quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

2007 - 2008

Parece que foi ontem que assinalávamos o início de 2007. Afinal ele está a terminar seus dias. Voltamos a folha do calendário e um ano surge.
Que será 2008? Sabemos que é ano bissexto, o mesmo que é dizer que, ao mês de Fevereiro, será acrescentado mais um dia. E, de quatro em quatro anos, acontece o mesmo a menos que a sua expressão numeral não seja divisível por quatro . Antigamente era um ano de surpresas e de acontecimentos agoirentos. Nos últimos anos as pessoas deixaram de pensar assim e só sentem os efeitos porque os ordenados não se alteram e há mais um dia a contar nos orçamentos domésticos.
O ano que ora termina não deixa saudades à grande maioria das pessoas, segundo os alarmantes clamores que continuamente nos chegam. Que será o novo ano? A ter em consideração as premissas que nos oferecem os resultados do ano que dentro de dias terminará, não será nada famoso o de 2008.
Os ordenados e salários manter-se-ão estagnados ou, como actualmente se diz, estacionários, originando lutas laborais contínuas. Os preços dos géneros continuarão em subida vertiginosa, resultando uma carestia de vida insuportável. As crianças serão indesejáveis. As interrupções da gravidez ocuparão as mesas da cirurgia hospitalar com a agravante de faltarem as mesmas para os doentes carecidos da intervenções cirúrgicas que se vêm forçados a procurar alívios em hospitais estrangeiros. Haverá mais crianças abandonadas nas creches e, nas ruas, mais famintos.
Será perigoso chegar à terceira idade porque a eutanásia espreita…
Nas ruas andarão aos bandos os desempregados, porque só se manterão as actividades industriais que produzirem bons e avantajados lucros para os seus donos e senhores, sejam nacionais ou pseudo-nacionais (estrangeiros).
Aqui e ali as rusgas de rua e manifestações sindicais são uma constante. E tudo no mundo global, onde só se procura extremar os dois blocos: milionários e pedintes. Ricos, remediados e pobres era em tempos idos.
É triste e arrepiante o quadro que aqui fica traçado? Queira Deus que me engane e que a humanidade possa gozar de paz, de tranquilidade, de alegria de viver, de bem-estar social e material. E se isso acontecer e eu vivo for, cá estarei para aplaudir a mãos cheias, todo esse conforto e desafogo material, do qual resultará, naturalmente, a harmonia e o entendimento positivo e sério entre os povos e as nações.
Chegado à derradeira dezena da centúria, não acalento esperança alguma de que o Mundo venha a entrar numa época de paz e de desenvolvimento. A História repete-se e estamos naquele período em que a ganância, a vaidade, o desejo de mandar e de subjugar os mais fracos se desenvolvem de uma maneira drástica e arrepiante; a devassidão e a sodomia voltam a dominar os povos! Iremos cair novamente na época de Sodoma e Gomorra? Os divórcios, as desuniões, o abandono dos filhos, as desavenças familiares, a desagregação social, as tempestades, os desastres aéreos e marítimos, as derrocadas e os sismos; o terrorismo e os assaltos e roubos desenfreados; a droga e o alcoolismo; os motins e as revoluções internas; todas essas calamidades de que os meios de comunicação diariamente nos dão notícias alarmantes, não serão uma amostra dos cataclismos que poderão acontecer a qualquer momento e quando menos se esperar?
Serei pessimista? Poderei sê-lo mas nunca alarmista. Os sinais dos tempos dão-nos as provas concludentes de que o mundo está doente…
Que o Senhor a todos proteja e ampare no novo ano que vai começar, são os votos que aqui deixo com muita sinceridade e amizade.
Vila das Lajes,
20 de Dezembro de 2007
Ermelindo Ávila

