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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

CAPELAS E ERMIDAS

NOTA DO MEU CANTINHO



A Ilha do Pico tem diversas capelas dedicadas aos mais diversos santos da devoção dos seus habitantes. E vem de longe essa devoção.
A primeira que ainda existe e foi a Paroquial dedicada a São Pedro, talvez porque esse era o nome do capelão que acompanhou os povoadores, Frei Pedro Alvarez Gigante, ainda se conserva e hoje é considerada imóvel de interesse nacional. (Falta-lhe, porém, a placa indicativa).
Frei Diogo das Chagas, o mais antigo historiador açoriano, embora a sua obra se tivesse conservado quase inédita até 1989, regista no “Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores”, escrito por volta de 1646, indica, que a ilha do Pico possuía já treze freguesias das quais quatro eram curatos: “Santa Luzia, Boa Nova nas Bandeiras, Nossa Senhora da Candelária e São João em que administra um dos dois Curas que havia nas Lagens.”
No Relatório de 1867, o governador civil Santa Rita, refere as ermidas com confrarias: Imaculada Conceição, no Cabo Branco; Santa Ana, no lugar do Pesqueiro; Benditas Almas, no lugar dos Toledos.
Nas Bandeiras, também havia três ermidas: Nossa Senhora do Desterro, no Cais do Mourato; Nossa Senhora dos Milagres, no Cachorro; e S. Caetano, no Cabeço Chão. Na Criação Velha, uma dedicada a N.ª Senhora do Rosário, ”que dá nome ao sítio onde está edificada”.
Na Candelária, havia duas ermidas: uma dedicada a Nª Senhora da Conceição, no porto e outra à Senhora da Boa Nova, no porto do Guindaste.
A paróquia de S. Mateus possuía três ermidas: Nª Senhora da Conceição, junto ao porto; de S. Jerónimo, ao pé do porto, e S. Caetano, no porto da Prainha do Galeão.
Nas Lajes havia a igreja da Misericórdia, já caída, a de S. Pedro e a dos Remédios, já bastante deteriorada, como refere o relatório.
Na Silveira, a de S. Bartolomeu; a de S. Sebastião, na Ribeira do Meio e a de Santa Catarina. Não faz referência à igreja ou ermida de Nª Senhora da Conceição por estar anexa ao convento franciscano, onde já funcionavam as repartições públicas.
Em São João exista, e recentemente foi completamente restaurada, a ermida de Santo António, que serviu de paroquial após as erupções vulcânicas de 1720. Havia uma outra ermida por fora da qual foi construída a actual igreja paroquial, começada em 1829.
Nas Ribeiras havia as ermidas do Bom Jesus, actual igreja paroquial de S.ta Cruz e a de Nossa Senhora do Socorro, em S.ta Bárbara.
Na Calheta não existia qualquer ermida, enquanto na Piedade havia três: a de S. Tomé, na Manhenha, de Santo Antão, na Ribeirinha, hoje igreja paroquial, e a da Conceição da Rocha, no sítio do Calhau.
S. Roque possuía duas ermidas: S. Miguel Arcanjo e Nossa Senhora das Dores. Além da paroquial tinha a igreja de São Pedro de Alcântara, anexa ao extinto convento franciscano. Existia a ermida da Misericórdia em completa ruína e que há muito desapareceu.
Em Santo Amaro não existiam ermidas. A Prainha tinha três ermidas: A da Senhora das Dores, na Areia do Mouro, a da Prainha de Cima e a de S. Pedro no lugar de S. Pedro.
Em Santo António a ermida de Santa Ana, situada no lugar do mesmo nome; a de S. Domingos, no lugar das Almas; a de S. Vicente, situada no Ginjal; a da Madre de Deus, erguida no Areal.
Em Santa Luzia registou a ermida da Senhora da Pureza, no sítio do Lajido e a de São Mateus, no sítio do Cabrito.
Uma parte das ermidas situava-se em lugares de veraneio, tinha património próprio e como protectores certos titulares da antiga nobreza.
Algumas das ermidas desapareceram e outras foram construídas como é o caso da ermida da Almagreira, dedicada à Rainha S.ta Isabel; a do Coração de Maria, edificada no lugar das Terras; a Nª. Senhora de Fátima nas Pontas Negras; a de S. João, na Ribeira Grande; a de S.to António, nos Fetais da Piedade; a de Nª Senhora da Boa Viagem no caminho de Baixo; nas Ribeiras, e uma outra com a mesma invocação no Caminho de Baixo das Ribeiras. A de São João Paulo II, da Engrade, do Cais do Galego, na Piedade, e de S. Pedro, na Baixa, na Ribeirinha.
No sitio da Mirateca foi há anos construída uma Capela dedicada a S. Nuno Alvares Pereira; e, em S. Mateus foi também construída uma ermida, no lugar das Relvas, dedicada a Nª Senhora da Alegria.

Lajes do Pico,
25 de Agosto de 2015

Ermelindo Ávila

sábado, 5 de outubro de 2013

ESTÂNCIAS DE VERANEIO

A MINHA NOTA

Ainda existem por esse Pico fora. Umas mais frequentadas do que outras, mas todas optimamente situadas em zonas de clima ameno e dispondo de boas “adegas” ou casas de veraneio. E é nesses sítios que, antes da ”despedida” para as residências próprias, os veraneantes promovem as festividades dos santos Padroeiros das respectivas ermidas que, em todo o Pico, se erguem e, cuidadosamente, são tratadas por zeladoras dedicadas.
Foram-se ou estão a terminar as festas de verão por estes sítios de lazer.
Realmente são as últimas deste Verão de 2013.
As que passaram, foram reconfortantes para quantos esperam para refazer forças gastas em trabalhos e canseiras de um ano nada ameno...
Para estes lados da Ponta, estão a terminar as lides da época. Toda a gente recolhe às adegas para acautelar o vasilhame que utilizou nas vindimas e preparar-se para a partida até às residências próprias: mas somente aqueles que não têm residência pelos lugares costeiros. É que a orla costeira da Ilha é toda constituída por lugares e sítios de veraneio, onde abundam as vinhas, nem que sejam as “americanas”.
O Pico está rodeado de sítios onde abundam as adegas ou casas de verão junto dos Currais de vinha, uma característica única em toda a ilha.
A Areia Larga era, ainda será?, uma estância de verameneio dos Faialenses. A testemunhá-lo ainda lá se encontra o solar dos Salemas. Mas outros mais por lá ficaram. Um pouco além, o Cais do Mourato, o Cachorro, o Lajido, o Cabrito, a Baía de Canas, o Canto de Santo Amaro, e, depois, a Baixa, o Cais do Galego, Calhau, a Manhenha, e por aí fora.
O mês de Setembro é o das festas da Piedade. No primeiro domingo deste mês, realizou-se a festa da Padroeira. Depois, no terceiro, é no Calhau a festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, numa ermida construída há poucos anos para, no último, se realizar a tradicional festa de Nossa Senhora das Mercês com que se fecha o ciclo festivo. E talvez por isso, é uma das mais concorridas, não apenas pelos habitantes da própria freguesia como por outros, vindos das freguesias limítrofes.
É no dia de Nossa Senhor das Mercês, que se venera na ermida de São Tomé, que se prova o vinho novo e se oferece aos visitantes. Uma tradição simpática, que ainda se mantêm, apesar das vinhas estarem em decadência. Nem todas são assistidas, por falta de mão de obra. Além disso as castas existentes são pouco produtivas e nada compensa a sua manutenção. Por aí vão aparecendo, nas grandes e médias “superfícies”, diversas marcas de vinhos importadas, e que os consumidores vão preferindo. A Izabela só com as “Sopas do Espírito Santo”... e pouco mais.
Os lugares de veraneio vão crescendo à volta do Pico. E refiro o lugar da Manhenha onde habitam, permanentemente, algumas dezenas de famílias. O mesmo no Calhau e na Baixa. E é por isso que, dando continuidade a uma religiosidade tradicional, também vai crescendo o número de ermidas. Há poucos anos foi restaurada, felizmente digo, a ermida de Nossa Senhora da Conceição da Rocha, no Calhau, que conta quase dois séculos de existência. E está em adiantada construção a ermida que vai ser dedicada ao Papa Beato João Paulo II.
O Governador Santa Rita, no seu relatório de 23 de Dezembro de 1867, faz referência a trinta e uma ermidas existentes no Pico, incluindo nelas as igrejas de São Pedro de Alcântara e de Nossa Senhora da Conceição dos antigos conventos franciscanos. Silveira de Macedo, na “História das Quatro Ilhas”, (1871), refere 27. Actualmente, a freguesia ou paróquia da Piedade, tem cinco ermidas: Fetais, Manhenha, Cais do Galego, Calhau (2) e a nova deste sítio da Engrade, onde já se encontram alguns moradores permanentes e o número de habitações, que há poucos anos mal chegava à meia dúzia, já vai passando das três dezenas.

Engrade,
25 de Setº de 2013.


Ermelindo Ávila