NOTAS DO MEU CANTINHO
“No Alentejo, Nun’Alvares começava o ciclo das proezas, em que se fundiam o amor terreno da Pátria e o amor místico de Deus, batendo nos Atoleiros, em 6 de Abril de l384, mercê de um famoso quadro de infantaria as tropas castelhanas”(1) .
“Em 1393 partilha com os companheiros de armas numerosas terras que lhe foram doadas; em 1393 instala no convento de Lisboa os frades da Ordem do Carmo, com os quais estreitou relações de especial afecto. Consorcia-se em 1401 sua filha D. Beatriz com D. Afonso, conde de Barcelos, filho natural de D. João I. Quando do falecimento, em 1414, da condessa de Barcelos, sua filha, o pai projecta recolher-se à clausura monástica.(2)
Deixa de ser O Condestável do Reino para ser somente um frade carmelita sujeito à regra monástica, onde termina seus dias a 1 de Novembro de 1431.
O povo desde logo dirige-lhe preces e os poderes reais solicitam ao Papa Urbano VIII para que proceda à sua beatificação. Em 1674 é renovado o pedido a Clemente X. No entanto, só a 23 de Janeiro de 1918 o Papa Bento XV deliberou elevar Nuno de Santa Maria às honras dos altares, o que veio agora a ser confirmado por Bento XVI, com a canonização solene, a 26 de Abril de 2009. Haviam decorrido quase quinhentos e setenta e oito anos sobre a morte gloriosa do extraordinário Santo Português.
Certo é que a sua memória nunca deixou de ser invocada e os milagres alcançados por seu intermédio são às dezenas.
Nuno Alvares “trouxe sempre fundidos no seu coração o amor de Deus e o amor da Pátria. Foi Monge e foi Soldado; foi Santo e foi Herói. Teve o duplo misticismo – o do Céu, e o da sua terra. Na hora mais aguda das batalhas, esquecido de tudo, ajoelhava e rezava. E, como os maiores místicos, possuía o sentido rectilínio do equilíbrio e das realidades. Era um espírito positivo de patriota, animado pela fé mais viva da crença mais alta.”...”Nuno Alvares é a encarnação suprema da Pátria portuguesa: está nos altares, porque a Igreja o reconheceu merecedor do culto; e está nos corações dos portugueses fiéis que vêem nele o símbolo do seu amor pátrio.
Sem a sua espada vigorosa e sã, Portugal teria caído possivelmente na órbita de Castela, e tudo quanto fez em prol da civilização, andaria hoje escrito em língua estranha.” (3)
Estava já o Santo Contestável recolhido ao Convento do Carmo quando foi celebrado ,em Medina, no dia 30 de Outubro de 1431, o tratado de Paz com Castela. No dia imediato (?) “a morte arrebatava aquele que da demorada e viva luta entre Portugal e Castela, tanto se celebrizara o Condestável Nuno Alvares Pereira morria no catre humilde de uma estreita cela do seu convento do Carmo, em Lisboa...”( 4)
Viveu na Terra pouco mais de setenta anos.
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1)-Pimenta, Alberto – “Elementos de História de Portugal,”, 1836 – pág. 90
2)-“Enciclopédio Luso-Brasileira de Cultura”.1973, Vol. 14º
3)-Pimenta, Alberto, o.c. pág. 105
4)-“História de Portugal” por Damião Peres e outros. Vol. III. pág. 25.
Vila das Lajes, 2 de Maio de 2009
Ermelindo Ávila