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

UM HERÓI DESCONHECIDO

Algumas vezes referi em escritos meus o herói nas lutas americana contra os Índios, John "Portugee" Phillipss.
Era natural desta vila ou melhor dizendo do subúrbio das Terras, filho de Filipe Cardoso e de sua mulher Maria de Jesus, naturais e fregueses da Matriz da Santíssima Trindade e moradores no lugar das Terras, desta Vila, nascido a 28 de Abril de 1832 e baptizado em 3 de Maio do dito ano. Faleceu aos 51 anos de idade, em Cheyenne, a 18 de Novembro de 1883. Ocorrem agora 124 anos.
"Rapaz ainda, emigrou para a América , numa antiga baleeira, de salto, como era vulgar naqueles tempos. Desembarcou nas costas do Pacífico, seguiu depois para Lesta, trabalhando com um grupo de aventureiros, como ele, que iam à cata de ouro. No verão de 1866 Phillips, chegou ao Forte de Kearney, com quatro companheiros. Ali todos arranjaram trabalho, parte do tempo contratados pelo chefe do posto do exército dos Estados Unidos.
Foi então que se deu a grande façanha do nosso conterrâneo. O forte onde trabalhava foi cercado pelos Índios e tornou-se forçoso pedir reforços ao forte de Laramie que ficava a mais de duzentas milhas.
Estava-se na véspera do Natal de 1866. Phillips ofereceu-se para ir até Laramie afim de levar uma mensagem do comandante, pedindo ajuda para combater a fúria dos indianos, dispostos a tudo conquistarem, para o que tinham de fazer grande carnificina entre os ocupantes do forte Kearmey. Caminhando, durante a noite, por entre matas bravas, iludindo assim a apertada vigilância dos assaltantes, num cavalo bastante adestrado, (consta que era o cavalo do próprio comandante do forte), para não ser apanhado pelos índios, conseguiu chegar ao Forte de Laramie e entregar o pedido de socorro. O cavalo, que tinha as ferraduras pregadas ao contrário para despistar os índios, ao chegar à parada caiu morto, exausto pela longa caminhada. O auxílio chegou ao forte sitiado e os assaltantes foram desbaratados. Todavia jamais perdoaram ao nosso herói o seu feito e, durante a vida, as suas propriedades eram constantemente assaltadas, como vingança, pelos índios.
Aquando do seu falecimento a Comissão do Congresso aprovou uma moção na qual se afirmou: "A morte de Mr. Phillps foi uma perda irreparável para esta terra, foi um homem sempre leal e verdadeiro em tudo, nunca se provando coisa alguma em contrário, honesto, cidadão correcto e prestante, amigo do seu amigo e do seu próximo.
"Não cremos que ninguém tenha feito mais por esta terra para abrir o caminho para a civilização que muitos de nós agora gozamos do que John Phillips. Muitos dos pioneiros que aqui se estabeleceram, lembrar-se-ão de tantas vezes que arriscou a vida na fronteira, desde Cache de la Pondre até aos confins da Montanha, enganando habilmente a astúcia dos peles vermelhas (índios), dando socorro a tantos que tinham caído, presas desses selvagens. Representou um papel muito importante no drama este país."
O Phillips visitou uma vez as irmãs, residentes no lugar das Terras, e é tradição que viajou num barco de guerra americano posto à sua disposição pelo Governo estadunidense. Num trabalho publicado no Boletim do Núcleo Cultural da Horta (Vol. III, nº. l, 1962) permiti-me alvitrar que o Manuel Filipe, seu nome de baptismo, fosse homenageado na sua terra natal. Isso nunca se verificou.
Hoje, voltando ao assunto, decorridos que são quarenta e cinco anos sobre o meu primeiro escrito, e recordando as homenagens diversas que os Estados Unidos lhe hão prestado, como acontece com os seus heróis, por vezes tardiamente, ouso lembrar que nunca é tarde para se prestar a devida justiça a quem a merece.
Porque não colocar, na zona central das Terras, onde se situa a Ermida do Coração de Maria e o grandioso salão Social, aqui vai a razão deste texto, um busto do nosso herói ? Para isso poderia servir a foto verdadeira que aqui se publica.
Faço um apelo à Câmara Municipal e aos habitantes daquele progressivo lugar, para que não esqueçam o maior filho da localidade.
Uma vez mais presto a minha homenagem ao herói Manuel Filipe e espero que este modesto pedido seja atendido por quem de direito e não se faça, uma vez mais, "ouvidos de mercador" a tão importante assunto, como é o acto heróico de Manuel Filipe, ocorrido, precisamente, há 141 anos.
Vila das Lajes,
Natal de 2007
Ermelindo Ávila

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

MONTE DE SANTA CATARINA

O monte de S. Catarina, situado entre a Vila e a Ribeira do Meio, se contribuiu para a separação dos dois núcleos habitacionais, também teve o mérito de oferecer aos seus habitantes um lugar aprazível e um primoroso miradoiro onde, em tardes outonais, principalmente, se acolhiam os lajenses, para desfrutar um dos mais belos panoramas picoenses.
A ermida, de secular existência – e que foi objecto de demanda judicial, em tempos passados, porque o proprietário dos terrenos adjacentes reivindicou a sua propriedade quando ela sempre fora propriedade da Igreja, tanto assim que estava separada por um muro com portão, tendo acesso pela encosta, o que hoje, infelizmente, se não verifica; - a ermida permitia, do pequeno adro, uma visão larga para o oceano e montanha, que era regalo, e ainda hoje isso se verifica, para quantos ali subiam.
Magnificas tardes ali passei com alguns companheiros da juventude, que não mais esquecerei.
Actualmente, com as obras executadas na zona, – quartel dos Bombeiros, Campo de Jogos e Hipermercado – tudo se modificou. Está em ruínas o acesso pelo Oeste â ermida, onde se venera Santa Catarina, cuja festa ali se realiza anualmente com apreciável número de devotos .
Quando éramos crianças – eu e os meus irmãos – passávamos os serões do Inverno a ouvir uma tia-avó materna contar-nos “casos” e lendas que aprendera nos seus velhos tempos de menina e moça. E uma das lendas era a de Santa Catarina. Contava-a mais ou menos nestes termos:
Em tempos remotos apareceu na costa de São João uma bela imagem de Santa Catarina de Alexandria. Aqueles que a acharam trouxeram-na piedosamente para a igreja da Vila e aí ficou depositada. No dia seguinte a Imagem desapareceu do altar onde fora colocada. As pessoas afligiram-se e trataram de a procurar até que alguém a encontrou novamente nas costas de S. João. Voltaram a traze-lo mas ela no dia seguinte voltou a desapareceu e regressou ao primitivo lugar até que alguém se lembrou de construir uma pequena capela, num monte sobranceiro à Vila, para a guardar. Na capela ou ermida tiveram o cuidado de abrir uma janela, a permitir que a imagem, do novo altar, visse o lugar, lá ao longe, onde aparecera a primeira vez. E, ao longo dos tempos, se tem conserva a Imagem na sua Ermida…
Santa Catarina passou a ser invocada como protectora das doenças mentais ou de outras enfermidades da cabeça das pessoas. Certo é que, todos os anos, no dia da sua festa, aparecem, junto do respectivo altar, algumas cabeças de massa, em cumprimento de promessas.
O local onde se diz que apareceu a antiga Imagem, em São João, passou a denominar-se “Ponta de Santa Catarina”. Ainda se mantém? – Não sei.
Lenda ou facto histórico, a ermida ali está mas a primitiva imagem desapareceu, sendo substituída, no século passado, pela actual, realmente de uma beleza escultural pouco vulgar.
A ermida e a casa de veraneio foram legadas à Igreja pelos derradeiros herdeiros dos antigos proprietários. Os terrenos anexos, como atrás se diz, estão sendo ocupadas por três imóveis de interesse público. Em breve, ao que consta, será inaugurado o complexo desportivo. Uma obra notável que dignifica o Município, seu executor, e indispensável, sob diversos aspectos, ao desenvolvimento desportivo da juventude picoense, que não só lajense.
Em vias de conclusão está o edifício destinado ao hipermercado. Uma moderna estrutura que, depois de um acidente lamentável, chega ao fim e vai contribuir de certeza para o desenvolvimento comercial desta zona.
Resta fazer uma ligação condigna entre a Vila e a Ribeira do Meio, para que os dois sítios, unidos territorialmente, possam progredir com acerto e eficiência.
E, para que isso se verifique, é indispensável dar uma ocupação útil aos edifícios do antigo matadouro e igualmente da central eléctrica. Este, segundo creio, pertence de direito à Câmara Municipal e nele poderia ser instalado qualquer serviço de utilidade local, como, v.g., o arquivo municipal. E porque não transformar o edifício do matadouro num estabelecimento hoteleiro?
Há que lhe dar uma ocupação condigna e capaz de servir os interesses lajenses. Dizem que o Turismo não se desenvolve por falta de camas. Não será a ocasião própria para ali se construir um hotel de três ou quatro estrelas?
A quem de direito, fica o repto.
Vila das Lajes,
21 de Novº. de 2007
Ermelindo Ávila

