sábado, 6 de fevereiro de 2010

Nos 140 anos do DIÁRIO DOS AÇORES


IMPRENSA AÇORIANA

Tenho muito respeito e admiração pela Imprensa. Julgo que é uma das invenções mais brilhantes da humanidade. Por ela se transmitem ideias, as próprias ciências, se cultiva a literatura e se propagam as descobertas científicas.

Processos modernos parece que vão suplantar a imprensa e fazê-la esquecer. Não estou de acordo, pois os jornais e os livros são o meio mais seguro de transmitir a todos, que não somente a um escol, as ideias e os acontecimentos do dia-a-dia.

É por isso que considero o século XIX o mais brilhante no aspecto da cultura literária, principalmente pela divulgação da Imprensa e pela publicação dos inúmeros periódicos, alguns dos quais chegaram a nossos dias e aí estão a exercer com brilho e dedicação a sua actividade formativa e informativa.

Entre esses está o “DIÁRIO DOS AÇORES”, um dos mais antigos jornais portugueses e o segundo açoriano, com o extraordinário mérito de aqui chegar sempre trazido pela mesma família do Fundador Manuel Augusto TAVARES RESENDES.

Em 5 de Fevereiro de 1870, apareceu, na cidade de Ponta Delgada, o “Diário dos Açores”, cuja história é, de facto, brilhante, pela sua acção em prol dos interesses deste arquipélago e, em especial, desta ilha de São Miguel”. Isto nos informa o saudoso jornalista, professor Manuel Jacinto de Andrade no seu magnifico livro “Jornais Centenários dos Açores”- 1994.

Está , pois, “O Diário dos Açores”, a celebrar os cento e quarenta anos de existência. Um acontecimento ímpar que bem merece ser assinalado, não apenas com um número especial, mas com outros feitos promovidos pelos responsáveis políticos e governativos. O “Diário dos Açores” constitui hoje um padrão memorável, onde está arquivada toda a História de São Miguel e dos Açores, igualmente, pois todos os acontecimentos ocorridos durante quase século e meio estão arquivados nas suas páginas.
Estou a colaborar no Diário, como é vulgarmente conhecido, porque um acidente de aviação aconteceu nesta ilha do Pico. Um aviador americano transportava dos Estados Unidos para a Europa um pequeno avião e, julgando estar próximo do aeroporto de Santa Maria, acabou por “aterrar”, durante a noite, na mata do Mistério de Santa Luzia. O certo é que ficou ileso e, no dia seguinte, apareceu na Câmara Municipal da Madalena, onde me encontrava em serviço, a pedir informações. Estávamos na década de sessenta do século passado. Tive com ele os primeiros contactos. Entretanto, a notícia espalhou-se pelo mundo e os telefonemas, com pedidos de informação, não pararam de chegar à minha secretária. Entre eles um do Dr. Manuel Carreiro, Director do “Diário dos Açores” que, durante alguns dias, telefonou a saber pormenores do acontecimento. E, quando o caso estava arrumado, convidou-me para colaborar no seu jornal. E isso aconteceu até à revolução de Abril.

Mais tarde, e com os falecimentos dos irmãos Dr. Manuel e Dr. Carlos Carreiro, assumiu a direcção executiva o excelente e saudoso Amigo J. Silva Júnior que, ao assumir as funções, se lembrou de me convidar para voltar a colaborar. E foi então que, a partir de 1982, para cá voltei e cá me encontro, embora com uma colaboração incipiente e pouco regular.

Mas, para além da modesta colaboração, desde há muitos anos que leio e admiro o “Diário dos Açores”.

A Redacção de “O Dever”, de que fui Editor e redactor, recebia “O Diário”, que o seu Director, o combativo jornalista Pe. Xavier Madruga, lia e admirava, mantendo com os seus Directores, os Irmãos Carreiros, como dizia, relações de simpatia e amizade. E do jornal me falava sempre que algo de interesse, para nós, nele se publicava.

E é por isso tudo, e algo mais que não interessa para aqui trazer, que cá me encontro, enquanto a Direcção e Redacção o entenderem. E, trazendo à liça a Redacção, não possa esquecer a figura carismática do Manuel Jorge que, durante muitos anos, tinha como sua casa a Redacção do Diário, onde sempre o encontrávamos a redigir uma notícia ou reportagem, ou a fazer a revisão cuidada dos linguados, que a Tipografia lhe trazia.

Recordei os falecidos que conheci. Que me desculpem os novos.

Nesta evocação saudosa, presto a minha homenagem respeitosa a quantos foram capazes de trazer até hoje este histórico e benemérito “Diário”, uma relíquia do Passado e um bastão valioso da Imprensa actual.

Longos e frutuosos anos de vida!


