NOTAS DO MEU CANTINHO
Melhor
seria: U-Boats nos Mares
dos Açores, pois é o
livro que Manuel Paulino Costa acaba de publicar e que hoje registo
com muito agrado. Um livro que faz a história da campanha dos
submarinos alemães nos mares dos Açores durante a segunda guerra
mundial (1939-1945) .
Para
quem acompanhou o desenrolar da terrível guerra que milhões de
vítimas fez nos campos de batalha, na perseguição à marinha
mercante e beligerante e nos horríveis campos de concentração,
este magnífico trabalho faz um pouco de historia da chamada guerra
submarina que tantas vidas ceifou.

E
depois acrescenta: “Os
campos de concentração, os fuzilamentos, os fornos crematórios, as
tropas SS, a Gestapo, etc. comportam a imagem terrífica do caos.”
Hitler
foi o mais bárbaro chefe de estado dos últimos séculos. Mas muitos
alemães acompanharam-no, não só por aceitarem a “bárbara
filosofa rácica Ariana”, como para desforrar o desastre sofrido na
primeira guerra (1914-1918)
“Com
a publicação do livro “U-boats nos mares dos Açores”
pretende-se relatar alguns dos acontecimentos ocorridos durante a
Batalha do Atlântico que deram origem a filmes, edições de livros,
notícias nos jornais açorianos, bem como contribuir com uma nova
versão para a viagem fatídica do submarino alemão U-581, que se
afundou na costa do Guindaste – Mirateca (Pico), após uma luta com
destroyers ingleses” (pág.12).
Um
dos sobreviventes do submarino esteve nesta vila das Lajes e na
Mirateca, em 18 de Outubro de 2011, como passageiro do navio de
turismo Bremen.
Visitou o Museu dos Baleeiros”(pág. 51).
O
Autor faz ainda referência a um outro combate, em 2 de Fevereiro de
1942, no canal Pico - São Jorge, entre o submarino alemão U-402, e
uma flotilha de destroyers ingleses que comboiava o navio de
transportes Langibby
Castle, depois de haver
reparado grossas avarias que sofrera ao ser bombardeado por aquele
submarino quando navegava a Norte dos Açores. (pág. 97).
Refiro
o alarme que houve na ilha do Pico com estes dois combates, de
lamentáveis recordações.
O
Autor regista também que o contra-torpedeiro Lima,
em viajem de Lisboa para Ponta Delgada, sobre comando do
Capitão-Tenente Sarmento Rodrigues, desviou o rumo para recolher os
náufragos do navio mercante inglês Roxburg-Castle,
que foi torpedeado pelo submarino alemão U-107, e levá-los para
Ponta Delgada. Foi nessa viagem de Lisboa para os Açores que o
contra-torpedeiro “Lima” foi atingido por tremendas tempestade.
Veja-se
o que diz, a propósito, o Tenente L. S. Gomes da tripulação do
Lima:
O navio erguia a proa com
esforço, estremecendo continuamente. Parecia estalar de encontro às
ondas que o empenavam, resfolgando os pulmões, o último arranque
pedido.”
(...)“Mas
uma vaga de maior dimensão ainda, eleva pela proa a unidade de
guerra, obriga-a a descer sobre bombordo com uma inclinação que
causa calafrios e quando toda a marinhagem esperava, fria como
mármore, ver o navio soerguer-se, uma nova vaga semelhante à
anterior, sem dar tempo de reequilíbrio, impele-o mais para a
bocarra imensa, pondo a descoberto todo o bombordo até à
quilha.”(1) E o autor
que venho de citar continua a tenebrosa narração, até que o navio
consegue soerguer-se. Ao terminar, o Tenente Gomes escreve: “Neste
barco o aparelho de medir a inclinação registou uma terrível
oscilação de oitenta graus, mas ergueu-se de novo. Não há memória
de um navio registar semelhante inclinação e sobrevier”. (2)
O
Autor de U-Boats nos Mares
dos Açores, referindo
este horrível acontecimento diz:” O navio era o destroyer
português N.R.P. “Lima” (D333) sob o comando do
Capitão-Tenente Manuel Maria Sarmento Rodrigues, em rota de Lisboa
para os Açores, em comissão de serviço SAR (Search and Rescue).”
(pág.92)
Sinceras
felicitações a Manuel Paulino Costa pelo excelente trabalho e pelo
serviço prestado à História e à Cultura açorianas.
__________
1)
Gomes, Leovigildo dos Santos Gomes (2º Tenente do Q.A.S.Naval) –
“Comissão no Arquipélago “ –(Episódio Marítimo durante a
guerra de 1939-1945)
2)
Ibidem
Engrade,
27-09-2012
Ermelindo
Ávila
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