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

OUTRAS TERRAS...

É agradável viajar. Conhecer novos mundos, outras terras e outras gentes. Encontrar aqueles que um dia abandonaram os seus torrões natais e viajaram para o incerto, para o desconhecido, levando a alma amargurada pela saudade mas envolta numa réstia de esperança…
Foi isso que aconteceu a tantos milhares de açorianos que, vivendo horas amargas provocadas por carências várias, rodeados de filhos sem saber como lhes preparar o futuro, que era incerto, resolveram partir para outras terras, para o meio de novas gentes, e aceitar trabalhos desconhecidos.
Aqui os vim encontrar uma vez mais, decorridas algumas dezenas de anos, rodeados de filhos e netos e instalados em habitações confortáveis, auferindo as reformas que lhes permitem uma vivência relativamente fácil e feliz.
Apesar disso, eles não esquecem a terra de origem, nem desprezaram os amores pátrios. É, antes, consolador estar com eles e sentir o calor patriótico que os anima e que mais se releva e revela nas organizações sociais que criaram e mantêm com vivo e exemplar entusiasmo.
Foi isso que aconteceu agora, na cidade de Toronto, Canada,
onde se fixou, a meados do século passado, uma comunidade portuguesa e, sobretudo, açoriana, que acaba de inaugurar a sede própria da Casa dos Açores de Toronto, depois de vinte e cinco anos de existência e de ocupar prédios alugados. Um acontecimento que mereceu a presença do Presidente do Governo Regional dos Açores, do Secretário Regional da Economia, da Directora Regional das Comunidades, da Cônsul Geral de Portugal em Toronto e de outras entidades oficiais da Província de Ontário, além de representantes das mais de duas dezenas de associações regionais de Toronto e de centenas de açorianos portugueses e seus descendentes.
O programa das solenidades da inauguração, incluíu a celebração da XI Semana Cultural Portuguesa, o que permitiu a apresentação de diversas manifestações culturais: Conferências, lançamento de livros de edição portuguesa, cantares e até um dia dedicado à juventude. Lá estavam estudantes dos ensinos secundários e universitários, que apresentaram um programa rico de cultura e de arte portuguesas.
Foi muito sensibilizante e agradável estar esta semana na grandiosa e cosmopolita cidade de Toronto, encontrar velhos amigos e conhecidos e outros conterrâneos, que todos quiseram dar-nos um abraço de amizade e de respeito.
Não posso, nem devo esquecer o acolhimento que recebi e as gentilezas que me dispensaram. Não virei, concerteza, mais a Toronto, mas esta viagem, a quinta, tal como as outras, não mais a poderei esquecer. Desejava aqui deixar os nomes dos conterrâneos, amigos e conhecidos que encontrei. Impossível, tantos foram! Para todos, o meu cordial abraço de amizade.
Mas deixo, nestes rabiscos singelos, o meu agradecimento
respeitoso e profundo pela maneira atenciosa como me acolheram os ilustres membros dos corpos directivos da hoje CASA DOS AÇORES DE ONTARIO, e desejo-lhes as maiores felicidades, prosperidades e muitos progressos no desenvolvimento da sua patriótica actividade a bem da Comunidade e do prestígio de Portugal.
Toronto, 11 de Novembro de 2007
Ermelindo Ávila