Vila das Lajes, Pico,

29 de Janeiro de 2010

Ermelindo Ávila

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A PRAÇA DA VILA

NOTAS DO MEU CANTINHO

Nos primeiros decénios do século passado, a Praça era o principal lugar da Vila. Ali se realizavam os actos oficiais, os arraiais e outras festas públicas. A entrada da Vila, pelo Norte, era má pois a Ladeira, hoje Rua de São Francisco, encontrava-se no seu estado primitivo, torta e de piso irregular.

As Câmaras de então procuraram resolver o mais razoável possível a precária situação, promovendo a construção dos muros laterais e a pavimentação. Depois foi a construção do antigo “Largo das Casas Velhas” que antes, se limitava ao espaço entre a casa do António Laureano e as velhas casas, onde Edmundo Machado Ávila veio a construir os seus prédios. Traçada assim uma rua, a ligar a antiga rua da Pesqueira com a ladeira de São Francisco, fez-se desaparecer as ruínas da velha casa existente, transformando todo o espaço em largo. E foi aí que a Câmara Municipal, em 1940, mandou construir o actual Cruzeiro, a comemorar o Duplo Centenário da Independência e Restauração de Portugal.

Com as obras de reconstrução da muralha de defesa da vila, em 1936, procedeu-se ao alargamento do largo da Pesqueira, a permitir uma melhor varagem das canoas baleeiras e barcos de pesca artesanal.

Com a construção do largo do Cruzeiro, que então tomou a denominação de “Largo Vigário Gonçalo de Lemos”, que foi pároco da Matriz desta vila, e a quem Filipe de Castela mandou confiscar os bens por ser partidário de Dom António, Prior do Crato, o movimento da vila passou a centrar-se naquele sítio, fazendo-se ali, a paragem das camionetas da carreira. Ali se realizava o arraial da Festa de Lourdes. Durante muitos anos a população, na época estival, passava as noites, utilizando os bancos que a Câmara mandara instalar ao redor do Cruzeiro.

Mas, como nada se mantém e tudo se modifica, feitos diversos arranjos no sítio onde estava a casa da Pesqueira (que foi recentemente demolida), e as instalações do Whale Watching, hoje é por ali que param os veraneantes e turistas, gozando da brisa marinha e da bela inconfundível vista que a Montanha, em dias de luar, a todos oferece. Realmente, o panorama da Baia das Lajes não tem igual por estes lados...

Dest’arte desapareceu o movimento urbano do antigo “Meio da Vila”. Apenas nele se realiza anualmente o “Império de São Pedro”.

Mas, esta praça tem sua história, porque era ali que estava a antiga Casa da Câmara, cujo local está transformado em largo, bem como as casas que existiam a Sul, pertencentes a Francisco Silva e às irmãs do P. Teodoro, no lado Norte da antiga Matriz, e que foram demolidas, estas pela construção da Matriz nova e a do Silva para alargar o adro em frente. Quando na Horta se procedeu à electrificação da cidade, a respectiva municipalidade ofereceu à Câmara desta Vila, um candeeiro em ferro, com cerca de cinco metros de altura, que foi implantado no meio da praça, e que passou a ser iluminado a petróleo, até que um doente mental destruiu os candeeiros de iluminação da vila. Mais tarde, com a instalação da luz eléctrica, em 1932, o candeeiro foi electrificado mas, com a alteração da iluminação pública, entrou em desuso, sendo depois retirado e “exumado” junto ao muro da orla marítima...

Todavia, há que realçar que é neste largo, antiga praça da vila, que ainda existem os melhores prédios urbanos, que pertenceram aos antigos morgados, à Família Lacerda, ao Comendador Homem da Costa, às Famílias Castros e Machado Soares. Em ruínas está a que pertenceu a João Pereira de Lacerda e que foi construída nos finais do século XVIII, conhecida por a casa da “ Maricas do Tomé”

E basta por hoje.


Vila das Lajes,

19 de Janº- de 2010

Ermelindo Ávila


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Quintas-feiras de amigos e de comadres

Na passada quinta-feira era tradicional os amigos reunirem-se em ágape festivo para dar início à temporada do Carnaval. Daí o chamar-se ”Quinta-feira de amigos”. Depois vinha a “quinta-feira de Amigas”, a seguir a de “Compadres” e por último, e antes do Domingo do Carnaval ou Entrudo, a “Quinta-feira de comadres”. Uma época, afinal, que não permite festividades externas, pois está-se na estação invernosa, e que dura tem sido no ano corrente, com frio, chuvas intensas, e o Pico esbranquiçado de neve, o que não deixa de ser espectáculo agradável para aqueles que por cá vivem.

Como disse, o inverno continua a querer quebrar-nos os ossos, como se diz, mas as festas carnavalescas foram e estão no esquecimento. Os compadres vão desaparecendo pois os actos que os exigiam pouco se realizam, e outros os vão substituindo.

Os “mascarados” quase sempre de inocentes invocações, já não aparecem. As casas que os recebiam foram encerradas, mercê de causas diversas. A juventude de outrora, de são e correctos costumes, desapareceu.

