia da Matriz.

Presentemente a ermida está reconstruída e devidamente conservada. O retábulo do altar foi construído e dourado há poucos anos e a respectiva festa de São Sebastião tem lugar no domingo quarto deste mês de Janeiro.

Na Almagreira foi construída, já no século passado, uma ermida dedicada a Santa Isabel, Rainha de Portugal. Nela se venera a imagem de Santo Antão, patrono dos lavradores e cuja festividade tem lugar no próximo domingo, 17 do corrente.

A terminar o ciclo festivo do corrente mês realiza-se na Calheta de Nesquim, outrora importante porto baleeiro, a festa de São Pedro Gonçalves, padroeiro dos Pescadores, que terá lugar no último domingo.

Vila das LAJES,

Janº de 2010

Ermelindo Ávila


Sem comentários: