segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

MONTE DE SANTA CATARINA

O monte de S. Catarina, situado entre a Vila e a Ribeira do Meio, se contribuiu para a separação dos dois núcleos habitacionais, também teve o mérito de oferecer aos seus habitantes um lugar aprazível e um primoroso miradoiro onde, em tardes outonais, principalmente, se acolhiam os lajenses, para desfrutar um dos mais belos panoramas picoenses.
A ermida, de secular existência – e que foi objecto de demanda judicial, em tempos passados, porque o proprietário dos terrenos adjacentes reivindicou a sua propriedade quando ela sempre fora propriedade da Igreja, tanto assim que estava separada por um muro com portão, tendo acesso pela encosta, o que hoje, infelizmente, se não verifica; - a ermida permitia, do pequeno adro, uma visão larga para o oceano e montanha, que era regalo, e ainda hoje isso se verifica, para quantos ali subiam.
Magnificas tardes ali passei com alguns companheiros da juventude, que não mais esquecerei.
Actualmente, com as obras executadas na zona, – quartel dos Bombeiros, Campo de Jogos e Hipermercado – tudo se modificou. Está em ruínas o acesso pelo Oeste â ermida, onde se venera Santa Catarina, cuja festa ali se realiza anualmente com apreciável número de devotos .
Quando éramos crianças – eu e os meus irmãos – passávamos os serões do Inverno a ouvir uma tia-avó materna contar-nos “casos” e lendas que aprendera nos seus velhos tempos de menina e moça. E uma das lendas era a de Santa Catarina. Contava-a mais ou menos nestes termos:
Em tempos remotos apareceu na costa de São João uma bela imagem de Santa Catarina de Alexandria. Aqueles que a acharam trouxeram-na piedosamente para a igreja da Vila e aí ficou depositada. No dia seguinte a Imagem desapareceu do altar onde fora colocada. As pessoas afligiram-se e trataram de a procurar até que alguém a encontrou novamente nas costas de S. João. Voltaram a traze-lo mas ela no dia seguinte voltou a desapareceu e regressou ao primitivo lugar até que alguém se lembrou de construir uma pequena capela, num monte sobranceiro à Vila, para a guardar. Na capela ou ermida tiveram o cuidado de abrir uma janela, a permitir que a imagem, do novo altar, visse o lugar, lá ao longe, onde aparecera a primeira vez. E, ao longo dos tempos, se tem conserva a Imagem na sua Ermida…
Santa Catarina passou a ser invocada como protectora das doenças mentais ou de outras enfermidades da cabeça das pessoas. Certo é que, todos os anos, no dia da sua festa, aparecem, junto do respectivo altar, algumas cabeças de massa, em cumprimento de promessas.
O local onde se diz que apareceu a antiga Imagem, em São João, passou a denominar-se “Ponta de Santa Catarina”. Ainda se mantém? – Não sei.
Lenda ou facto histórico, a ermida ali está mas a primitiva imagem desapareceu, sendo substituída, no século passado, pela actual, realmente de uma beleza escultural pouco vulgar.
A ermida e a casa de veraneio foram legadas à Igreja pelos derradeiros herdeiros dos antigos proprietários. Os terrenos anexos, como atrás se diz, estão sendo ocupadas por três imóveis de interesse público. Em breve, ao que consta, será inaugurado o complexo desportivo. Uma obra notável que dignifica o Município, seu executor, e indispensável, sob diversos aspectos, ao desenvolvimento desportivo da juventude picoense, que não só lajense.
Em vias de conclusão está o edifício destinado ao hipermercado. Uma moderna estrutura que, depois de um acidente lamentável, chega ao fim e vai contribuir de certeza para o desenvolvimento comercial desta zona.
Resta fazer uma ligação condigna entre a Vila e a Ribeira do Meio, para que os dois sítios, unidos territorialmente, possam progredir com acerto e eficiência.
E, para que isso se verifique, é indispensável dar uma ocupação útil aos edifícios do antigo matadouro e igualmente da central eléctrica. Este, segundo creio, pertence de direito à Câmara Municipal e nele poderia ser instalado qualquer serviço de utilidade local, como, v.g., o arquivo municipal. E porque não transformar o edifício do matadouro num estabelecimento hoteleiro?
Há que lhe dar uma ocupação condigna e capaz de servir os interesses lajenses. Dizem que o Turismo não se desenvolve por falta de camas. Não será a ocasião própria para ali se construir um hotel de três ou quatro estrelas?
A quem de direito, fica o repto.
Vila das Lajes,
21 de Novº. de 2007
Ermelindo Ávila

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