Agora os novos procuram as “boites”, normalmente a partir da madrugada do dia seguinte. E vão longe, com certeza para estarem afastados da família e puderem viver esses momentos de alforria mais livremente.

As antigas ceias, onde se provavam as primeiras linguiças e o bom vinho da colheita desse ano, passaram ao esquecimento. E nem as “fatias douradas” ou as filhós aparecem. Foram substituídas por outros doces ou acepipes. Já não se usa a aguardente caseira – de vinho ou de figo – mas o brandy, e a “angelica” deu lugar ao “Whisky”.Tudo diferente. Tudo modernizado.

Desapareceram os tocadores da chamada “viola da terra”, e os cantadores que, por vezes, improvisavam famosas quadras de humor. O mesmo com os bailes regionais, somente usados nos poucos “ranchos folclóricos”, que, ainda existem, normalmente para animar festas de carácter oficial.

Vivemos uma época diferente que procura esquecer o passado e dá lugar a inovações que pouco têm de artísticas. Mas são os tempos e com eles nos temos de conformar.

Porém, tenho alguma pena que as quintas-feiras que antecedem o Carnaval não sejam lembradas em reuniões de família e de amigos, como era habitual.

E por aqui me fico recordando uma juventude muito distante mas que era despreocupada e feliz. Vamos com os tempos...

Bom dia!

(Programa Manhãs de Sábado de 23-01-10)

Vila das Lajes.

19 de Janeiro de 2010

Ermelindo Ávila


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

PATRIMÓNIO CONCELHIO

NOTAS DO MEU CANTINHO


Não será muito volumoso mas aqui e ali encontram-se prédios que, pela sua antiguidade e linhas singelas da sua construção, bem merecem uma atenção especial das entidades encarregadas da perseveração do património concelhio.

A vila das Lajes, como sede que sempre foi do concelho, primeiro único na ilha, depois subdividido pelos outros dois actualmente existentes, possui dos melhores e mais antigos prédios, alguns em autêntica degradação e que urge recuperar, como símbolos ou monumentos de um passado histórico que importa acautelar.

Aliás é o que vemos por esse pais fora, quer no continente quer nas ilhas. Por todos os lados há um despertar de cuidados e atenções para com os antigos prédios, não se permitindo, felizmente, a sua alteração ou destruição.

Por aqui nem sempre tem havido esse cuidado, do que resultou o desaparecimento de imóveis de valor e interesse arquitectónico, que marcavam uma época e eram sinais históricos de uma terra que conta mais de cinco séculos de existência.

Na antiga Rua Direita, hoje rua do Capitão-Mór Garcia Gonçalves Madruga, ainda existem imóveis, embora em degradação, que são seculares e assinalam uma época. Um deles conta mais de três séculos de existência. Pertenceu a Pedro Pereira Madruga e sempre andou na própria família até que, por razões várias, foi vendido a um estranho, em meados do século passado, e que acabou por abandona-lo.

As paredes são de quase metro de largura. Tem uma varanda corrida a abranger duas janelas a qual era ladeada por janelas de guilhotina, uma das quais, por virtude de heranças, foi incorporada no prédio contíguo e acabou por ser retirada. E foi pena que assim ficasse mutilada a antiga moradia. O beiral era de madeira e cobria toda a varanda ou ralos, como era designado, devendo ter um saimento superior a meio metro. Ainda se conserva mas substituído por beiral de cimento, embora com a mesma saída ou largura.

Naquela casa viveram dois dos filhos do casal, um que era sacerdote e o outro frade egresso do convento franciscano , cuja ordem foi extinta por decreto de Dom Pedro, promulgado, em Ponta Delgada, em 17 de Abril de 1832.

Mesmo assim como se encontra, porque se trata de um dos raros imóveis com tanta antiguidade,- merecia ser classificado de interesse concelhio e devidamente recuperado.

Presentemente não tenho qualquer interesse pessoal que me ligue àquela casa, embora nela tenha nascido e passado os melhores anos da minha adolescência e juventude. Mas, como se pode imaginar, custa-me vê-la abandonada e a ruir, sem que alguém lhe acuda.

E como ela outros mais prédios por aí existem a reclamar um olhar de atenção de quem tem a responsabilidade de velar pelo nosso património, qualquer que seja a sua natureza.

Conservar os bens patrimoniais é um gesto honroso que só manifesta amor pela cultura mesmo que ela seja singela ou popular. E está-se a tempo de algo fazer nesse sentido.

Urge, pois, acudir, enquanto é tempo, àquele e a outros imóveis, como é o caso da antiga “Pensão Velha”, para não lembrar a “Casa da Maricas do Tomé” – um verdadeiro escarro no centro da Vila - evitando-se que o camartelo os reduza a simples escombros. E já não falo, por agora, no que está a acontecer para os lados de São Pedro... Destruir o Património imobiliário da vila é privá-la do seu valor histórico e cultural. Afinal, passar ao esquecimento o seu passado de cinco séculos.