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

ANTIGOS COMBATENTES

A partir do dia cinco do corrente passa a existir no Largo Gen. Lacerda Machado, da vila das Lajes, tal como aliás vem acontecendo nas demais localidades da Ilha, um memorial em pedra basalto, a recordar aqueles jovens militares que estiveram a combater no Ultramar, entre os anos de 1960-1974. Trata-se de uma homenagem singela, promovida pelos próprios antigos combatentes, a perpetuar os nomes daqueles que, em momentos de amargura, foram retirados dos meios familiares para irem defender os territórios que estavam sob a jurisdição político-administrativa de Portugal; luta inglória que não alcançou mérito algum e que abruptamente foi abandonada…
Por lá ficaram alguns dos jovens picoenses, como aliás das diversas terras de Portugal. O número de falecidos foi de alguns milhares. Felizmente que, destas ilhas, o número de sacrificados em nome da Pátria não passou de algumas dezenas, se bem me recordo.
Três dos meus filhos estiveram nesses anos, ao mesmo tempo, no serviço militar. Dois deles no Ultramar, um em Angola e outro em Moçambique. E ambos só regressaram quando se deu a histórica descolonização… Foram horas, dias, meses e anos de aflictiva angústia, que não mais esqueceram. Felizmente que regressaram a casa, embora ficassem sujeitos a intermitentes sequelas.
Pior sorte tiveram os que não regressaram às suas casas e ao seio das respectivas famílias. Recordá-los é um acto de elementar justiça e homenagear a sua memória um gesto digno e plausível.
Pelo Ultramar ficaram;
1) Alferes José Vieira da Silva Cardoso, filho de João Vieira Cardoso, da freguesia de São João, falecido em Moçambique;
2) José Leal Goulart, filho de Jaime Leal Goulart, da mesma freguesia, falecido em Angola;
3) Gabriel Pereira Bagaço, filho de José Pereira Bagaço, da Ribeira do Meio, Lajes do Pico, falecido na Guiné;
4) José Cardoso Carias, filho de Júlio Cristiano Carias, da Calheta de Nesquim, falecido em Angola;
5) António Alberto da Silva Garcia, filho de Manuel Machado Garcia, da Almagreira, Lajes do Pico, também falecido em Angola;
6) Gabriel Jorge da Silva, filho de Manuel Jorge da Silva, de Santa Bárbara, Ribeiras, falecido em Moçambique; e,
7) Silvino Barbosa do Amaral, filho de Dinis Amaral, de Santa Bárbara, igualmente falecido em Moçambique.
Estes somente os do concelho das Lajes do Pico. cujos nomes constam do memorial inaugurado do passado dia 5 porque, infelizmente, dos concelho de São Roque e Madalena não me foi possível obter informações.
Mas outros mais terminaram seus dias ao serviço da Pátria como soe dizer-se.
Em 1931 deu-se em Angra do Heroísmo o revolta dos Deportados. Manuel Testa, natural da Ribeira do Cabo, desta vila, encontrava-se a prestar serviço militar no Castelo de S. João Baptista. Num noite foi escalado para fazer guarda, com outros, ao Comando Militar. E foi aí que uma bala traiçoeira, partindo inesperadamente da arma de um camarada, o atingiu mortalmente.
A quando da explosão que destruiu o quartel da Bateria, na cidade da Horta, em 22 de Abril de 1941, faleceram l2 militares, e um civil. Daqueles, três eram da ilha do Pico:
Manuel Ferreira Vieira, filho de José Vieira, e Claudino Quaresma Dias, filho de Alfredo Quaresma, ambos da Calheta de Nesquim, e ainda, Manuel Ferreira Morais, do concelho de São Roque do Pico.
Segundo informação de Júlio Cabral, datada de Janeiro de 1905, incerta no “Arquivo dos Açores”, Vol. III, respeitante a militares mutilados diz que no Hospital de Inválidos Militares Runa, inaugurado em 25 de Julho de 1827, estiveram internados os seguintes militares:
- Manuel Joaquim, cabo, filho de Joaquim José, natural da Ilha do Pico. Serviu no regimento de artilharia nº l. Fez as campanhas da liberdade, desde 8 de Julho de 1832 a 1834 desembarcando nas praias do Mindelo;
- João Inácio, soldado, filho de João Inácio, natural da Vila das Lajes do Pico. Nasceu a 21 de abril de 1882, assentando praça, como compelido, em 1 de Novembro de 1901. Serviu na arma da artilharia, e reformou-se em 29 de Setembro de 1903, desde quando entrou para o hospital. Ainda conheci este João Inácio (Senhura), ao qual fora amputada a mão direita, a trabalhar na “Farmácia Lajense”.
Mas, da Ilha do Pico, não somente os militares que acima refiro foram mutilados ou faleceram no serviço militar. Outros houve que aqui não se citam por falta de informação.
A todos, porém, envolvo no mesmo sentimento de respeito e homenagem.
Lajes do Pico,
5 de Outubro de 2007
Ermelindo Ávila