Vila das Lajes,

13 de Janeiro de 2010

Ermelindo Ávila

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ESTRADAS DA ILHA DO PICO

No mês de Dezembro passado esteve nesta ilha o Secretário Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, Doutor José Contente, a fim de inaugurar, na sede da Sociedade Filarmónica Liberdade Lajense, uma exposição fotográfica sobre o ”Passado... Presente... História das Estradas do Pico”.

A exposição, algo simples, não deixou de ser reveladora do trabalho desenvolvido nas últimas décadas, nesta ilha, e que na realidade merece ser posto em relevo. No entanto, indicando-se que o evento abrange os anos 1940 a 2009, pouco se mostra da última metade do século XX. É que, realmente, as Estradas do Pico têm uma história como qualquer outro empreendimento público. Se não, vejamos:

“Por Alvará, passado em 30 de Outubro de 1506 – a ilha estava habitada há cerca de cinquenta anos, provavelmente, - foram autorizados os juízes pedâneos a darem um caminho, da largura de 4 braças, da Cruz que está a caminho da Almagreira para a Ribeira do Cabo”. (Espelho Cristalino, pág-510).

E Lacerda Machado, autor da “História do Concelho das Lages”, a páginas 124 escreve: “...uma das primeiras preocupações dos colonizadores foi ligar a Vila com o porto da futura freguesia da Madalena, antevendo desde logo, que o verdadeiro porto, para exportação, seria o da Horta.

Quem conhece a morosidade ritual das obras públicas, enche-se de pasmo perante a actividade prodigiosa com que o reduzido número dos primeiros povoadores conseguiu, em poucos anos, realizar tal intento, construindo o caminho dos ilhéus que, prolongado, deu a volta completa à ilha

E o mesmo historiador refere, em1936, que, “passados quase cinco séculos de dízimos, fintas e contribuições, com o respectivo cortejo dos sucessivos adicionais, é ainda o caminho feito pelos infatigáveis colonizadores de Fernando Alvares o único que serve grande parte da ilha, a partir mesmo da vila, da ermida de S. Pedro para a Piedade...”

No entanto, sabe-se que, por insistentes apelos daquele distinto Lajense junto do Ministro Duarte Pacheco, os trabalhos de construção daquela estrada – Lajes - Piedade – foram iniciados no dia 1 de Abril de 1939 e concluídos em 1943. A estrada foi inaugurada em 28 de Maio de 1943. Foi seu empreiteiro a firma Orey Antunes, de Lisboa.

Nos finais dos anos quarenta, o empreiteiro continental Domingues deu início à construção da estrada Piedade - Prainha do Norte, ficando concluído o circuito da volta à Ilha. Em 1950 iniciou-se a construção da estrada Lajes - Corre Água e, depois, deste local até São Roque. No tempo da sua construção correu que a estrada foi mandada construir para encurtar a distância entre as duas vila, justificando-se assim a extinção, que antes se havia verificado, do Julgado Municipal das Lajes.

A seguir veio a construção da chamada estrada longitudinal que ligou o “Corre - Água”, nos matos das Lajes, à Madalena.

Informa ainda Lacerda Machado, na obra citada, que, “...em meu tempo uma parte insignificantíssima do caminho dos ilhéus, os míseros quilómetros compreendidos entre S. João e Lajes (cerca de 10 quilómetros) a que se chama a estrada nova (curioso que o troço de estrada que atravessa a Ribeira do Meio ainda conserva essa designação de caminho novo),andaram em construção durante cerca de trinta anos!”

No entanto, há que registar que as pontes da Estrada Lajes-Madalena foram construídas, na Ribeira do Meio, a de Fernão Alvares (ou da Burra) em 1877, e a do Touril em 1879.

Ambas em pedra lavrada e ainda hoje a patentear a nobreza da arquitectura e a beleza e segurança da construção.

De realçar a rede de estradas e caminhos vicinais construídos no interior da ilha, na década de cinquenta, pelos Serviços Florestais da direcção do Engenheiro Manuel José de Simas, e que vieram permitir um intenso aproveitamento dos terrenos baldios e o desenvolvimento das actividades agro-pecuárias. Além disso é de relevar, o inestimável e valioso interesse turístico.

Mas as dificuldades surgidas na construção das estradas nacionais, nesta ilha, não são somente aquelas de que fala o General Lacerda Machado. Posteriormente outras mais houve que não trago para aqui para não alongar a crónica.


Vila das Lajes, 7 de Janeiro de 2010

Ermelindo Ávila

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

SANTOS POPULARES

Para os lados da Ponta, desta Ilha do Pico, - e é o primitivo nome que lhe dá Frei Diogo das Chagas, - realizam-se no corrente mês as festas dos oragos das respectivas paróquias: Santo Amaro, Santo Antão e São Sebastião. E até o ditado popular diz com algum significado: “Se fores a Santo Amaro, vem por Santo Antão e não te esqueças de São Sebastião”. É que o primeiro é orago da freguesia do mesmo nome; o segundo, da jovem freguesia da Ribeirinha e o último da freguesia da Calheta de Nesquim. E embora se possam considerar festas menores, dada a época em que se celebravam, e ainda se celebram, pois o tempo de Inverno não permitia grandes deslocações – e isso quando não havia estrada nacional que ligasse aquelas freguesias, o que só acontece há cerca de sessenta nos – nem por isso as solenidades litúrgicas deixavam de ser realizadas, como ainda hoje, com o maior esplendor e com a participação de católicos das próprias localidades e das vizinhas.

No “Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores” que, segundo o Professor Doutor Teodoro de Matos, deve ter sido escrito entre 1646 e 1654, diz o seu autor, Frei Diogo das Chagas, que a freguesia de Santo Amaro era uma das treze freguesias já existentes na ilha do Pico, sendo seu vigário o Padre Pedro Ferreira Terroca.

Demais, Santo Amaro foi sempre uma das mais desenvolvidas freguesias da Ilha. Com a criação da primeira escola, em 9 de Dezembro de 1861, deixou de ter analfabetos, o que ainda hoje acontece. Ficou notável pelos seus estaleiros navais, donde saíram dezenas de traineiras, lanchas baleeiras e outros barcos incluindo as lanchas do Canal. Segundo o Cónego José Maria das Neves, de saudosa memória, dali natural, no seu trabalho “Para a História de Santo Amaro da Ilha do Pico”. O primeiro curato foi criado por decreto de 6 de Outubro de 1864, do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça, embora já existisse igreja paroquial.

A Ribeirinha, que é paróquia desde 1919, foi elevada a freguesia civil por decreto da Assembleia Regional de 15 de Setembro de 1980. No entanto, Gaspar Frutuoso, em “Saudades da Terra,” trabalho possivelmente escrito por volta de 1589, já refere uma freguesia da Ribeirinha na Ponta do Calhau Gordo, defronte de Nossa Senhora da Graça. Todavia a fazer fé por uma inscrição existente na sacristia da actual igreja, a mesma deve ter sido concluída em 1762. Como disse, tem por orago Santo Antão, patrono dos animais. Trata-se, na realidade, de uma das mais importantes localidades agro-pecuárias da ilha.

São Sebastião é venerado na igreja paroquial da Calheta de Nesquim, desde remota data. A actual igreja foi construída entre 185l e 1856, mas na localidade já devia ter existido uma igreja ou capela porque, segundo documento arquivado no Arquivo Paroquial, nela havia “uma riquíssima imagem do Glorioso São Sebastião” oferecida pelo benemérito faialense, José Inácio Pimentel.

Tem igualmente sua história a ermida de São Sebastião, existente na Ribeira do Meio da Vila das Lajes, na qual é celebrada anualmente a festa do titular.

Já anteriormente a 1592 existia uma primitiva ermida, no local hoje denominado “São Sebastião-o-velho”, no saínte do lugar da Almagreira, subúrbio desta vila das Lajes, pois nesse ano Bárbara Gaspar, natural da freguesia da Santíssima Trindade (actual Lajes do Pico), testava em favor daquela ermida.

Em 1709 o visitador João Baptista do Amaral esteve na ermida e achou-a incapaz para nela se exercer o culto. Certo que a ermida foi abandonada e acabou por ser demolida. Outra foi construída no lugar da Ribeira do Meio que, segundo Silveira de Macedo “História das Quatro Ilhas Que Formam o Distrito da Horta”, em 1871 a dita ermida se encontrava muito abandonada e apenas com a madeira em cima. Tanto assim que não consta da provisão da Visita Pastoral que Dom João Maria efectuou em 1875 a esta freguesia da Matriz.

Presentemente a ermida está reconstruída e devidamente conservada. O retábulo do altar foi construído e dourado há poucos anos e a respectiva festa de São Sebastião tem lugar no domingo quarto deste mês de Janeiro.

Na Almagreira foi construída, já no século passado, uma ermida dedicada a Santa Isabel, Rainha de Portugal. Nela se venera a imagem de Santo Antão, patrono dos lavradores e cuja festividade tem lugar no próximo domingo, 17 do corrente.

A terminar o ciclo festivo do corrente mês realiza-se na Calheta de Nesquim, outrora importante porto baleeiro, a festa de São Pedro Gonçalves, padroeiro dos Pescadores, que terá lugar no último domingo.

Vila das LAJES,

Janº de 2010

Ermelindo Ávila


sábado, 9 de janeiro de 2010

SERVIÇOS PÚBLICOS

Estão concluídos os trabalhos de restauro do edifício da Delegação Marítima das Lajes do Pico. Há muito que se impunha a sua restauração, uma vez que aquele excelente edifício, quase abandonado, ia caindo em degradação.