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

SAÚDE E DOENÇA


Depois de muitos clamores e penares por terra e mar, chega-nos a notícia de que a Ilha do Pico vai voltar a ser a terra natal para as gerações futuras. Mas quando? - perguntamos nós.
Não é há muitos anos que a ilha do Pico foi interditada a nascimentos e… quase óbitos. É ver, com olhos bem abertos, o que se passa.
O nascer na ilha passou a ser um “crime” punível pelas leis regionais. E precisamente quando a taxa de natalidade, por circunstâncias várias, baixava drasticamente. Senão vejamos : No final do último quartel do século dezanove nasciam e eram baptizados na Matriz da SS. Trindade mais de 100 (cem!) neófitos naturais da paróquia. Na década de cinquenta o concelho registava somente cerca de cem nascimentos. E actualmente?
Nesse período raro, raríssimo era o óbito de um recém-nascido ou mesmo de uma criança de tenra idade.
Enquanto não houve serviço hospitalar no concelho os nascimentos tinham lugar nas residências das próprias mães, como aliás em toda a parte, e raramente eram assistidos por médico. Só a partir de 1960, com a entrada em funcionamento do antigo hospital concelhio (agora é Centro de Saúde), as parturientes começaram a utilizar, ainda em pequeno número, os serviços hospitalares, até que todas se convenceram que ali eram melhor assistidas, dado que o Médico Municipal tinha essa especialidade. E, para tal, foram sendo admitidas enfermeiras especializadas. Mas, chegou o dia em que era, talvez, necessário dar mais movimento, pois outra razão nunca encontrei, para que as parturientes fossem atendidas no Hospital Walter Bensaúde. Aí principiou a tragédia das travessias no canal, os nascimentos, casuais, a bordo das lanchas e das ambulâncias e sobretudo a deslocação para fora de casa das futuras mães com todos os inconvenientes que isso sempre acarretou.
Entretanto surge uma lei que permitia o registo de nascimento nas residências das mães. Mas quantos, por conveniência de aproveitarem os subsídios da Previdência, os faziam ( ou fazem) nas Conservatórias das cidades? Ou mesmo nos próprios hospitais, como parece que agora é permitido?!
Não é menos angustiosa a situação dos doentes e sinistrados. Porque não há médicos especialistas na Ilha, lá vão eles, de barco, de avião ou de helicóptero para o chamado hospital central da Horta e, quando este não o pode atender, para o de Angra e/ou Ponta Delgada. E depois para Lisboa… E por aí acontecem os desenlaces e, depois, as trasladações para aqueles que as podem suportar.
Há dias chamavam-me a atenção para uma estatística recentemente publicada, que indicava o número de consultas de especialidade feitas nos Centros de Saúde da Ilha do Pico. E via-se a triste realidade: o concelho das Lajes éra o que acusava menor número de consultas naturalmente à falta de médicos especialistas. Talvez esse o motivo, pois todos sabemos que as populações vão envelhecendo dia-a-dia e as carências aumentam constantemente.
São bem poucos os clínicos especialistas que se deslocam ao concelho das Lajes. Está para detrás da ilha e é cómodo ficar pelos outros concelhos onde as comunicações com o exterior são mais rápidas. Será esta a razão forte, ou outra ou outras existem para justificar a ausência de especialistas no concelho? Além disso, até há pouco havia dois consultórios particulares nesta Vila - hoje existe um – e neles podiam ou podem exercer, facultativamente, médicos especialistas vindos de outras ilhas ou até do continente. Mas essas consultas, com certeza, não são registadas nas estatísticas oficiais.
Estou somente a lembrar o que por aí vai sobre a saúde dos lajenses. E a propósito, pessoalmente, só tenho a registar o meu reconhecimento pela maneira gentil e atenciosa como sou recebido e tratado de meus achaques, que já não são poucos, pelos Médicos lajenses, a quem devo esta palavra de gratidão.
Sei que mais não podem fazer. Os meios auxiliares de diagnóstico de que dispõem são primários, uma legislação que lhes coarcta a actividade e umas instalações que já se encontram obsoletas. E não se fala, nos meios políticos, em outras conseguir ou as actuais melhorar.
O centro de saúde de S. Roque é de construção recente. O edifício antigo foi restituído à Misericórdia local, sua proprietária.
Anuncia-se que a Madalena vai ter novo centro de saúde.( Há quem diga que será o hospital de ilha. Mas essa hipótese já foi posta quando se construiu o de São Roque…)
No das Lajes não se ouve falar. Nem sequer os representantes do Povo, possivelmente atarefados em outros sectores…
É realmente uma lástima (para usar uma expressão popular) o que nos está a acontecer para estas bandas do Sul.
Quando é que temos políticos lajenses que se interessem pela sua terra e que façam valer, com dedicação e isenção, perante as entidades públicas, os direitos dos povos que os elegeram, se bem que compreenda que, para alguns, será difícil essa missão ?…
Vila das Lajes,
Dia de “Pão por Deus”
Ermelindo Ávila

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

PÃO POR DEUS

É uma tradição muito antiga que ainda é mantida por alguns nos tempos actuais.
Os pobres aproveitavam este dia para recolher um pouco nos seus alfobres e conseguir algumas provisões. E de tudo lhes davam: algum dinheiro, pouco, porque não existia em abundância, frutas da terra, milho em cambadas ou em grão, batatas, cebolas, peixe seco, etc. De tudo o que a terra e o mar davam.
O pagamento era um agradecimento singelo mas sentido: - Seja pelo amor de Deus e pelas almas dos vossos…
Os pobres, quando recolhiam à noite, iam radiantes pelas esmolas conseguidas e com as famílias, se as tinham, davam graças ao Senhor e imploravam as bençãos do Céu para os seus benfeitores.
Presentemente, quase desapareceram os pedintes mais idosos. Ficaram as crianças que tudo aceitam, sobretudo umas moedas e algumas guloseimas, que essas são bastante apreciadas. Mas mantêm a tradição, o que é importante.
E a propósito de esmolas, recordo-me que, a meados do século passado, o governador civil de um dos distritos insulares, pretendendo acabar com a pobreza e a pedincha nas ruas, pois tornava-se uma nota deselegante para os visitantes (turistas) que começavam a aparecer pelas Ilhas, criou uma Comissão de angariação de donativos para serem distribuídos pelos pobres. E para que os habituais pedintes não andassem de casa em casa, diariamente, a esmolar, resolveu criar um dístico que o contribuinte tinha o direito de afixar na porta da residência com estes ou semelhantes dizeres: "Esta casa contribui para a Comissão de Assistência". E porquê? Simplesmente para que os pobres e carecidos não fossem importunar os moradores com suas pedinchas…
Em outro burgo açoriano estabeleceu-se a norma de os estabelecimentos comerciais ou congéneres, só distribuírem esmolas ao sábado, até ao meio dia.
Estando, casualmente, num desses estabelecimentos, num sábado, entrou um pobre a pedir uma esmola. O empregado que o atendeu, respondeu-lhe: Não sabes que já passa da hora? Mesmo assim, entregou-lhe uma moeda de dez centavos… Retirara-a de um pequeno montículo, onde outras, de igual valor, ainda ficaram. E o pobre calcorreava as ruas da cidade durante uma manhã - não podia ultrapassar do meio dia – para juntar um escudo ou dois. Que nem dava para o pão da semana.
Fiquei intimamente magoado com aquela grosseira atitude. Felizmente que, na minha terra, tal não acontecia.
Hoje será diferente. Por aqui não aparecem mendigos e, no "Dia do Pão Por Deus" só as crianças, aos grupos, filhos de pobres ou remediadas, - porque ricos não os há - em ar festivo aparecem com seu saquitel, a percorrer as casas , a pedir "Pão por Deus, por amor de Deus" . E nunca vão de mãos vazias" pois há sempre qualquer coisa a dar-lhes, "pelas almas dos nossos".
Penso nestes costumes, dos poucos que ainda se vão mantendo, e penaliza-me que, com a evolução social a que se vai assistindo, num futuro muito o próximo, estas e outras boas tradições, passarão ao esquecimento. Nem todos compreenderão este meu pesar por haverem deixado de apreciar os costumes honestos que vieram dos nossos avoengos.
É doloroso que assim aconteça.
Vila das Lajes, 20 de Outubro de 2007