Felizmente que a entidade proprietária lhe acudiu a tempo e julga-se que os serviços respectivos terão melhor assiduidade, uma vez que vai aumentando, como se verificou no último verão, a frequência do porto, com a instalação da marinha (querem que seja somente porto de recreio). Até já estão a aparecer por aí embarcações estrangeiras. E o edifício não é velho. Julgo que nem deve contar cinquenta anos...

Outro edifício, igualmente propriedade do Estado (já terá sido transferido para a Região?), está abandonado e qualquer dia faz companhia a outros que para aí estão em ruínas. De quem será a responsabilidade? O chamado edifício da Alfandega foi adquirido pelo Estado na década de trinta do século passado, para a instalação dos serviços do Posto de Despacho que, então, funcionavam nesta vila. Com o cancelamento das viagens do navio “Lima” e concentração de todo o serviço portuário no Cais do Pico, foram os serviços transferidos ou concentrados naquela vila e a casa entregue à secção da Guarda Fiscal, cujos guardas por aqui ficaram ainda por alguns anos. Mas também esses serviços, que aqui existiam há quase dois séculos, foram encerrados. Ainda chegaram a ocupá-lo alguns elementos da Guarda Republicana que entretanto se instalara na ilha. Entretanto esses serviços também desapareceram e foi retirada, do frontispício, a placa que indicava a sua função oficial.

Trata-se, afinal, de um bom edifício, situado no centro da Vila, com uma fachada nobre e que foi pertença de uma das antigas famílias brasonadas das Lajes.

Mas isso não importa. O que interessa é que o antigo edifício da Alfandega, como ainda é conhecido, seja recuperado e utilizado por qualquer serviço público ou entregue a quem lhe dê ocupação condigna: a Repartição de Finanças, os serviços regionais das Obras Públicas e da Agricultura, ou outros quaisquer que o zelem convenientemente. Assim, é um verdadeiro atentado ao Património da Vila, que primeira foi nesta Ilha.

Em 1936 um violento ciclone assolou as Lajes, destruindo a muralha que circundava a Lagoa. Aquela zona da vila ficou em perigo eminente e houve que proceder imediatamente à reconstrução. Assim o entendeu o Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, que ordenou ao director das Obras Públicas, no tempo o Engenheiro Ângelo Corbal, um dos mais conceituados técnicos de então especializado em obras hidráulicas, para iniciar imediatamente os trabalhos de reconstrução, dotando-os com uma verba inicial de quinhentos contos. O projecto foi simultaneamente elaborado para conclusão dos trabalhos de construção e o respectivo orçamento ascendeu a cerca de mil contos.

O encarregado geral da obra veio do Faial, e aqui recrutou pessoal pedreiro e operário. Chegou a ter uma folha de salários com mais de cem trabalhadores. Uma ajuda importante na economia local pois, até então, só trabalhos agrícolas ocupavam mão-de-obra.

Para apoio às obras vieram, também, da Horta carpinteiros e ferreiros, mas não tinham onde instalar-se, razão pela qual foi necessário construir um barracão, com duas divisões. Para o forro do tecto utilizaram-se as aduelas dos barris que traziam o cimento, como era usual na época. O barracão, de construção ligeira, embora segura, e que era para ser retirado no final das obras, acabou por ficar. Já lá vão mais de setenta anos! Os Serviços do Estado têm-no mantido e agora estão ali instalados, sem qualquer conforto, Serviços Agro-pecuários e das Obras Públicas Regionais. Um espaço nada dignificante e que não dispõe das condições indispensáveis a um bom e eficiente serviço público. É tempo de algo ser feito para a dignificação dos próprios serviços. Verdade que esses serviços podiam ser instalados no edifício da Alfandega já que, nesta vila, a Região procura, ao que parece, evitar a construção de instalações condignas para os próprios Serviços como, aliás, promove nas outras vilas picoenses. O espaço ocupado do antigo barracão do Estado, que à Câmara pertence, podia ter outra ocupação como, v..g., as instalações de um mercado agrícola, evitando-se a importação de primores agrícolas e outros produtos.

Tudo isto já foi aqui dito sem que as entidades competentes lhe dessem a devida atenção e acolhimento. É pena...

E se tal não for conseguido, sendo o edifício da Alfandega um imóvel desocupado, julgo ter o Governo Regional competência legal, para requisitar a transferência da propriedade para a Região e, depois, dar-lhe o destino mais conducente com as suas capacidades. Mas saberão os Serviços Regionais que este imóvel existe?

Vila das Lajes, 2 /1/2010

Ermelindo Ávila


sábado, 2 de janeiro de 2010

DEUS SUPER OMNIA!

Voltou-se a última folha do calendário de 2009. Nem todos se convencem que já passaram dez anos sobre a entrada do terceiro milénio da era cristã, afinal aquela que segue toda a humanidade civilizada.

Parece que foi numa época muito remota que os portugueses atravessaram os oceanos, e foram descobriram terras do Além-Mar; terras que civilizaram e cristianizaram. Construíram cidades. Levantaram monumentos. Civilizaram os povos. Estabeleceram indústrias. Instalaram o comércio. Transformaram, em bem dizer, terras selvagens em nações ricas e prósperas, muito embora se verifiquem, aqui e ali, algumas anomalias, pois sabe-se que a obra do homem é sujeita a erro. “Errare humanum est” .

Vamos entrar no décimo ano do terceiro milénio. Uma nuvem espessa paira no horizonte da vida. Um período tenebroso e sombrio aguarda a humanidade . É que não é impunemente que os tempos actuais são uma repetição de Dilúvio, e de Sodoma e Gomorra. E as calamidades não têm faltado, muito embora o Deus dos Céus e da Terra haja declarado: não mais criatura alguma será exterminada pelas águas do dilúvio e não haverá mais outro dilúvio para destruir a terra. Mas não disse que jamais castigaria o homem pelos actos de insubordinação e malvadez. Deixou-o em liberdade.

Cumpre pois ao homem preparar o seu futuro, dos filhos e da própria sociedade a que pertence. Deve fazê-lo com dignidade e interesse.

E deixo aqui o meus votos de um ano feliz. De um futuro risonho, próspero e feliz para toda a humanidade, para Portugal, para os Açores, para a Ilha do Pico, e, parafraseando um dito célebre de um antigo colega, para esta minha terra que tanto ano e à qual sempre me dediquei.

Desejava vê-la progredir, desenvolver-se, ter uma economia estável e um futuro de progresso e bem-estar. E quem diz a terra diz especialmente os seus habitantes, aqueles que aqui nasceram ou aqueles outros que, por circunstâncias diversas aqui se radicaram.

Que todos vivam irmãmente, acabando com as questiúnculas e as desavenças. Que não mais haja outros Cains a destruir Abel, porque todos são irmãos dos mesmos pais.

Que a fome e as guerras não mais ataquem a humanidade e que todos, novos e velhos, possam viver em paz, alegria e amor, são os votos que aqui deixo neste segundo dia do décimo ano do terceiro milénio. E como diziam os antigos almanaques no juízo do ano, também repito:

DEUS SUPER OMNIA!

MANHÃS DE SÁBADO 2 -01-2010

Vila das Lajes, 28 de Dezembro de 2009

Ermelindo Ávila


quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

CRÓNICA NATALÍCIA

Chegados somos ao Natal. Uma época diferente em que se deseja viver com alegria, paz e conforto.

Nem todos, porém, vêem esse prazer satisfeito por razões as mais díspares. Algumas delas bastante angustiosas e tristes.

Mas, deixemos esse recordar de tristezas e passemos ao Natal. Um Natal que muitos nem sabem o significado real. E é bem simples: a comemoração do aniversário de Jesus Menino, num estábulo dos arredores da cidade de Belém, há 2009 anos!

Isaías havia anunciado: “Brotará uma vara do trono de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de temor do Senhor... Julgará os pobres com justiça e com equidade os humildes da terra...”

O Evangelista Lucas, por seu lado, narra: ”José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da Casa de David, afim de recensear-se com Maria, sua mulher, que se encontrava grávida. E, quando ali se encontravam, completaram-se os dias de dar à luz, e teve o seu filho primogénito (e único) que envolveu em panos e recostou numa manjedoira, por não haver lugar para eles na hospedaria.”

Entretanto, o Anjo do Senhor apareceu aos pastores da região e anunciou-lhes o nascimento do Salvador, que é o Messias, o Senhor.

E uma multidão do exército celeste juntou-se ao Anjo, cantando: GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DO SEU AGRADO.

Este o relato evangélico.

Durante muitos anos, talvez séculos, o aniversário do maior acontecimento da humanidade andou quase esquecido, embora a Igreja, desde os seus primórdios, o recordasse na celebração eucarística da Grande Noite.

Aqui vale a pena recordar São Francisco de Assis, o verdadeiro instituidor do Presépio. Assim o descreve o escritor Agostinho das Silva, em vida de Francisco de Assis: ”Perto de Greccio passou a noite de Natal; e tão grande era o seu desejo de Jesus, de tal modo a figura do Mestre lhe enchia os sonhos e a vida que decidiu adorar o Menino, como outros pobres tinham feito na remota noite de Belém; arranjaram-lhe os amigos uma gruta à maneira de estábulo, com manjedoira em que comia um boi e um jumento; mais abaixo, numas palhas, estava deitada a imagem do Menino; à roda as velas lançavam a sua claridade, doce, trémula, enquanto num altar, ao fundo, um padre dizia missa.” Era o primeiro Presépio. (S. Francisco de Assis viveu entre 1182 e 1225.)