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Império de São Mateus

No passado mês, a freguesia de São Mateus celebrou a festa do seu Padroeiro. Aliás isso acontece todos os anos e em todas as paróquias da ilha como nas demais da Diocese, que anualmente festejam o seu Padroeiro.
São Mateus, porém, tem um significado especial pois integra, nessa festa, o único Império do Divino Espírito Santo que ali se realiza, com a distribuição de rosquilhas a todos os participantes na solenidade. E vale a pena ver o magnífico cortejo de açafates incorporado na procissão do Padroeiro na qual, também, se inclui uma Coroa do Espírito Santo. Foi assim no dia 21 de Setembro último, cumprindo a população um voto muito antigo no qual colabora a própria Paróquia e também a população da Paróquia de São Caetano, dado que o voto foi feito quando as duas comunidades constituíam uma só paróquia.
Fora da época do Pentecostes, apenas se realizam na Ilha do Pico os Impérios de São Mateus e o de São Pedro, primeiro Padroeiro da Ilha, cuja igreja, actualmente uma pequena ermida, ainda se conserva na vila das Lajes. E já conta mais de quinhentos anos! Mas hoje refiro-me especialmente ao Império de São Mateus.
Estava-se no ano de 1718. Uma violente crise sísmica, principiando em Santa Luzia, abalou toda a ilha, seguida de erupções vulcânicas. O fogo rebentou em terra e no mar. Um verdadeiro inferno, como diz o povo. Mas vejamos muito sumariamente o que nos dizem os historiadores coevos.
Sobre os bodos que se costumam realizar anualmente em louvor do Divino Espirito Santo, escreve o Padre Alberto Pereira Rey, em escrito de 1753 (Arquivo dos Açores, Vol. III, pág.286): "Pelos anos de 1718 na ilha do Pico, a 2 do mês de Outubro (deve ser Fevereiro) rebentou o fogo dos minerais, que tem nas entranhas da Terra , de tal sorte, que parecia se acabava o mundo, ficando o espaço de quatro léguas tanto a Norte, como para a parte do Sul cheia de pedras, como de escamas que parecem montes altos, fazendo pontes pelo mar fora, até onde chegava a fúria dos minerais (fogo), não padeceram lesão alguma naqueles lugares, onde o fogo tudo converteu em pedra, algumas casas de moradores que nelas tinham trigo e vinho dedicado e separado para gastarem no ano seguinte com os Pobres no dia do Bodo do Divino Espírito Santo…"
Silveira de Macedo – servindo-se do "Auto voto que fizeram os faialenses quando o fogo rebentou na freguesia de Santa Luzia da Ilha do Pico" e da "Memória do vulcão da freguesia de São João da ilha do Pico ( extraído do Livro do Tombo da Matriz da vila das Lajes, daquela ilha)" ( aonde pára ele?…), - diz que o fogo rebentou em Santa Luzia no dia 1 de Fevereiro de 1718 e, no dia 2, a sul na freguesia de São João.
Por seu lado o Doutor Gaspar Frutuoso, (1589) narra: "Como tenho dito, na era de mil quinhentos e sessenta e dois, a vinte e dois (?) de Setembro, dia de São Mateus, uma légua da Vila de São Roque, caminhando para a Prainha do Norte, em cima, no cume da serra, quase da banda do Sul, como espaço de três léguas da falda do Pico, ficando ele para a banda do leste, tremendo primeiro a terra em um terço de hora dezasseis vezes, com contínuos e horrendos abalos e tão grandes estrondos, como de grossas peças de artilharia, em um lameiro arrebentou fogo fazendo cinco bocas muito grandes, sendo uma a principal e maior, de que manou uma grande ribeira de polme, que correu para a banda do norte por espaço de uma légua e meia até cair da rocha abaixo e fazer um grande cais abaixo da rocha onde se espraiou aquele polme e se tornou pedra viva, em que se não pode pôr pé descalço, nem se cria nenhum género de erva, nem mato, até hoje, sendo em alguma parte onde se não acabou de cobrir daquele polme ( "Livro Sexto de Saudades da Terra", a pág. 303.
Foi então que o "povo de São Mateus, receando o perigo mais próximo pela abundância de cinzas que caíam sobre a freguesia, concorreram à igreja a implorar a clemência divina e conjuntamente com os povos de São João, renovaram suas preces e votos dos antepassados. É que o voto de São Mateus deve reportar-se ao ano de 1562, aquando dos fenómenos ocorridos no dia 21 de Setembro. Tão violentos foram os tremores de terra e tão longe caíram as cinzas e a lava que, diz ainda o historiador, o povo do Pico se refugiou nas Ilhas de São Jorge, do Faial e da Terceira.
Como se verifica na narração de Frutuoso, a lava deste vulcão, ocorrido no Pico do Cavaleiro (?), correndo para o mar, formou a planície onde veio a fundar-se o Cais do Pico.
As preces e os votos dos nossos antepassados, seriamente atormentados por tais cataclismos, foram tão fervorosos que ainda hoje se cumprem com grande devoção e entusiasmo, por vezes emocionante, sendo testemunho, de tais votos, os Impérios do Espírito Santo que se realizam em toda a Ilha, mas em moldes diferentes daqueles que se praticam nas demais ilhas dos Açores, pois esses Impérios são realizados com a distribuição de pães de massa sovada, rosquilhas ou bolos de véspera, conforme as zonas, a todos os que comparecem nos arraiais. E não são esquecidos até aqueles que, por doença ou qualquer motivo justo, não podem comparecer.
É o que se verifica na freguesia de São Mateus, como atrás referi, cujo Império tem lugar no dia da festa do Padroeiro, a 21 de Setembro, com a ida da Coroa em cortejo à Igreja, onde está durante a Missa solene e, depois, tem lugar a coroação do Mordomo.
Vila das Lajes do Pico
19 de Outubro de 2007
Ermelindo Ávila