O Presépio é a recordação mais sensível e cristã do Nascimento do Salvador. Infelizmente, porém, passou a ser substituído, em algumas nações, pela árvore do Natal, oriunda dos Estados Unidos da América, onde se abrigam as prendas trazidas pelo Pai Natal, outra inovação dos Países nórdicos.

Nos lares cristãos, sempre se recordou o nascimento do Menino, cuja imagem era – e é ainda – colocada num pequeno trono na sala principal. Poucos faziam o presépio, tal como o idealizou Francisco de Assis, porque desejavam adorná-lo com figuras várias, e outros adereços a lembrar a cidade de Belém, mas não tinham posses para os adquirir.

Ainda hoje ele se arma por estas terras, tendo valido a iniciativa da antiga Comissão de Turismo em promover, anualmente, concursos de presépios, que tiveram larga aceitação. Mais recentemente e para substituir o Presépio, já houve concursos de árvores de natal !...

Plausível é a actividade de certas instituições de solidariedade social em promoverem a angariação de bens para serem distribuídos, nesta época natalícia, pelos pobres e necessitados. Mas fazem-no arredadas da inspiração cristã e da recordação do Salvador do Mundo, que assim foi anunciado pelos anjos na Noite Silenciosa de há 2009 anos.

Até mesmo a própria Igreja foi simplificando a liturgia daquela Noite Santa, deixando de celebrar a Novena preparatória e de promover as Matinas solenes no princípio da Noite que agora está limitada à Eucaristia, pois o próprio dia passou, em algumas paróquias, ao esquecimento litúrgico.

Vale, pois, a pena recordar a atitude de Francisco de Assis, ante o improvisado Presépio: “Francisco, prostrado ante as palhas, adorava Jesus, via-o sorrir e agitar-se, como se na grande noite, tivesse desfilado na turba de lavradores e pegureiros; mais uma vez, na branda língua provençal, entoou os louvores do Senhor piedoso; depois, levantando-se, pregou à gente que se juntara, emocionada, a presenciar a estranha cena.”

Que todos tenham um Santo Natal!

Vila das Lajes, Dezembro de 2009

Ermelindo Ávila

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Cartão de Boas Festas

Vamos entrar na semana do Natal. Uma época memorável que todos procuram celebrar com alegria e boa disposição.

Desde há semanas que vêm sendo realizadas as ceias do Natal promovidas pelas instituições sociais e pelas diversas classes operárias, num gesto amigo de convívio e fraternidade. Se bem que haja instituições que cobram dos comensais a respectiva quota, outras, ao contrário, escolhem esse dia para distribuir prendas pelos sócios e seus filhos.

Antigamente, como soe dizer-se, realizava-se a consoada na ante - véspera do grande Dia. Uma ceia frugal onde pontificava o queijo caseiro, curado, muitas vezes oferta de um lavrador amigo. E que delicioso era.

Depois, apareceu o bacalhau, importado do continente, quando para as ilhas começaram a vir alguns continentais, normalmente para serviços públicos. E a tradição do queijo desapareceu.

Para a noite ou dia de Natal preparava-se a caçoila para a seja, uma maneira especial de guisar a carne de vaca, só usada na noite da consoada.

É que, raramente se utilizava a carne de vaca durante o ano. Três festas eram especiais e nelas a carne era o prato forte. Um pouco pela Páscoa. Nas funções de Coroa, era a base das, ainda hoje, apetecidas sopas do Espírito Santo. E, como disse, pelo Natal.

Os talhos forneciam alguma carne, mas a maior parte era conseguida através do sistema de “vacas de sócios”. Um grupo de indivíduos adquiria um bovino e era dividida a carne pelos comparticipantes na compra, os chamados “sócios”. Um sistema comunitário que tinha a vantagem de se adquirir um animal de boa carne; e, porque não havia lucros de intermediários, tornava-se mais barata.

Hoje já isso não acontece. Todo o ano se usa carne nas emendas familiares, embora, por vezes, de duvidosa qualidade.

Mas que deliciosa era a caçoila do Natal! Havia pão de trigo para aquela refeição mas não se falava em bolo do Natal, que só apareceu com os emigrantes retornados dos Estados Unidos. E ainda hoje é esse tipo de bolo de frutas que se usa, ao contrário do continente onde predomina o bolo rei.

Vem aí o Natal. Ainda se trocam os cartões de Boas Festas, até que esse hábito de saudar familiares e amigos, também desapareça.

Antes, eram os “cartões de visita”. Hoje são os postais. Amanhã tudo será feito através da Internet

E depois?...

Feliz e Santo Natal !

Bom dia!

14 de Dezembro de 2009-12-14

Ermelindo Ávila.

(crónica lida nas Manhãs de Sábado da RDP-A)