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Modernização da Vila

Há cerca de dois ou três anos a Câmara Municipal promoveu, no Auditório Municipal, uma reunião com uma equipa de Arquitectos que havia convidado para procederam ao estudo urbanístico da vila das Lajes. Não foi apresentado, se me recordo, qualquer relatório elaborado por esses Técnicos. Se existe deve encontrar-se no Arquivo municipal.
Interessante seria que, se existe, esse relatório ou estudo viesse a público para que os lajenses, - e não só… - tomassem conhecimento do parecer técnico sobre o estado da vila e seus possíveis arranjos urbanísticos.
Realmente, importa tomar uma posição sobre o estado actual do velho burgo, com uma existência que já ultrapassou os quinhentos anos e que é, assim, uma das mais antigas Vilas da Região, com um traçado que vem dos primórdios da sua criação mas que foi executado com sentido artístico. Olhe-se, com olhos abertos, para esse mesmo traçado urbanístico e ficar-se-á com a certeza do que venho de dizer.
Mas a vila não pode ficar por aí, com certas zonas decrépitas, e espaços abandonados. Há que fazer alguma coisa no sentido de a modernizar e a equiparar a outras que, de simples "aldeias" vão caminhando a passos largos para a urbanização que querem citadina.
Agradável seria que a zona urbana, em vez de caminhar para norte, se desenvolvesse no lado sul, ocupando os terrenos que ficam dum lado e de outro do ramal, levando-se a chamada zona industrial para melhor sítio, que não aquele.
Não será fácil proceder a grandes e inovadores arranjos. Mas algo se poderá empreender.
Não há muitos anos procedeu a Câmara ao calcetamento das ruas da Vila e dos respectivos passeios. Parece que a obra não ficou completa pois o empreiteiro – não constaria do caderno de encargos? – não procedeu ao nivelamento da calçada, o que provoca, em dias de chuva, a retenção das águas em sítios mais baixos…
Se, no entanto, o executor da obra não satisfez o seu compromisso, ainda será tempo de o obrigar a corrigir os defeitos deixados.
Além disso, vai sendo vulgar as diversas entidades exploradoras de serviços – electricidade, telefones, etc., abrirem valas para a reparação dos cabos subterrâneos. É um serviço que não pode ser evitado, uma vez que, aquando do lançamento desses cabos, não houve a necessária cautela na execução das "caixas". Mas importa que, ao remexer-se na calçada, tudo seja reposto com o necessário cuidado.
A Vila está sendo sinalizada para a regularização do trânsito. Todavia nem todos os sinais, a fazer fé nas reclamações ou críticas que se ouvem, são suficientemente esclarecedores. Além disso podia ter - se alterado o trânsito de certas ruas transversais, de maneira que umas permitissem a subida e outras a descida. E, a propósito, quando evitar a desorganização do estacionamento na rua Capitão Mór e Largo Lacerda Machado?
Volto a referir a "histórica" casa da Maricas do Tomé - Bem a meu pesar o faço, pois custa ver aquele montão de pedra e verdura no chamado "Centro Histórico" sem que haja quem lhes acuda. E nem só este, como a casa da Feliciana, à entrada da rua de Olivença. São mazelas que dão um sinal de desinteresse pelo embelezamento da vila e causam surpresa aos inúmeros visitantes estrangeiros que aqui chegam.
E já não refiro a Casa do Primeiro Povoador e a ponte adjacente.
Talvez resultante da actividade marítima, provocada satisfatoriamente pela exploração do "Whale Watching" a zona voltada ao mar, conhecida pela "Pesqueira", está sendo a mais movimentada da vila. Lá existem cafés-restaurantes, estabelecimentos de artesanato, residenciais, e até o Museu dos Baleeiros, que, apesar de outras "concorrências" continua a ser bastante visitado.
O antigo campo de futebol, um espaço com uma história rica, vem sendo ocupado pelo "estaleiro" das obras da Muralha da Cortina da Vila, que, segundo se diz, estão a chegar ao fim. Assim sendo, há que dar-lhe uma utilização capaz de servir os habitantes da vila e os visitantes. Não sei se algum estudo há feito nesse sentido, uma vez que campo de jogos não será mais, pois está em vias de conclusão o complexo de Santa Catarina.
Impõe-se transformar aquele espaço numa zona de lazer. Um jardim, devidamente arborizado, com bancos de descanso, a construção de um arruamento junto da muralha, e qualquer outra construção de utilidade pública. Mas, para tanto, impõe-se que o piso seja subido para o nivelamento da actual rua que o circunda, evitando que se transforme num lago como acontecia nos dias de enchente, ainda bem vivos na memória dos lajenses.
É tempo de algo se fazer, antes que outro destino menos conveniente lhe seja dado.
Estou em crer que os gestores municipais estão atentos aos "casos" que acima registo. Contudo, não faz mal lembrar que se olhe para a Vila, uma vez que, até aqui, se tem estado voltado para outras zonas…
Vila das Lajes,
14-10-2007
Ermelindo Ávila

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Protecção da orla costeira das Lajes do Pico

Vão-se aproximando do fim as obras de protecção marítima desta vila. Já saiu do porto, para outra ilha, a barca que transportava para o alto mar os materiais extraídos da zona onde está a construir-se o molhe de defesa, ao norte da baía e mesmo no local da antiga “carreira”.
Embora os trabalhos hajam sofrido atraso motivado nos temporais do Inverno passado, eles no entanto puseram à prova a eficiência da obra que mesmo assim, há que continuar na parte sul, para que a vila das Lajes, uma vez por todas, deixe de ser inundada pelos mares do Oeste, em ocasiões de enchentes. Quando será considerada a execução de um segundo molhe, a Sul do que, agora, foi construído? Os lajenses interrogam-se e não há quem lhes responda. E é pena. Na verdade, parte norte da Vila fica defendida, o mesmo porém já não acontece com a parte Sul, ou seja a zona do Calhau Grosso, outrora defendida pela enorme cortina de pedra que se levantava naquele espaço e que foi desaparecendo com o rodar dos anos. Era uma “pedreira” ali ao lado, onde facilmente se extraíam muitas toneladas de pedra que servia para diversas construções e até para a muralha de defesa , junto à zona marginal da Lagoa, quando, em 1936, um enchente de mar destruiu a velha muralha. E bem reclamaram os habitantes da parte baixa da Vila para que não se retirasse pedra que constituía uma excelente defesa. Tudo foi em vão. Ninguém quis ou soube ouvir o seu justo reclamar.
E se “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, há que estar atento, que, depois desta obra executada não fica completa a “Protecção da orla marítima das Lajes do Pico”
Os lajenses, na generalidade, senão todos, estão satisfeitos com a obra realizada. E nesse sentido sabem ser agradecidos. Esperam porém que, em futuro próximo e consoante os resultados obtidos com as obras em curso, se venha a reconhecer a imperiosa necessidade de se lhe dar continuidade.
Segundo uma comunicação oficiosa de 18 de Abril de 2005, ia ser estudada a eventual manutenção do acesso à obra, tal como o têm vindo a reclamar muitos lajenses.
Ao que nos consta os estudos já foram realizados. O acesso parece que, logicamente, vai tornar-se definitivo, muito embora haja que realizar-se algumas obras de consolidação e “adaptação” ao local.
Seja como for. Importa que o acesso seja mantido e o piso do trânsito sobre o molhe devidamente consolidado. E mais deve ser considerado. Esta a razão forte deste arrazoado.
Todos temos a nítida certeza de que não vai construir-se no futuro uma “doca”. Sabemos que não nos está reservada essa, aliás, excelente estrutura, pois não ignoramos que pedir tal, a “ira dos deuses” voltar-se-ia contra nós. Mas pedir não ofende…
Neste momento, que se julga o aprazado, pede-se somente que, a meio do molhe em construção, voltado para o “Poção”, ou seja a nova bacia agora criada, seja construída uma plataforma com escadaria de acesso, que bem poderia servir no futuro para a acostagem de qualquer embarcação de maior calado.
E porque não?
Vão em bom ritmo as obras de desassoreamento e arranjo da Lagoa ou porto interior. Junto da muralha de defesa está a ser construída uma plataforma donde enrocarão as rampas de acostagem das embarcações de pesca e de recreio. E isso torna-se muito importante para dar um arranjo disciplinado àquele espaço, uma vez que, no último ano, as pequenas embarcações existentes no porto duplicaram.
O terrapleno junto da muralha poderá ser o início do passeio marítimo que a Câmara Municipal projecta realizar até ao Portinho, na zona da Ribeira do Meio.
Estarei a sonhar? Talvez. O tempo, porém, o dirá.
O turismo marítimo principia a desenvolver-se nesta terra. É preciso dar-lhe condições para que daqui não se venha a afastar. E é no turismo que está o desenvolvimento futuro da economia desta parte da ilha.
Não demorem, pois, com as estruturas indispensáveis ao seu desenvolvimento. É o apelo que hoje aqui fica.
Em todas as terras ditas civilizadas encontramos pelos largos e jardins aves, das mais variadas espécies. As populações tratam-nas com carinho e dão-lhes alimento. Vi isso na América, em Lisboa, na França e outros mais sítios por onde andei. Porque não dispensar o mesmo carinho às patas que há poucos anos se fixaram nas lagoas desta vila? Porque as exterminam com requintes de malvadez?
Um pedido aqui deixo: Não as maltratem pois elas dão um ambiente novo e interessante à pacatez do meio onde vicejam.
Vila das Lajes
27 de Setembro de 2007
Ermelindo Ávila